Bruno Henrique do Flamengo é condenado no STJD e pega 12 jogos de suspensãoPor Carolina Costa
Atualizado 8 min de leitura
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O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anunciou, nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025, a punição do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, com 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil por suposta manipulação de resultados em apostas esportivas. O julgamento, realizado no Rio de Janeiro, analisou um cartão amarelo recebido pelo jogador na partida contra o Santos, em 1º de novembro de 2023, pelo Campeonato Brasileiro. A acusação aponta que o atleta forçou a advertência para beneficiar apostadores, incluindo seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior. A decisão, que cabe recurso, baseia-se em investigações da Polícia Federal e relatórios de entidades como a International Betting Integrity Association (IBIA). O caso reacende debates sobre a integridade do futebol brasileiro em meio ao crescimento do mercado de apostas.
O processo teve início com denúncias formalizadas em 1º de agosto de 2025, após a Polícia Federal identificar movimentações atípicas no mercado de apostas. A defesa de Bruno Henrique, representada pelos advogados Michel Assef Filho e Alexandre Vitorino, tentou arquivar o caso alegando prescrição, mas o argumento foi rejeitado pela maioria dos auditores. O jogador, que participou por videoconferência desde a Bahia, negou as acusações, afirmando confiança na justiça desportiva.
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Principais pontos da decisão:
- Suspensão de 12 jogos aplicada ao atacante do Flamengo.
- Multa de R$ 60 mil por infração ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
- Envolvimento de familiares e amigos em apostas suspeitas.
- Possibilidade de recurso ao Tribunal Pleno do STJD.
Detalhes do julgamento
O julgamento, conduzido pela Primeira Comissão Disciplinar do STJD, foi marcado por intensos debates sobre a validade das provas e a prescrição do caso. A Procuradoria apresentou mensagens de WhatsApp entre Bruno Henrique e seu irmão, apreendidas pela Polícia Federal, além de relatórios da IBIA e da Sportradar, que indicaram apostas concentradas no cartão amarelo do jogador. A defesa, por sua vez, argumentou que o lance foi um incidente comum de jogo, sem intenção de manipulação.
A análise do vídeo do jogo contra o Santos, disputado no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi central no julgamento. Aos 50 minutos do segundo tempo, Bruno Henrique cometeu uma falta sobre Yeferson Soteldo, recebendo o cartão amarelo. Logo após, foi expulso por reclamação, gerando a suspensão automática para a partida seguinte. A Procuradoria destacou que 98% das apostas em cartões naquela partida foram direcionadas ao jogador, muitas originadas de contas recém-criadas em Belo Horizonte, cidade natal do atleta.
Evidências apresentadas no julgamento:
- Mensagens entre Bruno Henrique e seu irmão sugerindo planejamento do cartão.
- Relatórios da IBIA apontando apostas anormais no mercado.
- Depoimento de Douglas Ribeiro Pina Barcelos, que admitiu conhecimento prévio.
- Análise do lance pelo árbitro Rafael Rodrigo Klein, reprisada no tribunal.
Reação do Flamengo e da defesa
O Flamengo, por meio de seus representantes legais, manteve apoio ao jogador, enfatizando que o cartão não alterou o resultado da partida, vencida pelo Santos por 2 a 1. A defesa destacou o histórico de Bruno Henrique, com mais de 200 jogos pelo clube desde 2019, e questionou a ausência do árbitro do jogo no julgamento para esclarecer o contexto do lance. Michel Assef Filho classificou as acusações como “absurdas”, alegando que o cartão foi aplicado em um lance sem falta clara.
Bruno Henrique, em sua declaração por videoconferência, limitou-se a reafirmar sua inocência: “Jamais cometi as infrações de que sou acusado. Confio na justiça desportiva.” A defesa planeja recorrer da decisão ao Tribunal Pleno do STJD, o que pode prolongar o caso por semanas. Enquanto isso, o jogador segue à disposição do Flamengo para jogos, como o confronto contra o Ceará, marcado para o próximo domingo.
Argumentos da defesa:
- Falta de prova direta de intenção de manipulação.
- Ausência de impacto esportivo no resultado da partida.
- Prescrição do prazo para denúncia, expirado em 2023.
- Dependência de provas externas pela Procuradoria.
Contexto do mercado de apostas
O crescimento exponencial do mercado de apostas esportivas no Brasil, que movimenta cerca de R$ 100 bilhões anuais segundo a Lei 14.790/2023, trouxe novos desafios para o futebol. Casos de manipulação, como os de Lucas Paquetá, na Inglaterra, e Eduardo Bauermann, no Brasil, expõem a vulnerabilidade do esporte a esquemas envolvendo cartões e outros eventos secundários. A regulamentação de 2023 busca coibir fraudes, mas a integração entre justiça desportiva e órgãos reguladores ainda é limitada.
Empresas como Betano e KTO relataram prejuízos de R$ 2 milhões em 2024 devido a apostas suspeitas, o que levou ao uso de algoritmos avançados para detectar padrões anormais. A Sportradar, parceira da CBF, analisa cerca de 1 milhão de eventos esportivos por ano, identificando 50 alertas de manipulação no Brasileirão de 2023. O caso de Bruno Henrique destaca a necessidade de maior fiscalização e educação dos atletas sobre os riscos das apostas.
Dados do setor de apostas:
- Mercado brasileiro cresceu 360% entre 2018 e 2023.
- Apostas em cartões representam 15% do volume total no futebol.
- IBIA emitiu alertas sobre 50 casos globais de manipulação em 2024.
- Falta de treinamento ético para atletas em 80% dos clubes brasileiros.
Implicações para Bruno Henrique
A suspensão de 12 jogos impede Bruno Henrique de atuar em partidas cruciais do Brasileirão e da Libertadores, impactando o planejamento do Flamengo. Com contrato válido até dezembro de 2026, o jogador é peça-chave no elenco, com atuações destacadas em 2025, incluindo gols e assistências. A diretoria rubro-negra já monitora alternativas, como o atacante Marcos Leonardo, atualmente na Arábia Saudita, caso a punição seja mantida após o recurso.
Na esfera criminal, Bruno Henrique responde por fraude esportiva na 7ª Vara Criminal de Brasília, com pena prevista de dois a seis anos de prisão. A denúncia, aceita em julho de 2025, excluiu a acusação de estelionato por falta de elementos. A defesa tentou anular o processo questionando a competência da Justiça do Distrito Federal, mas desistiu do recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 28 de agosto de 2025.
Possíveis impactos da suspensão:
- Ausência em até 12 jogos do Brasileirão e Libertadores.
- Risco de perda de convocação para o Super Mundial de Clubes.
- Impacto financeiro com a multa de R$ 60 mil.
- Pressão da torcida por maior transparência no caso.
Debate sobre prescrição e normas
A discussão sobre a prescrição foi um dos pontos mais controversos do julgamento. A defesa argumentou que o prazo de 60 dias, previsto no artigo 165-A do CBJD, expirou em dezembro de 2023, com base na data do jogo. Alternativamente, sustentou que o inquérito aberto em maio de 2025 não justificava a denúncia tardia de agosto. O auditor Alcino Guedes, apoiado pela maioria, defendeu que o prazo foi suspenso com a apresentação de novas provas em junho de 2025, permitindo a continuidade do processo.
A divergência expõe lacunas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que não regula claramente casos envolvendo novas evidências. Especialistas apontam que o STJD precisa atualizar suas normas para acompanhar o avanço das apostas esportivas, especialmente em mercados secundários como cartões. A possibilidade de penas internacionais, conforme o artigo 70.1 do Código Disciplinar da FIFA, também foi debatida, mas a decisão final limitou-se à suspensão e multa no âmbito nacional.
Questões jurídicas levantadas:
- Falta de clareza na contagem de prazos prescricionais no CBJD.
- Dependência de investigações policiais pela justiça desportiva.
- Necessidade de harmonização com normas da FIFA.
- Vulnerabilidade do sistema a manipulações em mercados secundários.
Repercussão no futebol brasileiro
O caso de Bruno Henrique reforça a urgência de medidas preventivas contra a manipulação de resultados. A CBF, em parceria com a Conmebol, intensificou o monitoramento por meio de empresas como a Sportradar, mas a falta de treinamentos éticos para atletas permanece um obstáculo. Clubes como Flamengo e Palmeiras já discutem programas internos para orientar jogadores sobre os riscos das apostas, enquanto a CPI das Apostas Esportivas, em curso no Senado, busca restringir a publicidade de casas de apostas.
A torcida rubro-negra, dividida, expressa apoio ao jogador nas redes sociais, mas também cobra maior rigor na apuração. Jornais internacionais, como Marca e Olé, destacaram o caso como reflexo de um problema global no futebol. A decisão do STJD, embora passível de recurso, pode estabelecer precedentes para futuros casos de manipulação no Brasil, especialmente em um mercado de apostas em expansão.
Medidas propostas para o futuro:
- Criação de programas de educação ética para atletas.
- Integração entre STJD, CBF e órgãos reguladores de apostas.
- Atualização do CBJD para casos de manipulação.
- Monitoramento mais rigoroso de mercados secundários de apostas.















