Vinhos europeus chegam até 10% mais baratos ao Brasil com acordo Mercosul-UE

Vinho

Vinho - il21/ shutterstock.com

Vinhos europeus já começam a chegar com preços menores ao consumidor brasileiro. A redução tarifária prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor em maio e provoca os primeiros movimentos no mercado. Importadoras relatam maior interesse de produtores do Velho Continente.

O efeito deve se intensificar nos próximos meses com a substituição de estoques.

Tarifas caem de 27% para 24% desde maio

A alíquota de importação de vinhos europeus diminuiu para 24%. A previsão é de redução gradual até zerar o imposto em 2034. Executivos do setor preveem queda de preços ao consumidor de até 10% conforme os novos lotes chegarem às prateleiras.

O câmbio favorável também ajuda a baratear o produto. Importações de vinhos do continente europeu subiram 12% em valor entre janeiro e abril, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

  • Produtores europeus enfrentam retração em mercados como China e Estados Unidos
  • Brasil aparece como destino com potencial de crescimento
  • Concorrência deve aumentar com rótulos de Portugal, Itália, França e Espanha

Grupo Wine espera alta de 5% nas importações

Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine, uma das maiores empresas do segmento no país, confirma o aumento no interesse das vinícolas. A companhia reforçou contatos com fornecedores da Itália e da França.

Ele projeta crescimento de 5% nas importações de rótulos europeus neste ano. Os preços devem cair nos próximos meses com a renovação dos estoques. Se o câmbio se mantiver estável, reduções no varejo podem alcançar 10%.

Magno destaca que vinhos mais caros também ganham espaço. Eles sofrem menos impacto proporcional dos custos de frete. O fenômeno de premiumização, já visto em outros segmentos, tende a se fortalecer.

Portugueses ultrapassam argentinos nas importações

Dados do Mdic mostram que Portugal manteve posição à frente da Argentina entre os fornecedores este ano. Executivos esperam que a fatia dos importados, hoje em 35% do consumo nacional, cresça com o acordo.

Dentro dos importados, europeus representam 42,4% das garrafas. Chile e Argentina juntos respondem por mais da metade. A disputa deve se acirrar nos próximos anos.

Malu Sevieri, da ProWine São Paulo, observa demanda maior por parte dos importadores. Produtores europeus que antes não atendiam o Brasil agora buscam espaço. O entusiasmo aparece em conversas sobre participação em eventos e ampliação de portfólios.

Restaurantes ampliam pedidos de rótulos italianos e franceses

André Martins, diretor de expansão do Pobre Juan, rede com 23 unidades, prevê queda de preços entre 5% e 8%. A empresa vende cerca de 12 mil garrafas por mês e já conversa com importadoras para incluir mais opções da Itália, França e Espanha.

O movimento beneficia o consumidor com maior variedade a custo menor. Martins avalia que a rentabilidade das vendas também pode melhorar.

Produtores portugueses planejam novidades para o Brasil

Frederico Falcão, presidente do ViniPortugal, associações que reúne mais de 500 produtores, aposta em alta de até 10% nas vendas para o Brasil. O país tem consumo per capita abaixo de 3 litros por ano, bem menor que os 60 litros de Portugal.

José Luis Moreira da Silva, CEO do Esporão, confirma que o Brasil é o segundo maior mercado da empresa, atrás apenas de Portugal. A companhia avalia ampliar o portfólio com espumantes e vinhos de menor teor alcoólico.

Fernando Zamboni, da Winelands, projeta crescimento de cerca de 11% nas importações. Ele ressalta que produtores europeus são agressivos em preços e precisam escoar produção em um momento de desafios globais.

O Brasil surge como um dos poucos mercados onde o consumo de vinho ainda cresce.

Impacto deve se consolidar até o fim do ano

Os próximos três meses são decisivos para a percepção dos preços nas gôndolas. O fim do ano, período de maior volume de vendas, deve registrar o efeito mais claro da redução tarifária.

Especialistas do setor acompanham a evolução do câmbio e da situação internacional. Conflitos no Oriente Médio influenciam custos de frete e podem alterar o ritmo da queda.

O acordo abre caminho para maior presença de rótulos de regiões tradicionais como Bordeaux, Toscana, Douro e Alentejo. Consumidores brasileiros ganham opções diversificadas em um mercado que ainda tem espaço para expansão.

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