A economia dos Estados Unidos registrou um crescimento robusto de 3,3% no segundo trimestre de 2025, superando as expectativas iniciais de 3% e as projeções de analistas, que estimavam 3,1%. Divulgado pelo Departamento do Comércio em 28 de agosto, o resultado reflete a força do consumo interno e a recuperação após uma contração de 0,5% no primeiro trimestre. A alta foi impulsionada por um aumento de 1,6% nos gastos dos consumidores e uma queda significativa nas importações, que caíram 29,8% devido às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. O desempenho econômico, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) anualizado, indica resiliência frente às incertezas comerciais globais. O cenário reforça a confiança de empresas e consumidores, apesar dos desafios inflacionários e das políticas monetárias do Federal Reserve.
O crescimento econômico foi mais forte do que o inicialmente previsto, destacando a capacidade de adaptação da maior economia do mundo. A revisão para cima do PIB, anunciada na segunda leitura, reflete ajustes nos dados de consumo e investimentos empresariais.
- Fatores principais do crescimento:
- Aumento de 1,6% nos gastos dos consumidores, acima da estimativa inicial de 1,4%.
- Queda de 29,8% nas importações, influenciada por tarifas protecionistas.
- Exportações caíram 1,3%, mas impactaram menos negativamente que o estimado (-1,8%).
- Vendas finais para compradores domésticos subiram 1,9%, contra 1,2% da leitura inicial.
Desempenho do consumo impulsiona economia
O consumo foi o principal motor do crescimento no segundo trimestre, com os americanos mantendo gastos elevados em serviços como saúde, alimentação e hospedagem. O aumento de 1,6% nos gastos pessoais superou as previsões iniciais, indicando confiança mesmo em meio às incertezas geradas pelas tarifas comerciais. Setores como varejo e serviços financeiros registraram alta demanda, enquanto bens duráveis, como veículos, também contribuíram para o resultado. A força do consumo reflete um mercado de trabalho resiliente, com 229 mil pedidos de seguro-desemprego na semana anterior à divulgação, ligeiramente acima do esperado, mas ainda em níveis saudáveis.
A queda nas importações, que reduzem o PIB no cálculo, foi um fator decisivo. Empresas americanas, antecipando tarifas mais altas anunciadas por Trump, reduziram a compra de produtos estrangeiros, especialmente bens não duráveis, como farmacêuticos. Essa dinâmica, embora benéfica para o PIB, mascara uma economia menos robusta do que o número sugere, já que o crescimento foi inflado por fatores transitórios.
Impacto das tarifas comerciais no PIB
As políticas comerciais protecionistas de Donald Trump, marcadas por tarifas elevadas e oscilações no comércio internacional, influenciaram diretamente o desempenho econômico. No primeiro trimestre, o aumento das importações antes das tarifas contraiu o PIB em 0,5%, o primeiro recuo em três anos. Já no segundo trimestre, a redução de 29,8% nas importações impulsionou o crescimento, adicionando quase 5 pontos percentuais ao PIB.
- Efeitos das tarifas no comércio:
- Importações de bens não duráveis, como medicamentos, caíram significativamente.
- Exportações de veículos e peças automotivas registraram queda de 1,3%.
- O déficit comercial de mercadorias diminuiu para o menor nível em quase dois anos.
- Empresas estocaram produtos no 1º trimestre, antecipando custos maiores.
Apesar do impacto positivo no PIB, economistas alertam que as tarifas elevam custos para empresas, especialmente varejistas e fabricantes, o que pode limitar lucros futuros. A volatilidade no comércio, agravada por ameaças e recuos nas políticas tarifárias, dificulta análises precisas sobre a saúde econômica.
Força das vendas domésticas e investimentos
As vendas finais para compradores domésticos privados, um indicador-chave monitorado pelo Federal Reserve, cresceram 1,9% no segundo trimestre, acima da estimativa inicial de 1,2%. Esse número reflete a demanda interna sólida, com destaque para investimentos empresariais em equipamentos. O setor corporativo também registrou recuperação, com lucros aumentando US$ 65,5 bilhões, após uma queda de US$ 90,6 bilhões no primeiro trimestre.
O crescimento nos investimentos foi impulsionado por setores como tecnologia e manufatura, que se adaptaram às condições comerciais adversas. A confiança empresarial, embora abalada pela incerteza tarifária, permaneceu elevada, sustentada por um mercado consumidor robusto.
Inflação e política monetária em foco
Os indicadores de inflação mostraram estabilidade, com o índice de preços de gastos com consumo (PCE) subindo 2%, alinhado à meta do Federal Reserve. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 2,5%, inalterado em relação à estimativa inicial. Esses números sugerem que as pressões inflacionárias estão controladas, mas o Fed mantém cautela.
- Indicadores de inflação:
- Índice PCE caiu de 3,4% no 1º trimestre para 2% no 2º trimestre.
- Núcleo do PCE estabilizou em 2,5%, abaixo dos 3,2% do trimestre anterior.
- Federal Reserve mantém juros entre 4,25% e 4,5% até setembro.
A próxima reunião do Fed, marcada para 16 e 17 de setembro, será crucial para definir a trajetória dos juros. Analistas preveem possível corte nas taxas, influenciado pela desaceleração da inflação e pela força do consumo.
Cenário econômico para o segundo semestre
A economia americana mostra sinais de crescimento moderado, com projeções indicando uma expansão de 2,2% no terceiro trimestre, segundo o indicador GDPNow do Fed de Atlanta. A resiliência do consumo e a recuperação dos lucros corporativos sustentam o otimismo, mas desafios persistem.
- Perspectivas para o 2º semestre:
- Crescimento esperado de 1,5% a 2% por trimestre, segundo economistas.
- Tarifas podem elevar preços ao consumidor, reduzindo o poder de compra.
- Mercado de trabalho segue forte, com pedidos de seguro-desemprego estáveis.
- Investimentos em tecnologia e infraestrutura devem manter a economia aquecida.
O desempenho do segundo trimestre reforça a capacidade da economia dos EUA de se adaptar a choques externos, mas a sustentabilidade do crescimento dependerá da evolução das políticas comerciais e monetárias.
Recuperação após primeiro trimestre fraco
A contração de 0,5% no primeiro trimestre, causada pelo aumento das importações antes das tarifas, contrastou com a recuperação robusta do segundo trimestre. O crescimento de 3,3% reflete uma reversão significativa, mas analistas destacam que oscilações no comércio distorcem a leitura real da economia. A medida de vendas finais, que exclui comércio e estoques, oferece uma visão mais clara, apontando para um crescimento subjacente de 1,9%.
Empresas e consumidores demonstraram resiliência, mas a incerteza tarifária pode limitar o ímpeto econômico. A redução do déficit comercial em junho, para o menor nível em dois anos, também contribuiu para o resultado positivo.

