O velório de Preta Gil, realizado nesta sexta-feira (25), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atraiu milhares de fãs, amigos e familiares para uma última homenagem à cantora, que faleceu no último domingo (20) aos 50 anos, em Nova York, devido a complicações de um câncer colorretal. A cerimônia, aberta ao público das 9h às 13h, foi marcada por emoção e reverência à artista, conhecida por sua energia contagiante e legado no carnaval carioca. O corpo, repatriado dos Estados Unidos, seguiu em cortejo pelas ruas do centro do Rio, passando pelo Circuito Preta Gil, antes da cremação no Cemitério da Penitência. A despedida reflete a importância de Preta para a cultura brasileira.
A chegada do corpo ao Rio, na manhã de quinta-feira (24), mobilizou a família, que acompanhou o traslado desde o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, até o Santos Dumont. A escolha do Theatro Municipal atendeu a um desejo pessoal da cantora, que via o espaço como símbolo de sua trajetória.
- Momentos marcantes: Fãs formaram filas desde a madrugada para se despedir.
- Presenças ilustres: Artistas como Ivete Sangalo e Regina Casé estiveram no local.
- Cortejo simbólico: O trajeto passou pelas ruas onde Preta animava o carnaval.
Homenagem no Theatro Municipal
A cerimônia no Theatro Municipal começou às 9h30, com o foyer do teatro lotado de admiradores. Fãs de diferentes idades, muitos vestindo camisetas do Bloco da Preta, prestaram suas últimas homenagens. A decoração do espaço incluía fotos da carreira de Preta e arranjos florais enviados por amigos e colegas. A presença de figuras públicas, como a primeira-dama Janja da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforçou o impacto cultural da artista.
O velório foi organizado para permitir que o público tivesse acesso controlado, com filas organizadas pela prefeitura. A emoção era visível: muitos fãs choravam enquanto depositavam flores ou mensagens próximas ao caixão. A família, incluindo o filho Francisco Gil e a neta Sol de Maria, esteve presente, recebendo o carinho dos presentes.
Legado de Preta Gil na cultura carioca
Preta Gil deixou uma marca indelével no carnaval do Rio de Janeiro, especialmente com o Bloco da Preta, criado em 2010. O bloco, que chegou a reunir 760 mil foliões em 2018, tornou-se um dos maiores do carnaval carioca. A prefeitura do Rio decretou luto oficial de três dias, e a Avenida Presidente Antônio Carlos, parte do trajeto dos megablocos, foi batizada em sua homenagem.
- Bloco da Preta: Um dos maiores eventos do carnaval carioca, com milhares de foliões.
- Ativismo cultural: Preta defendia a diversidade e a inclusão em seus projetos.
- Carreira musical: Lançou cinco álbuns, com destaque para “Prêt-à Porter” (2003).
- Engajamento social: Combateu racismo, gordofobia e homofobia.
A trajetória de Preta também incluiu atuações na TV e no teatro, como no programa “Vai e Vem” e na novela “As Cariocas”. Sua luta pública contra o câncer, diagnosticado em 2023, inspirou muitos, especialmente por sua transparência ao compartilhar o tratamento.
O cortejo pelas ruas do Rio
Após o velório, o corpo de Preta Gil seguiu em cortejo fúnebre pelas ruas do centro, passando por vias como a Avenida Presidente Vargas e a Rua Primeiro de Março, parte do Circuito Preta Gil. O trajeto, feito em um carro do Corpo de Bombeiros, foi acompanhado por fãs e marcado por cânticos de suas músicas. A ausência de um trio elétrico, desejo expresso por Preta em uma entrevista antiga, foi notada, mas a família optou por uma cerimônia mais tradicional.
O cortejo terminou no Cemitério da Penitência, no Caju, onde uma cerimônia privada ocorreu das 15h às 17h. A cremação, outro desejo da artista, foi realizada em um momento reservado, com a presença de familiares e amigos próximos, como a atriz Carolina Dieckmann e o cantor Péricles.
Reações de amigos e fãs
A despedida de Preta Gil gerou uma onda de homenagens nas redes sociais. Artistas como Luciano Huck, que destacou a amizade de mais de 25 anos, e Zezé Motta, que elogiou sua coragem, compartilharam mensagens emocionadas. Fãs destacaram a autenticidade de Preta, lembrando sua luta por causas sociais e sua energia nos palcos.
- Luciano Huck: “Preta foi amiga com A maiúsculo, forte e luminosa.”
- Carolina Dieckmann: “Estar com ela nos últimos dias foi um presente.”
- Fãs nas redes: Milhares postaram fotos e trechos de músicas como “Sinais de Fogo”.
A apresentadora Fernanda Paes Leme, uma das melhores amigas de Preta, foi vista consolada por colegas durante o velório. A presença de nomes como Ludmilla e Xanddy reforçou o impacto da cantora no meio artístico.
A luta contra o câncer
Preta Gil enfrentou o câncer colorretal desde janeiro de 2023, com períodos de remissão e recaídas. Em agosto de 2024, a doença retornou de forma agressiva, atingindo linfonodos, o peritônio e o ureter. Nos Estados Unidos, ela buscava um tratamento experimental, acompanhada pela médica Roberta Saretta. Nos últimos dias, debilitada, Preta tentou retornar ao Brasil, mas faleceu em uma ambulância a caminho do hospital, em Nova York.
Sua transparência ao falar sobre a doença, incluindo o uso de uma bolsa de ileostomia, quebrou tabus e inspirou muitos. Em entrevistas, ela destacou a importância de desmistificar o câncer e manter a autoestima durante o tratamento.
Impacto na família Gil
A família Gil, uma das mais influentes na música brasileira, esteve no centro das homenagens. Gilberto Gil, pai de Preta, compartilhou uma nota emocionada sobre a perda da filha. Sandra Gadelha, mãe da cantora, e os irmãos, como Bela Gil, também estiveram presentes. Francisco Gil, seu único filho, publicou um relato tocante sobre a última noite ao lado da mãe, segurando sua mão.
- Gilberto Gil: “Um momento difícil para nossa família.”
- Francisco Gil: “Você dormia, e eu acompanhava cada respiração.”
- Bela Gil: “Minha maior perda, minha eterna inspiração.”
- Sol de Maria: A neta de Preta, de 9 anos, esteve no velório com a família.
A presença de Flora Gil, madrasta de Preta, e de outros parentes, como o sobrinho João Gil, reforçou a união familiar em meio ao luto.
Memória viva de Preta Gil
Preta Gil foi mais do que uma artista; ela era um símbolo de resistência e alegria. Sua luta contra preconceitos, como racismo e gordofobia, e seu apoio à comunidade LGBTQIA+ marcaram sua carreira. O Bloco da Preta, que transformou o carnaval carioca, continuará como parte de seu legado. A prefeitura do Rio planeja novas homenagens, como a manutenção do nome Circuito Preta Gil para as vias do centro.
A cerimônia no Theatro Municipal e o cortejo refletiram a conexão de Preta com o Rio de Janeiro, onde nasceu em 1974. Sua música, ativismo e carisma seguem vivos nas memórias de quem a acompanhou. A cremação, realizada conforme seu desejo, fechou um ciclo de uma vida dedicada à arte e à inclusão.
