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Em um ataque violento na tarde de 19 de agosto de 2025, Ernesto Barajas, vocalista e fundador da banda Enigma Norteño, foi assassinado em Zapopan, Jalisco. O crime ocorreu em uma pensão de automóveis na colônia Arenales Tapatíos, quando dois homens em uma motocicleta abriram fogo contra Barajas e dois acompanhantes. O cantor, conhecido por seus narcocorridos, morreu no local, assim como um de seus acompanhantes, enquanto uma mulher ficou ferida. A notícia chocou fãs e a comunidade do regional mexicano, reacendendo debates sobre a violência ligada a artistas do gênero. A polícia de Zapopan investiga o caso, mas nenhum suspeito foi detido até o momento. O ataque pode estar relacionado a ameaças anteriores recebidas por Barajas, incluindo uma narcomanta do Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG) em 2023.

A tragédia abalou o cenário musical mexicano, especialmente em Culiacán, Sinaloa, onde Barajas nasceu e fundou a Enigma Norteño em 2004. A banda, conhecida por sucessos como “Mayito Gordo” e “Los Lujos del R”, consolidou-se como referência no gênero dos narcocorridos, mas também enfrentou controvérsias devido à associação com o crime organizado. Informações preliminares sugerem que o ataque pode ter sido um ajuste de contas, possivelmente ligado a rivalidades entre cartéis.

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Ernesto Barajas nota
Ernesto Barajas nota – Foto: Instagram
  • Detalhes do ataque: Dois homens armados chegaram ao local em uma motocicleta e dispararam contra Barajas e seus acompanhantes.
  • Local do crime: Pensão de automóveis na colônia Arenales Tapatíos, em Zapopan.
  • Vítimas: Ernesto Barajas e um acompanhante morreram; uma mulher foi ferida com um tiro na perna.
  • Investigação: A Fiscalía do Estado de Jalisco abriu inquérito, mas não há pistas concretas sobre os responsáveis.

Trajetória de Ernesto Barajas no regional mexicano

Nascido em 16 de setembro de 1986, em Culiacán, Sinaloa, Ernesto Barajas fundou a Enigma Norteño aos 18 anos, assumindo papéis de vocalista, baixista, produtor e diretor. A banda, formada ao lado de Humberto Pérez, conquistou notoriedade com seu primeiro álbum independente, “El Jardinero”, lançado em 2004. Após a entrada de José Baldenegro e Freddy Hernández, a Enigma Norteño assinou com a Discos Sol e lançou “Infiel” em 2008, consolidando sua fama. Barajas se destacou por sua voz potente e pela habilidade de compor narcocorridos que narravam histórias de figuras do crime organizado, como “Chavo Félix” e “El Ondeado”.

A banda alcançou grande popularidade nos Estados Unidos, com suas músicas tocando em rádios e conquistando um público fiel. No entanto, o gênero dos narcocorridos frequentemente colocou Barajas sob escrutínio. Ele sempre negou vínculos diretos com organizações criminosas, mas admitiu em entrevistas que recebia encomendas para compor corridos personalizados, cobrando cerca de 421 mil pesos mexicanos por música. Essas composições eram aprovadas por intermediários antes da gravação.

  • Início da carreira: Fundou a Enigma Norteño em 2004, em Culiacán, com foco em narcocorridos.
  • Primeiro sucesso: Álbum “El Jardinero” marcou a estreia independente da banda.
  • Expansão nos EUA: Sucessos como “Mayito Gordo” alcançaram rádios americanas.
  • Controvérsias: Narcocorridos geraram críticas e ameaças de grupos criminosos.

Ameaças anteriores e rivalidades de cartéis

Em 2023, Barajas foi alvo de uma narcomanta assinada pelo CJNG, que o acusava de ser protegido pelos irmãos Alfonso Arzate García, conhecido como “El Aquiles”, e René Arzate García, apelidado de “La Rana”. Ambos são apontados como operadores do Cártel de Sinaloa, envolvidos no tráfico de fentanilo em Tijuana. A mensagem, exibida em Baja California, proibia Barajas de se apresentar na Feria de Rosarito, alertando que ele não deveria “cantar corridos de sua bandeira”. O cantor cancelou o show por recomendação das autoridades, mantendo silêncio sobre as acusações.

A narcomanta de 2023 não foi um incidente isolado. Em 2017, outra ameaça semelhante em Tijuana advertiu artistas do gênero a evitarem certos corridos. Essas pressões refletem a disputa territorial entre o CJNG e o Cártel de Sinaloa, que intensificou a violência em regiões como Baja California e Jalisco. Informações sugerem que Barajas, temendo represálias, mudou-se de Culiacán para Guadalajara, onde ocorreu o ataque fatal.

  • Narcomanta de 2023: CJNG ameaçou Barajas, citando suposta proteção de “El Aquiles” e “La Rana”.
  • Cancelamento de show: Apresentação na Feria de Rosarito foi suspensa por segurança.
  • Mudança de cidade: Barajas deixou Culiacán após ameaças, buscando refúgio em Guadalajara.
  • Rivalidade de cartéis: CJNG e Cártel de Sinaloa disputam controle de territórios estratégicos.

Impacto no cenário musical e reações

A morte de Barajas gerou comoção entre fãs e artistas do regional mexicano. Em redes sociais, tributos destacaram sua contribuição à música e sua proximidade com o público. O cantor mantinha um podcast chamado “Puntos de Vista”, onde entrevistava nomes como Tano Elizalde e Eduin Caz, aproximando o gênero de seus fãs. Sua presença digital, com postagens sobre família, carros de luxo e o amor pelo clube Chivas, o tornava uma figura carismática.

A violência contra artistas do regional mexicano não é novidade. Nomes como Valentín Elizalde e Sergio Gómez, da K-Paz de la Sierra, também foram vítimas de ataques ligados ao crime organizado. A tragédia reacende o debate sobre os riscos enfrentados por cantores de narcocorridos, que muitas vezes se veem pressionados por cartéis rivais.

  • Homenagens: Fãs e artistas lamentaram a perda nas redes sociais, exaltando o legado de Barajas.
  • Podcast “Puntos de Vista”: Espaço onde entrevistava figuras do regional mexicano.
  • Riscos do gênero: Narcocorridos frequentemente atraem ameaças de grupos criminosos.
  • Precedentes: Assassinatos de outros cantores, como Valentín Elizalde, marcam o gênero.

Investigação em andamento e contexto de violência

A Fiscalía de Jalisco conduz as investigações, mas a falta de pistas sobre os responsáveis mantém o caso envolto em mistério. O ataque, ocorrido em uma área residencial de Zapopan, reforça a percepção de insegurança em Jalisco, um estado marcado pela presença do CJNG. Dados recentes apontam que a violência relacionada a cartéis cresceu na região, com 1.200 homicídios registrados em Jalisco em 2024, segundo fontes estaduais.

A conexão entre narcocorridos e o crime organizado permanece um tema sensível. Embora Barajas negasse envolvimento direto com cartéis, suas músicas frequentemente exaltavam figuras do Cártel de Sinaloa, como “Los Chapitos” e “El Chino Ántrax”. Essa associação, mesmo que artística, pode ter contribuído para as tensões que culminaram em sua morte.

  • Investigação: Fiscalía de Jalisco busca pistas, mas não há suspeitos identificados.
  • Violência em Jalisco: Estado registrou alta de homicídios ligados a cartéis em 2024.
  • Narcocorridos: Letras que exaltam criminosos colocam artistas em risco.
  • Contexto local: Zapopan é palco de disputas entre CJNG e Cártel de Sinaloa.

Legado de Ernesto Barajas

Ernesto Barajas deixa um vazio no regional mexicano, mas seu trabalho com a Enigma Norteño continua a ecoar. A banda, que completou 20 anos em 2024, planejava turnês nos Estados Unidos, mas enfrentava dificuldades com vistos de trabalho. A morte de Barajas levanta questões sobre o futuro do grupo, que perdeu sua principal referência criativa e carismática.

Além da música, Barajas era conhecido por sua vida pessoal discreta, mas pública em redes sociais, onde compartilhava momentos com a esposa, Alexis Sillas, e seus dois filhos. Sua paixão pelo futebol e sua dedicação à família o tornavam uma figura próxima dos fãs, que agora lamentam sua partida.

  • Carreira de 20 anos: Enigma Norteño completou duas décadas em 2024.
  • Dificuldades recentes: Banda enfrentava problemas com vistos para shows nos EUA.
  • Vida pessoal: Barajas era casado e pai de dois filhos, ativo nas redes sociais.
  • Futuro incerto: Morte do vocalista deixa dúvidas sobre continuidade da Enigma Norteño.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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