Top 5 carros roubados em SP: Gol, HB20 e Onix somam mais de 4 mil incidentes em 2025

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Hyundai HB20 Foto: Hyundai HB20 - Foto: Divulgação/ Hyndai

Nas ruas movimentadas da capital paulista, motoristas enfrentam diariamente o risco de verem seus carros desaparecerem sem alarde. Dados recentes revelam que, apesar de uma redução geral nos incidentes, a criminalidade contra veículos persiste, com furtos ganhando espaço sobre roubos violentos. A mudança no padrão criminal reflete adaptações dos grupos organizados, que optam por ações mais discretas para evitar confrontos diretos com as forças de segurança.

A Região Metropolitana de São Paulo registrou 24.801 ocorrências de roubos e furtos de carros de passeio entre janeiro e junho de 2025, o que representa uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 27.535 casos. Essa diminuição ocorre principalmente nos roubos, que envolveram violência ou ameaça, caindo de 20,41% do total para 16,91%. Em contrapartida, os furtos, realizados sem interação com o proprietário, subiram de 79,59% para 83,09%, indicando uma preferência por métodos menos arriscados.

  • Principais fatores da queda em roubos: Intensificação de patrulhas em áreas críticas e maior uso de tecnologias de rastreamento.
  • Aumento nos furtos: Facilidade de acesso a veículos estacionados em vias públicas e demanda por peças no mercado paralelo.
  • Impacto na frota: Modelos com mais de 10 anos de fabricação ainda representam 20,73% dos casos, contra 32% no ano anterior.

Especialistas apontam que a capital concentra a maior parte dos registros, com 15.902 incidentes, seguida por municípios como Campinas e Santo André. Essa distribuição geográfica reforça a necessidade de medidas localizadas para coibir o crime.

Mudanças no perfil dos alvos criminosos

O primeiro semestre de 2025 trouxe surpresas no ranking dos veículos mais visados, com o Volkswagen Gol assumindo a liderança pela primeira vez em anos. Lançado em 1980 e descontinuado em 2022, o modelo acumulou 1.669 ocorrências, superando o Hyundai HB20, que havia dominado as estatísticas anteriores. Essa inversão destaca como a abundância de unidades em circulação e a simplicidade mecânica tornam certos carros alvos persistentes.

Com 1.295 casos, o HB20 registrou uma redução de 10,2% em comparação a 2024, mas manteve sua posição como um dos hatches mais procurados. Fabricado desde 2012, o veículo atrai criminosos devido à alta demanda por componentes eletrônicos e de motor, que circulam facilmente no comércio ilegal. A proximidade com o mercado de usados, onde peças originais são valorizadas, explica parte dessa persistência no ranking.

O Chevrolet Onix, por sua vez, ocupou o terceiro lugar com 1.172 incidentes, uma leve queda de 1,4% ante o ano anterior. Introduzido em 2012 como sucessor do Corsa, o compacto beneficia-se de uma frota jovem, com muitos exemplares entre dois e cinco anos de idade. Essa faixa etária representa 37,2% dos casos totais, mostrando que veículos relativamente novos não escapam da mira dos ladrões.

  • Gol: 1.669 casos, foco em desmanche de carroceria e suspensão.
  • HB20: 1.295 registros, ênfase em sistemas de injeção e multimídia.
  • Onix: 1.172 ocorrências, peças de transmissão e freios em alta.

Essas posições refletem não apenas a popularidade dos modelos, mas também sua vulnerabilidade a técnicas modernas de arrombamento, como o uso de scanners eletrônicos para burlar travas.

Ascensão inesperada do Ford Ka no ranking

O Ford Ka emergiu como uma surpresa ao conquistar o quarto posto, com 1.182 casos, um aumento de 31,7% em relação aos 897 de 2024. Descontinuado em 2021 após duas gerações, o subcompacto continua rodando em grande volume pelas vias paulistas, o que o torna um alvo fácil para furtos oportunistas. Sua estrutura simples facilita a extração rápida de itens como rodas e faróis, itens de revenda imediata.

Essa escalada de quatro posições no ranking sinaliza uma mudança no comportamento dos criminosos, que agora priorizam veículos com baixa resistência a invasões rápidas. Em bairros periféricos, onde o estacionamento em ruas é comum, o Ka aparece com frequência em relatórios de recuperação parcial, indicando que muitos casos envolvem apenas o roubo de acessórios. A frota envelhecida, majoritariamente acima de oito anos, contribui para essa vulnerabilidade.

O Chevrolet Corsa, quinto no ranking com 1.047 incidentes, viu uma redução de 23,7% ante os 1.371 do semestre anterior. Lançado nos anos 1990 e substituído pelo Onix, o modelo persiste como opção econômica para frotas de trabalho, mas sua obsolescência tecnológica o expõe a furtos noturnos. Dados mostram que 60% dos casos ocorreram entre 20h e 6h, período de menor vigilância urbana.

A concentração de incidentes em horários noturnos reforça a importância de iluminação pública e câmeras em estacionamentos. Para o Ka e o Corsa, a demanda por peças de reposição no aftermarket impulsiona os furtos, com oficinas irregulares absorvendo componentes desmontados em poucas horas.

HB20
HB20 – Foto: Divulgação

Distribuição geográfica dos incidentes

A capital São Paulo domina as estatísticas, com 13.480 ocorrências nos primeiros cinco meses, representando quase metade do total metropolitano. Essa liderança se deve à densidade populacional e ao tráfego intenso, que facilitam ações criminosas em estacionamentos de shoppings e vias comerciais. Municípios vizinhos como Guarulhos e Santo André seguem com 1.316 e 1.398 casos, respectivamente, onde o comércio de peças usadas floresce em depósitos clandestinos.

Campinas registra 1.412 incidentes, impulsionados por rotas de rodovias que conectam o interior à capital, pontos comuns para transferências de veículos roubados. São Bernardo do Campo, com 836 casos, destaca-se pelo perfil industrial, onde carros de frota são alvos em pátios empresariais. Essa dispersão geográfica indica que o crime se adapta a contextos locais, explorando fraquezas em cada região.

  • São Paulo: 13.480 casos, foco em zonas centrais e periféricas.
  • Campinas: 1.412 registros, ênfase em acessos viários.
  • Santo André: 1.398 ocorrências, proximidade com desmanches no ABC.

A variação por dia da semana mostra picos aos sábados e domingos, quando o movimento diminui e as patrulhas se concentram em eventos específicos. Essa análise territorial ajuda na alocação de recursos policiais, priorizando corredores de alto risco.

Fatores que impulsionam a demanda por peças

Modelos como o Gol e o HB20 lideram devido à ampla frota circulante, estimada em centenas de milhares de unidades na região. A escassez de peças originais para veículos descontinuados cria um mercado negro lucrativo, onde um motor de Gol pode valer até R$ 5 mil no comércio paralelo. Essa economia subterrânea sustenta quadrilhas especializadas em desmonte rápido, operando em galpões periféricos.

Veículos com mais de 10 anos, embora em queda relativa, ainda somam 12.546 casos, ou 20,73% do total. Sua simplicidade mecânica permite furtos em menos de cinco minutos, usando ferramentas básicas como chaves de fenda e alavancas. Para hatches modernos como o Onix, o apelo reside em itens de alto valor agregado, como centrais multimídia e sensores de estacionamento, que são revendidos online em plataformas de segunda mão.

O aumento nos furtos de motos, com 14.517 incidentes, espelha o padrão automotivo, com modelos como a Yamaha NMAX 160 entrando no top 10. Pequenos cilindradas, até 499cc, viram 13.331 casos, atraídos pela mobilidade urbana e facilidade de transporte para oficinas ocultas.

  • Peças mais visadas: Rodas, baterias e retrovisores em 40% dos furtos.
  • Mercados de revenda: Plataformas digitais e feiras de usados absorvem 70% dos componentes.
  • Quadrilhas: Grupos de 3 a 5 pessoas executam 80% das ações furtivas.

Essa dinâmica econômica do crime reforça a cadeia de desvalorização dos veículos afetados, impactando o mercado de seguros com reajustes anuais de até 15% para modelos de risco.

Estratégias operacionais dos criminosos

As quadrilhas evoluíram para operações noturnas, aproveitando a redução na visibilidade e no tráfego. Em 2025, 65% dos incidentes ocorreram após o anoitecer, com furtos concentrados em bairros residenciais de classe média, onde carros são deixados sem proteção adicional. Técnicas incluem o uso de inibidores de sinal para desativar alarmes e bloqueadores de GPS, tornando a recuperação mais demorada.

Para veículos como o Ka, o furto seletivo de acessórios predomina, com ladrões removendo itens em minutos e abandonando o carro. No caso do Corsa, ações completas visam o desmonte integral, transportando o veículo em carretas para locais remotos. A integração com o tráfico de drogas financia essas redes, com veículos servindo como moeda de troca em negociações ilícitas.

Dados de recuperação mostram que 35% dos carros furtados são encontrados em até 48 horas, graças a sistemas de rastreamento obrigatórios em frotas comerciais. No entanto, para proprietários individuais, a taxa cai para 22%, destacando desigualdades no acesso a tecnologias de segurança.

  • Técnicas comuns: Inibidores de sinal em 50% dos casos modernos.
  • Locais preferidos: Estacionamentos de supermercados e ruas sem guarita.
  • Recuperação: 9.212 veículos devolvidos na capital no semestre.

Essas táticas operacionais demandam respostas ágeis das autoridades, como o emprego de drones para monitoramento aéreo em hotspots identificados.

Tendências em veículos de frota e utilitários

Picapes como a Fiat Strada registraram 739 incidentes, impulsionados pela utilidade em entregas urbanas e vulnerabilidade em rotas comerciais. Modelos de frota, comuns em serviços de delivery, são alvos por sua padronização, facilitando a clonagem de placas para revenda. Utilitários esportivos, como o Jeep Renegade com 739 casos, sofrem com furtos de rodas e acessórios premium, refletindo o crescimento do segmento em 15% nas vendas de 2024.

SUVs compactos representam 18% dos incidentes, com o Ford EcoSport somando 435 registros. Sua popularidade em famílias urbanas os expõe a estacionamentos de condomínios, onde vigilância é intermitente. A tendência de furtos em veículos de luxo relativo, embora menor, cresceu 5% em bairros nobres, focando em itens internos como som e bancos de couro.

  • Strada: 739 casos, clonagem de chassis em 30% das recuperações.
  • Renegade: Ênfase em sistemas de tração 4×4 desmontados.
  • EcoSport: Acessórios estéticos removidos em 55% dos furtos parciais.

Esses padrões em frotas comerciais enfatizam a necessidade de seguros coletivos e rastreamento em tempo real para mitigar perdas operacionais.

Evolução mensal dos registros

Janeiro iniciou com 4.200 ocorrências, pico pós-férias com retornos ao trabalho aumentando a exposição veicular. Fevereiro viu uma leve queda para 3.900, influenciada por feriados prolongados e menor circulação. Março registrou 4.100 casos, com o aquecimento do comércio impulsionando furtos em zonas comerciais.

Abril trouxe 4.098 incidentes em carros de passeio, com 83,6% furtos, marcando a consolidação da tendência. Maio elevou para 5.700 totais, incluindo motos, devido a chuvas que facilitam invasões em garagens abertas. Junho fechou com 3.500, queda de 12,8% nos furtos ante 2024, graças a operações policiais sazonais.

Essa variação mensal correlaciona-se com eventos urbanos, como o Carnaval e o Dia das Mães, que alteram padrões de estacionamento. A estabilização em junho sugere eficácia de campanhas preventivas lançadas no trimestre anterior.

  • Janeiro: Pico em retornos vacacionais.
  • Maio: Aumento por condições climáticas.
  • Junho: Melhora com ações integradas.

A análise temporal permite previsões para o segundo semestre, priorizando meses de alto risco.

Comparação com anos anteriores

Em 2023, o total metropolitano atingiu 60.570 casos anuais, contra 55.844 em 2024, uma redução de 8%. Para 2025, projeções baseadas no semestre indicam cerca de 50.000 incidentes no ano, mantendo a trajetória descendente nos roubos. O HB20, líder em 2023 com 2.587 casos, viu sua fatia cair de 4,3% para 3,8% em 2025.

O Gol, que em 2023 ocupava o terceiro lugar, saltou para o topo, refletindo o envelhecimento da frota sem contrapartida em segurança. Reduções em municípios como São Bernardo, de 28%, contrastam com estabilidades em Guarulhos, de 10%. Essa heterogeneidade exige políticas regionais diferenciadas.

  • 2023: 60.570 totais, foco em violência.
  • 2024: Queda de 17% em roubos gerais.
  • 2025: Ênfase em furtos discretos.

A evolução demonstra avanços em inteligência policial, mas persistem desafios no controle de redes de desmanche.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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