EUA e Índia negociam acordo comercial com tarifas abaixo de 20% em 2025

EUA e India

EUA e India - Foto: Melnikov Dmitriy/Shutterstock.com

Negociações entre Estados Unidos e Índia avançam para um acordo comercial provisório que pode reduzir tarifas de importação para menos de 20%, conforme anunciado em 11 de julho de 2025, em Washington. Lideradas pelo representante comercial assistente dos EUA, Brendan Lynch, e pelo ministro do Comércio indiano, Piyush Goyal, as tratativas, iniciadas em Nova Délhi entre 26 e 29 de março, buscam um pacto bilateral até o outono boreal (setembro-outubro). A Índia, principal parceiro comercial dos EUA com US$ 129 bilhões em comércio bilateral em 2024, não recebeu carta formal de exigência tarifária, ao contrário de países como Vietnã e Filipinas. O acordo, que inclui 19 categorias como agricultura e comércio eletrônico, posiciona a Índia à frente de outros países asiáticos, apesar de tensões sobre culturas geneticamente modificadas e regulamentações farmacêuticas. A medida responde à política de tarifas recíprocas de Donald Trump, que pressiona parceiros comerciais desde abril.

A Índia busca termos mais favoráveis que os do Vietnã, que enfrenta tarifas de 20%.

Uma delegação indiana visitará Washington em breve para avançar nas negociações.

  • Tarifa proposta: Abaixo de 20%, contra 26% iniciais.
  • Comércio bilateral: US$ 129 bilhões em 2024, com superávit indiano de US$ 45,7 bilhões.
  • Prazo: Acordo provisório até o outono de 2025.
  • Setores envolvidos: Agricultura, comércio eletrônico, minerais críticos, farmacêuticos.

Termos do acordo provisório

As negociações, conduzidas desde março, culminaram na finalização dos termos de referência em abril de 2025. O acordo provisório, que será formalizado por comunicado público, estabelece uma tarifa-base inferior a 20%, contra os 26% propostos inicialmente por Trump. A Índia ofereceu reduzir tarifas a zero em 60% das linhas de produtos e acesso preferencial a 90% das importações americanas, incluindo frutas, autopeças e equipamentos médicos.

O pacto permite continuar as tratativas, com foco em resolver barreiras não tarifárias, como regulamentações agrícolas e farmacêuticas. A Índia rejeita abrir seu mercado a culturas geneticamente modificadas, citando riscos aos agricultores, enquanto os EUA pressionam por maior acesso a produtos agrícolas e dados digitais.

A primeira fase do acordo abrange bens e serviços, com reuniões virtuais regulares entre as equipes de Nova Délhi e Washington. O Ministério do Comércio indiano mantém sigilo sobre detalhes, mas confirmou a meta de concluir a fase inicial até outubro.

Contexto das tarifas de Trump

A política tarifária de Trump, iniciada em abril de 2025, impôs taxas de 10% a 50% a mais de 180 países, com alíquotas específicas como 20% para Vietnã e Filipinas e 40% para Laos e Mianmar. A Índia, com tarifa inicial de 26%, busca condições melhores que o Vietnã, que aceitou 20% mas tenta reduzi-la. O Reino Unido, com tarifa de 10%, é outro parceiro com acordo firmado.

A suspensão das tarifas recíprocas, prorrogada até 1º de agosto, dá tempo para negociações. Trump anunciou que a tarifa mínima global é de 10%, mas países sem acordos enfrentam taxas de 15% a 20%. A Índia, que iniciou conversas em fevereiro após visita do premiê Narendra Modi, evita retaliações e foca em um pacto vantajoso.

Setores em negociação

O acordo abrange 19 categorias, incluindo agricultura, comércio eletrônico, armazenamento de dados e minerais críticos. A Índia ofereceu reduzir tarifas sobre cranberries, mirtilos, noz-pecã e abacates dos EUA, além de grãos destilados e alfafa para ração. Em contrapartida, busca isenções para mangas, uvas e romãs, além de restabelecer benefícios fiscais para 2 mil produtos, suspensos em 2019.

Questões sensíveis persistem. Os EUA exigem acesso a culturas geneticamente modificadas, enquanto a Índia resiste, priorizando seus 140 milhões de agricultores. Barreiras regulatórias no setor farmacêutico, como aprovações de genéricos, também travam as negociações. A indústria de joias, que exporta US$ 32 bilhões aos EUA, teme perdas com tarifas elevadas.

Comércio bilateral EUA-Índia

O comércio bilateral atingiu US$ 129 bilhões em 2024, com superávit de US$ 45,7 bilhões para a Índia. Os EUA são o maior parceiro comercial indiano, importando têxteis, joias e produtos farmacêuticos, enquanto exportam tecnologia, aviões e produtos agrícolas. A balança favorável à Índia motiva Trump a buscar maior abertura de mercado, especialmente em setores estratégicos.

A Índia propôs reduzir a diferença tarifária de 13% para menos de 4%, oferecendo acesso preferencial a 90% dos produtos americanos. A proposta, apresentada em maio, inclui zerar tarifas em 60% das linhas de importação, como autopeças e equipamentos médicos. A delegação de Piyush Goyal, prevista para visitar Washington em 16 de julho, detalhará essas concessões.

  • Comércio 2024: US$ 129 bilhões, com superávit indiano de US$ 45,7 bilhões.
  • Oferta da Índia: Tarifa zero em 60% das linhas, acesso a 90% dos produtos dos EUA.
  • Setores indianos: Têxteis, joias, farmacêuticos lideram exportações.
  • Visita: Delegação indiana em Washington a partir de 16 de julho.

Tensões com o BRICS

A participação da Índia no BRICS gerou atritos. Trump ameaçou tarifas adicionais, citando a aliança com China e Rússia, mas a Índia mantém uma postura conciliatória. Posts em redes sociais destacam que Nova Délhi prioriza o acordo com os EUA, distanciando-se do BRICS para evitar sanções comerciais. A Casa Branca vê a Índia como aliada estratégica no Indo-Pacífico, conforme declaração da secretária Karoline Leavitt.

A China criticou países que priorizam acordos com os EUA, mas a Índia não anunciou retaliações. A visita de Modi em fevereiro de 2025 reforçou a parceria estratégica, com foco em defesa e tecnologia.

Cúpula do Brics – Foto: Bet_Noire/istock

Negociações com outros países

Além da Índia, Vietnã e Reino Unido fecharam acordos com os EUA. O Vietnã aceitou tarifas de 20%, com acesso total aos seus mercados, mas busca reduzi-las. O Reino Unido mantém tarifas de 10%, com redução nas exportações de uísques e carne. Outros 15 países, como Japão e Coreia do Sul, negociam, mas enfrentam barreiras políticas, como a eleição sul-coreana em junho.

A China, com tarifas reduzidas de 145% para 30% por 90 dias, continua em tratativas, mas sem acordo definitivo. A União Europeia planeja tarifas retaliatórias, enquanto o Brasil enfrenta taxas de 50% sobre aço e alumínio, sem avanços em um pacto bilateral.

Implicações para o Brasil

O Brasil, notificado em 7 de julho de uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio, não avançou em negociações comerciais. O presidente Lula anunciou possível reciprocidade a partir de 1º de agosto, caso as taxas sejam mantidas. A tarifa afeta o setor siderúrgico, que exportou US$ 8 bilhões aos EUA em 2024. Especialistas destacam que o Brasil, com alíquota base de 10%, está menos pressionado que a Índia, mas a ausência de um acordo pode limitar exportações.

Papel da indústria indiana

A indústria de joias, que representa 15% das exportações indianas aos EUA, enfrenta riscos com tarifas elevadas. Reduzir taxas para menos de 20% aliviaria o setor, que emprega 5 milhões de trabalhadores. O setor farmacêutico, com exportações de US$ 25 bilhões, também busca isenções, enquanto a tecnologia da informação negocia acesso a dados digitais.

A Índia prioriza a proteção de seus 140 milhões de agricultores, resistindo às culturas geneticamente modificadas. A oferta de tarifas reduzidas em frutas e autopeças visa equilibrar a balança comercial.

Próximos passos das negociações

Uma delegação indiana, liderada por Piyush Goyal, visitará Washington em 16 de julho para avançar o acordo. Reuniões virtuais continuarão, com meta de assinar a primeira fase até outubro. O pacto final, mais amplo, abordará comércio de serviços, tecnologia e defesa.

O MDIC americano e o Ministério do Comércio indiano monitoram as tratativas, com supervisão da Casa Branca. A Índia espera evitar a carta formal de tarifas, mantendo o diálogo aberto. A Anfavea brasileira observa o acordo, mas o Brasil segue sem prazo para negociações próprias

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