EUA propõem tarifa adicional de 12,5% a 60 países por trabalho forçado; China nega uso

Trump e Xi Jinping - Kenny Holston-Pool/Getty Images

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A China expressou oposição a tarifas “unilaterais” e negou categoricamente as acusações de uso de trabalho forçado. A manifestação ocorre após os Estados Unidos proporem novas sobretaxas sobre importações de aproximadamente 60 economias globais, incluindo o Brasil. A tensão comercial se intensifica com a iniciativa americana, que pode impactar diversas cadeias de suprimentos.

A proposta dos EUA surgiu de uma investigação que concluiu que esses países falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas sob condições de trabalho forçado. Como medida retaliatória, o governo americano sugeriu a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos oriundos dessas nações. A decisão busca coibir práticas consideradas desleais e proteger trabalhadores.

Rejeição chinesa e críticas às medidas americanas

Nesta quarta-feira, a China rejeitou as alegações e afirmou não haver fundamento para as acusações formuladas por Washington. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, durante uma coletiva de imprensa. A postura chinesa reforça o distanciamento entre as duas maiores economias mundiais em questões comerciais e de direitos humanos.

A medida americana posiciona a China entre as economias potencialmente afetadas, integrando uma estratégia mais ampla de endurecimento comercial. Esta tática baseia-se em critérios relacionados a direitos trabalhistas e práticas da cadeia de suprimentos. Pequim tem sido frequentemente alvo de críticas por parte de nações ocidentais em relação a práticas de trabalho e questões de direitos humanos.

Proposta de tarifa de 12,5% afeta 60 nações, incluindo Brasil

A investigação conduzida pelos EUA concluiu que 60 países, entre eles o Brasil, não possuem mecanismos eficazes para proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Em resposta a essa constatação, a Casa Branca propôs a imposição de tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos desses países. Essa ação visa criar um incentivo para que as nações aprimorem suas regulamentações.

A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e fundamenta-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa mesma seção foi utilizada anteriormente para justificar uma proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros, levantando preocupações sobre a possibilidade de tarifas cumulativas. O Brasil, assim como China, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul, foi incluído no grupo que pode ser impactado pela sobretaxa.

O relatório do USTR argumenta que a falha desses países em coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado gera concorrência desleal para empresas e trabalhadores americanos. Além disso, a falha contribui para a perpetuação do trabalho escravo moderno nas cadeias globais de produção, uma preocupação crescente em nível internacional.

Detalhes da proposta de sobretaxa americana:

  • Países afetados: 60 economias, incluindo Brasil, China, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul.
  • Motivo: Falha em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
  • Tarifa proposta: Adicional de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
  • Base legal: Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
  • Próximos passos: Governo americano receberá contribuições públicas até 6 de julho e realizará audiências em 7 de julho antes da decisão final.

Reações internacionais e impacto nos mercados asiáticos

Além da China, outros países reagiram à iniciativa americana. O governo do Reino Unido afirmou estar em diálogo constante com Washington. O país tem adotado medidas para combater o trabalho forçado em cadeias de produção domésticas e globais, enfatizando que mantém negociações com os EUA sobre o tema para evitar maiores atritos.

Os mercados asiáticos apresentaram uma reação mista diante do cenário de maior tensão comercial. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou queda de 1,6%, refletindo a cautela dos investidores. Em contraste, as bolsas da China continental fecharam em leve alta, com o CSI300 avançando 0,5% e o índice de Xangai subindo 0,2%, demonstrando resiliência interna.

O setor de semicondutores, especificamente, liderou ganhos nas bolsas chinesas. Este desempenho foi impulsionado por expectativas positivas relacionadas à crescente demanda por inteligência artificial. A tecnologia continua sendo um motor de crescimento, mesmo em meio a incertezas comerciais mais amplas que afetam outros segmentos da economia.

Crescimento do setor de serviços chinês em meio à tensão

Em meio às crescentes preocupações comerciais, dados econômicos recentes mostraram um lado positivo para a economia chinesa. A atividade do setor de serviços do país cresceu no ritmo mais forte em três meses em maio, superando as expectativas do mercado. Esse avanço foi impulsionado por um aumento robusto em novos negócios e uma melhora significativa na demanda externa por serviços.

Analistas do Goldman Sachs mantiveram uma visão positiva sobre as ações chinesas A-share. Eles citaram a melhora nas perspectivas de crescimento econômico e a forte exposição do setor de tecnologia como fatores chave para o otimismo. Essa perspectiva sugere que, apesar dos desafios comerciais, algumas áreas da economia chinesa demonstram força e potencial de expansão, contribuindo para a estabilidade do mercado local.

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