‘Xixi de Coca-Cola’: Hipervitaminose grave leva paciente à falência de órgãos após soro vitamínicoPor Luís Henrique Costa
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Uma empresária de Vitória da Conquista, na Bahia, enfrentou uma batalha pela vida após 28 dias em coma, com falência de rins e fígado, causada por intoxicação grave devido a sessões de soroterapia com vitaminas. Perinalva Dias Paiva, de 53 anos, buscou o procedimento em uma clínica médica para tratar cansaço e indisposição, mas o excesso de vitamina D no soro levou a uma condição rara chamada hipervitaminose, que comprometeu órgãos vitais. O caso, ocorrido em agosto de 2025, ganhou destaque após ser relatado pelo Fantástico, da TV Globo, no dia 1º de setembro. A empresária relatou urina com coloração de Coca-Cola, náuseas e fraqueza extrema antes de desmaiar em casa, sendo socorrida pelo Samu. Especialistas alertam que o uso indiscriminado de soroterapia, prática que cresce no Brasil, pode causar danos irreversíveis, incluindo intoxicação cerebral e formação de cálculos renais.
O drama de Perinalva começou com sintomas que pareciam comuns, mas evoluíram rapidamente. Após a aplicação do soro, ela notou mudanças alarmantes no corpo, como febre persistente e dificuldades motoras. A filha, Polliana Pitombo, relatou que a mãe começou a urinar sangue, um sinal de que o organismo estava em colapso. No hospital, médicos confirmaram que apenas o coração da empresária ainda funcionava, enquanto outros órgãos vitais estavam gravemente comprometidos.
- Sintomas observados: Urina escura, sangramento, náuseas, febre e fraqueza extrema.
- Diagnóstico inicial: Intoxicação por excesso de vitamina D, levando à hipervitaminose.
- Tratamento: Internação prolongada com acompanhamento de nefrologistas e endocrinologistas.
- Riscos da soroterapia: Possível formação de pedras nos rins e danos a órgãos como fígado e coração.
A gravidade do caso de Perinalva expôs os perigos de procedimentos estéticos e de bem-estar que prometem benefícios rápidos, mas carecem de rigor científico. A soroterapia, amplamente divulgada como “soro da imunidade”, tem atraído cada vez mais adeptos no Brasil, mas sem regulamentação clara.
Riscos da hipervitaminose e o excesso de vitamina D
A hipervitaminose, condição diagnosticada em Perinalva, ocorre quando o corpo acumula vitaminas em níveis tóxicos, especialmente a vitamina D, que é lipossolúvel e se armazena no organismo. Segundo Raymundo Paraná, gastro-hepatologista da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o excesso de vitamina D aumenta a absorção de cálcio, que pode se depositar em órgãos vitais, como rins, coração e cérebro. No caso da empresária, a sobrecarga de cálcio causou nefrocalcinose, uma doença grave que compromete a função renal.
Os médicos explicam que a vitamina D, quando consumida em doses inadequadas, pode formar cálculos renais e levar a intoxicações silenciosas. Em situações extremas, como a de Perinalva, o acúmulo de cálcio nos tecidos resulta em falência múltipla de órgãos. A empresária precisou de uma equipe multidisciplinar, incluindo nefrologistas e hematologistas, para estabilizar seu quadro após quase um mês em coma.
- Efeitos do excesso de cálcio: Formação de pedras nos rins e depósitos em órgãos vitais.
- Órgãos afetados: Rins, fígado, coração e sistema nervoso central.
- Consequências graves: Intoxicação cerebral e risco de morte.
A falta de regulação na aplicação de soroterapia agrava o problema, já que clínicas oferecem o procedimento sem avaliar a real necessidade dos pacientes. O caso reacendeu o debate sobre a segurança de terapias injetáveis.
Popularização da soroterapia no Brasil
A soroterapia, também conhecida como “soro da imunidade” ou “soro de vitaminas”, ganhou popularidade no Brasil como uma solução rápida para cansaço, estresse e até estética. Clínicas de bem-estar e estética promovem o procedimento, que consiste na administração intravenosa de vitaminas, minerais e outros compostos, prometendo benefícios como aumento de energia e fortalecimento do sistema imunológico. No entanto, especialistas alertam que a prática, quando mal indicada, pode ser perigosa.
O mercado de vitaminas no Brasil movimenta bilhões de reais anualmente, impulsionado pela busca por soluções rápidas para a saúde. Segundo dados de portais especializados, como o UOL, a procura por soroterapia cresceu 30% nos últimos cinco anos, especialmente em grandes centros urbanos. Apesar da popularidade, a falta de estudos científicos robustos sobre a eficácia e segurança do procedimento preocupa a comunidade médica.
- Motivos da popularidade: Promessa de resultados rápidos e marketing agressivo.
- Público-alvo: Jovens adultos e pessoas em busca de bem-estar ou estética.
- Falta de regulação: Clínicas aplicam sem prescrição médica adequada.
- Riscos associados: Intoxicação, infecções e reações adversas.
A ausência de uma fiscalização rigorosa permite que clínicas ofereçam soroterapia sem avaliar históricos médicos, aumentando o risco de complicações. O caso de Perinalva serve como alerta para a necessidade de maior controle sobre essas práticas.
Alertas médicos sobre o uso indiscriminado de vitaminas
Médicos como Drauzio Varella reforçam que vitaminas, quando bem indicadas, devem ser consumidas preferencialmente por via oral, exceto em casos de problemas digestivos que dificultem a absorção. A administração intravenosa, como na soroterapia, eleva o risco de toxicidade, já que as doses aplicadas diretamente na corrente sanguínea podem exceder rapidamente os limites seguros.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) alerta que a vitamina D, embora essencial para a saúde óssea e imunológica, é uma das mais perigosas quando em excesso. Doses elevadas podem causar arritmias cardíacas, insuficiência renal e até danos neurológicos. No caso de Perinalva, a intoxicação foi tão severa que comprometeu o funcionamento de múltiplos órgãos, deixando sequelas que ainda estão sendo avaliadas.
- Recomendações médicas: Consumir vitaminas sob orientação profissional.
- Formas seguras de ingestão: Alimentos naturais ou suplementos orais.
- Riscos da administração intravenosa: Toxicidade e reações imprevisíveis.
- Sinais de alerta: Náuseas, fraqueza, urina escura e febre persistente.
Os especialistas recomendam que pacientes busquem avaliações médicas completas antes de iniciar qualquer tratamento com vitaminas, especialmente os injetáveis. A automedicação e a confiança em promessas de clínicas sem credenciais podem levar a consequências graves.
Impacto do caso na conscientização pública
O caso de Perinalva Dias Paiva gerou grande repercussão após ser exibido no Fantástico, levando a debates sobre a segurança de procedimentos estéticos e de bem-estar. Nas redes sociais, relatos de pessoas que passaram por experiências semelhantes começaram a surgir, destacando a necessidade de maior informação sobre os riscos da soroterapia. Portais como G1 e CNN Brasil publicaram matérias reforçando os alertas médicos, enquanto a população cobra mais fiscalização sobre clínicas que oferecem esses serviços.
A empresária, que sobreviveu ao coma, agora compartilha sua história para alertar outros pacientes. “Eu achava que estava fazendo algo bom para minha saúde, mas quase perdi a vida”, relatou ao Fantástico. Sua recuperação ainda é acompanhada por especialistas, e os danos aos rins e fígado podem exigir cuidados prolongados.
- Repercussão na mídia: Aumento de reportagens sobre os perigos da soroterapia.
- Mudança de comportamento: Pacientes relatam maior cautela com tratamentos injetáveis.
- Demanda por regulação: Cresce a pressão por normas mais rígidas para clínicas.
A história de Perinalva destaca a importância de escolhas informadas e da supervisão médica em procedimentos de saúde, especialmente em um contexto onde a busca por soluções rápidas tem crescido exponencialmente.







