Protestos na França contra custo de vida reúnem 320 mil e têm bombas de gás em ParisPor Luís Henrique Costa
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Forças policiais da França dispersaram com gás lacrimogêneo pequenos grupos de manifestantes em Paris e em cidades do interior durante protestos que reuniram 320 mil pessoas neste sábado (31). A mobilização nacional contra a carestia e o aumento dos combustíveis terminou com choques na capital, além de tumultos pontuais registrados em Lyon e Toulouse.
Tropas de choque bloquearam vias estratégicas para conter manifestantes radicais que tentaram avançar contra o patrimônio público e instalações comerciais. A estimativa oficial do Ministério do Interior francês apontou 70 mil manifestantes somente nas avenidas da zona leste de Paris. O contingente nacional mostrou desaceleração frente aos 410 mil participantes do sábado anterior e aos 550 mil contabilizados no dia 17 de outubro de 2026.
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Tropas de choque usam gás lacrimogêneo em Paris e Lyon
Agentes da polícia de choque montaram barreiras de contenção para impedir atos de vandalismo em áreas comerciais centrais da capital francesa. A Justiça administrativa de Paris manteve a proibição do trajeto tradicional entre as praças da Nação e da Bastilha após recurso sindical rejeitado.
Ordens do ministro do Interior, Laurent Nunez, reforçaram o monitoramento preventivo contra pessoas mascaradas em estações de trem e vias rodoviárias. Ações de contenção também ocorreram em Marselha e Bordeaux para evitar a repetição dos saques verificados há duas semanas.
Lojas de departamento e grifes internacionais operaram protegidas por tapumes de madeira e estruturas de metal em avenidas tradicionais. O temor de saques levou a Embaixada dos Estados Unidos a emitir avisos para que estrangeiros evitem zonas de aglomeração nas cidades francesas.
Estudantes e sindicatos ampliam insatisfação contra carestia
Estudantes secundaristas e universitários deram início à onda de queixas em setembro durante debates sobre o sistema de admissão do ensino superior e superlotação de salas. O movimento ganhou reforço de sindicatos e de integrantes dos Coletes Amarelos, grupo que desde 2018 contesta os preços de combustíveis.
“Quando eu era pequeno, me diziam que os jovens eram o futuro”, afirmou o estudante Aaron Berthier de Grandry, de 15 anos. O jovem declarou durante o ato em Paris que a falta de recursos compromete a sustentabilidade do país nas próximas décadas.
Representantes de entidades de trabalhadores questionam a distribuição de recursos públicos e apontam perda rápida do poder de compra das famílias trabalhadoras. A insatisfação de rua se propagou de maneira descentralizada e inspirou manifestações correlatas organizadas por jovens da mesma faixa etária em cidades da Alemanha e da Itália.
Prejuízo bilhão de euros e pressão sobre governo Macron
A paralisação parcial de atividades e os atos de violência provocaram prejuízos calculados em mais de 1 bilhão de euros no comércio varejista. Estimativas complementares indicam perdas até duas vezes superiores quando somados os custos não cobertos por apólices de seguro e receitas não recolhidas no período.
O endividamento público da França alcançou patamar próximo a 120% do Produto Interno Bruto e restringiu concessões financeiras da administração federal. Na sexta-feira (30), a agência de classificação de risco Fitch reduziu a perspectiva da nota de crédito francesa de estável para negativa.
A retração da atividade produtiva no terceiro trimestre reduziu a margem fiscal para atendimento de pautas estudantis e sindicais no orçamento governamental. Dirigentes políticos da oposição utilizam as manifestações públicas para elevar a polarização antes das próximas etapas eleitorais no país. O Ministério do Interior da França segue com operações de patrulhamento ativas para consolidar o relatório de detenções da jornada.















