A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 46%, enquanto a desaprovação recuou para 51%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 20 de agosto de 2025, em São Paulo. Realizado entre 13 e 17 de agosto, o levantamento entrevistou 12.150 pessoas em todo o Brasil, com margem de erro de dois pontos percentuais. A diferença entre aprovação e desaprovação, que já foi de 17 pontos em maio, agora é de apenas cinco, marcando a menor distância desde janeiro de 2025. Fatores como a percepção de queda na inflação de alimentos e a resposta firme de Lula ao tarifaço imposto por Donald Trump explicam a recuperação. A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, reflete um cenário de leve melhora na popularidade do governo, especialmente entre grupos como os mais pobres, católicos e moradores do Nordeste.
O levantamento destaca mudanças significativas em segmentos específicos. A aprovação cresceu entre beneficiários do Bolsa Família, pessoas com ensino fundamental e idosos acima de 60 anos. A postura de Lula diante das tarifas americanas, vistas como politicamente motivadas por 51% dos entrevistados, também contribuiu para a melhora. No entanto, a desaprovação ainda prevalece em regiões como Sul e Sudeste, além de grupos com maior escolaridade e renda.
- Principais destaques da pesquisa:
- Aprovação subiu de 43% para 46% desde julho.
- Desaprovação caiu de 53% para 51%.
- Diferença entre aprovação e desaprovação é a menor desde janeiro.
- 64% acreditam que o tarifaço de Trump elevará preços de alimentos.
Reação ao tarifaço de Trump impulsiona aprovação
A postura firme do governo Lula diante das tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros, iniciadas em 6 de agosto, foi um dos fatores que alavancaram a aprovação. Segundo a Quaest, 51% dos brasileiros veem a medida como motivada por interesses políticos de Trump, enquanto 23% atribuem a decisão a questões comerciais. A pesquisa também revelou que 71% consideram errado associar as tarifas a uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro, e 77% acreditam que a medida prejudicará suas vidas. A resposta de Lula, com ênfase na defesa dos interesses nacionais, foi bem recebida, especialmente no Nordeste, onde a aprovação subiu sete pontos, atingindo 60%.
O governo optou por uma estratégia de negociação, apoiada por 67% dos entrevistados, contra apenas 26% que defendem retaliação aos EUA. Essa abordagem, combinada com a percepção de queda nos preços dos alimentos, aliviou a pressão sobre o custo de vida, um fator crítico para a popularidade de qualquer gestão. Entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação saltou de 50% para 60%, enquanto a desaprovação caiu de 45% para 37%, indicando que políticas sociais continuam sendo um pilar de apoio ao governo.
Nordeste lidera aprovação, enquanto Sul mantém rejeição
A pesquisa Quaest detalhou a avaliação do governo por região, destacando contrastes significativos. No Nordeste, a aprovação alcançou 60%, um aumento de sete pontos em relação a julho, enquanto a desaprovação caiu para 37%. A margem de erro no recorte é de quatro pontos, consolidando a região como o principal reduto de apoio a Lula. No Centro-Oeste e Norte, a aprovação subiu para 44%, com desaprovação em 53%, configurando um empate técnico.
No Sudeste, a desaprovação ainda supera a aprovação, com 55% contra 42%, mas a diferença caiu de 32 pontos em março para 13 em agosto. Em São Paulo, a aprovação subiu de 29% para 34%, enquanto a desaprovação caiu de 69% para 65%. Já no Sul, a desaprovação se manteve em 61%, com a aprovação oscilando para 38%. Esses números refletem desafios persistentes em regiões economicamente influentes, onde a percepção negativa ainda predomina.
- Dados regionais:
- Nordeste: 60% de aprovação, 37% de desaprovação.
- Sudeste: 42% de aprovação, 55% de desaprovação.
- Sul: 38% de aprovação, 61% de desaprovação.
- Centro-Oeste/Norte: 44% de aprovação, 53% de desaprovação.
Gênero e faixa etária mostram tendências distintas
A avaliação do governo varia entre gêneros e idades. Entre as mulheres, há empate técnico, com 48% de aprovação e 49% de desaprovação. Entre os homens, a desaprovação caiu de 20 pontos de diferença em maio para nove pontos, com 54% desaprovando e 45% aprovando. A margem de erro nesses recortes é de três pontos, sugerindo maior equilíbrio.
Por faixa etária, idosos acima de 60 anos voltaram a aprovar mais que desaprovar, com 55% de aprovação contra 42% de desaprovação, uma diferença de 13 pontos. Entre 35 e 59 anos, há empate técnico, com 52% de desaprovação e 46% de aprovação. Jovens de 16 a 34 anos mantêm maior rejeição, com 54% desaprovando e 43% aprovando, embora a desaprovação tenha caído quatro pontos desde março.
Escolaridade e renda impactam percepção
A escolaridade influencia diretamente a avaliação do governo. Entre pessoas com ensino fundamental, a aprovação subiu para 56%, contra 40% de desaprovação, uma diferença de 16 pontos. Já entre aqueles com ensino superior, a desaprovação predomina, com 56% contra 42% de aprovação. No grupo com ensino médio, a desaprovação caiu de 62% para 57%, mas ainda supera a aprovação, que subiu para 41%.
A renda familiar também revela divisões. Entre os mais pobres, com renda até dois salários mínimos, a aprovação subiu para 55%, superando a desaprovação (40%) por 15 pontos. Entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos, a desaprovação é de 54%, contra 44% de aprovação. Famílias com renda acima de cinco salários mínimos mantêm alta desaprovação (60%), com 39% de aprovação.
- Indicadores por renda:
- Até 2 salários mínimos: 55% de aprovação, 40% de desaprovação.
- 2 a 5 salários mínimos: 44% de aprovação, 54% de desaprovação.
- Acima de 5 salários mínimos: 39% de aprovação, 60% de desaprovação.
Religião e Bolsa Família reforçam base de apoio
Entre os católicos, a aprovação voltou a ser majoritária, com 54% contra 44% de desaprovação, superando o empate técnico de julho. Já entre evangélicos, a desaprovação caiu de 69% para 65%, mas ainda é significativa, contra 31% de aprovação. A margem de erro nesses recortes é de três a quatro pontos, indicando maior estabilidade entre católicos.
Os beneficiários do Bolsa Família são um dos grupos mais favoráveis ao governo, com 60% de aprovação e 37% de desaprovação, uma vantagem de 23 pontos. Entre não beneficiários, a desaprovação é de 54%, contra 43% de aprovação. Esses números reforçam a importância de programas sociais para a base de apoio de Lula.
Avaliação geral e desafios à frente
A avaliação geral do governo também registrou oscilações. A percepção positiva subiu de 28% para 31%, enquanto a negativa caiu de 40% para 39%. A classificação como regular se manteve em 27%. Esses números sugerem uma estabilização na percepção do governo, mas a desaprovação ainda supera a aprovação na média nacional.
A pesquisa destaca que a queda na percepção de aumento nos preços dos alimentos, aliada à postura de Lula contra o tarifaço, criou um ambiente mais favorável. No entanto, desafios persistem em regiões como o Sul e entre grupos com maior escolaridade e renda, onde a rejeição permanece elevada. A capacidade do governo de manter a inflação controlada e negociar soluções para o tarifaço será crucial para consolidar a recuperação.
- Avaliação geral do governo:
- Positivo: 31% (era 28%).
- Negativo: 39% (era 40%).
- Regular: 27% (era 28%).
- Não sabe/não respondeu: 3% (era 4%).

