Ministério da saúde reduz idade para mamografia e amplia tratamentos no SUS
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (23) uma mudança significativa nas diretrizes para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Pela primeira vez, mulheres a partir dos 40 anos poderão realizar mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sob demanda, com indicação médica. A medida responde ao aumento de casos da doença em mulheres mais jovens e busca alinhar o país às recomendações de sociedades médicas. Além disso, o governo ampliou a faixa etária do rastreamento e anunciou a incorporação de novos tratamentos no SUS, reforçando a estratégia de prevenção e diagnóstico precoce.
A decisão marca um avanço na política de saúde pública, especialmente diante do cenário preocupante do câncer de mama, que lidera as estatísticas de incidência entre mulheres no Brasil. Dados recentes apontam que mais de 30% das mamografias realizadas no país em 2024 foram em mulheres com menos de 50 anos, evidenciando a necessidade de ajustes nas diretrizes. A nova abordagem visa facilitar o acesso ao exame e reduzir diagnósticos tardios, que ainda representam 37% dos casos no Brasil.
A mamografia, principal ferramenta para detecção precoce do câncer de mama, permite identificar alterações antes mesmo de sintomas visíveis. Com as mudanças, o governo espera aumentar a cobertura do exame e melhorar os desfechos clínicos. Abaixo, os principais pontos das novas recomendações:
- Mulheres de 40 a 49 anos agora têm acesso garantido à mamografia sob demanda.
- Rastreamento bienal é ampliado para mulheres de 50 a 74 anos.
- Para maiores de 74 anos, a indicação será individualizada, considerando saúde geral.
As alterações também incluem investimentos em infraestrutura e pesquisa, além de novos medicamentos no SUS, que prometem revolucionar o tratamento da doença.
Novas diretrizes para rastreamento
A atualização das recomendações do Ministério da Saúde reflete a necessidade de adaptar o sistema de saúde às mudanças no perfil epidemiológico do câncer de mama. Antes, o protocolo do SUS limitava o rastreamento bienal a mulheres entre 50 e 69 anos, o que deixava uma lacuna no atendimento a faixas etárias mais jovens. Agora, a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos sob demanda elimina barreiras burocráticas e amplia o acesso ao exame.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que há anos defende a mamografia anual a partir dos 40, celebrou a decisão. Estudos apontam que o diagnóstico precoce pode aumentar as chances de cura em até 90% em casos detectados em estágios iniciais. A nova faixa etária de rastreamento, que agora se estende até os 74 anos, também considera o aumento da expectativa de vida e a necessidade de monitorar mulheres mais velhas.
Outro destaque é a abordagem individualizada para mulheres acima dos 74 anos. Nesses casos, médicos avaliarão comorbidades e condições gerais para decidir pela realização do exame. Essa flexibilização busca equilibrar benefícios e riscos, garantindo que o rastreamento seja eficaz e seguro.
Investimentos em infraestrutura
Para viabilizar as novas diretrizes, o governo está ampliando a estrutura de atendimento. Em maio, foi lançado o programa de carretas da saúde, que leva unidades móveis a regiões com menor acesso a exames. Até outubro, 27 carretas estarão em operação em 22 estados, oferecendo consultas, mamografias e até biópsias.
- As carretas são equipadas com mamógrafos digitais de alta resolução.
- Consultas com especialistas estarão disponíveis em áreas remotas.
- Biópsias realizadas nas unidades agilizam o diagnóstico.
- O programa prioriza regiões com alta incidência de diagnósticos tardios.
A iniciativa é parte de uma estratégia mais ampla para reduzir desigualdades no acesso à saúde. Dados do Ministério da Saúde mostram que regiões Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios na oferta de exames, o que contribui para os 37% de diagnósticos em estágios avançados. As unidades móveis buscam mudar esse cenário, levando atendimento especializado a comunidades distantes dos grandes centros.
O governo também destinou R$ 100 milhões em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para pesquisas em câncer de mama, colo de útero e colorretal. Esses recursos financiarão estudos sobre prevenção, diagnóstico e tratamentos inovadores, com foco em tecnologias acessíveis ao SUS.

Novos tratamentos no SUS
Além das mudanças no rastreamento, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de novos medicamentos ao SUS, integrados ao primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) específico para câncer de mama. Essas terapias representam um avanço significativo no tratamento da doença, especialmente para casos mais complexos.
Os novos medicamentos incluem:
- Inibidores de CDK 4/6, que bloqueiam o crescimento de tumores hormônio-dependentes.
- Trastuzumab entansina, uma terapia-alvo para tumores HER2 positivos.
- Supressão ovariana medicamentosa, que reduz a produção de estrogênio.
- Fator estimulador de colônia, para apoiar quimioterapias intensas.
- Ampliação da neoadjuvância para tumores em estágios iniciais.
A introdução dessas terapias no SUS é um marco, já que muitas delas eram acessíveis apenas na rede privada. A neoadjuvância, por exemplo, agora será aplicada em estágios iniciais, permitindo reduzir tumores antes da cirurgia e aumentando as chances de preservação da mama.
Importância do diagnóstico precoce
O câncer de mama permanece como o tipo mais comum entre mulheres no Brasil, com cerca de 66 mil novos casos estimados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A mamografia é essencial porque detecta alterações como nódulos e microcalcificações antes que sejam perceptíveis ao toque. Quando identificado em estágios iniciais, o tratamento é menos invasivo e as chances de cura são significativamente maiores.
A ampliação do rastreamento para mulheres mais jovens responde a uma tendência global: o aumento de casos em faixas etárias abaixo dos 50 anos. Fatores como estilo de vida, predisposição genética e exposição a hormônios estão entre as possíveis causas. A nova política do SUS busca acompanhar essa realidade, garantindo que mais mulheres tenham acesso ao exame na idade certa.
A SBM reforça que a mamografia anual a partir dos 40 anos é a melhor estratégia para reduzir a mortalidade pela doença. Além disso, o autoexame e consultas regulares com mastologistas complementam a prevenção, embora não substituam o exame de imagem.
Capacitação de profissionais
Outro pilar da nova estratégia é a capacitação de profissionais da atenção primária. O Ministério da Saúde lançou um manual de diagnóstico precoce e alta suspeição, voltado para médicos e enfermeiros das unidades básicas de saúde. O documento orienta sobre a identificação de sintomas iniciais e o encaminhamento rápido para exames complementares.
- O manual detalha sinais como nódulos, alterações na pele e secreções anormais.
- Profissionais aprenderão a priorizar casos de alta suspeição.
- Treinamentos serão realizados em parceria com sociedades médicas.
- A meta é reduzir o tempo entre a suspeita e o diagnóstico.
Essa iniciativa é crucial, já que a atenção primária é a porta de entrada do SUS. Profissionais bem preparados podem identificar sinais precoces e agilizar o acesso a especialistas, reduzindo o impacto de diagnósticos tardios.
Avanços para o futuro
A ampliação do rastreamento e a incorporação de novos tratamentos refletem o compromisso do governo em fortalecer a rede de prevenção e cuidado no SUS. As mudanças atendem a uma demanda antiga de especialistas e pacientes, que apontavam a necessidade de maior acesso a exames e terapias modernas.
A expectativa é que as novas diretrizes reduzam a taxa de mortalidade por câncer de mama, que hoje representa a principal causa de morte por câncer entre mulheres brasileiras. Com mais exames, unidades móveis e tratamentos avançados, o SUS se posiciona como uma referência na luta contra a doença.
As carretas da saúde, por exemplo, já começaram a atender comunidades em áreas remotas, e os primeiros resultados mostram aumento na detecção precoce. A combinação de tecnologia, capacitação e novos medicamentos cria um cenário promissor para o enfrentamento do câncer de mama no Brasil.
















