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Ramón Díaz desembarcou no aeroporto Salgado Filho sob aplausos discretos de torcedores que aguardavam ansiosamente a chegada do novo comandante colorado. O técnico argentino, de 66 anos, pisou em Porto Alegre na noite de quarta-feira, 24 de setembro, trazendo consigo uma bagagem de conquistas que ecoa desde os gramados do River Plate até os desafios recentes no futebol brasileiro. A contratação veio logo após a demissão de Roger Machado, motivada pela derrota no clássico Gre-Nal por 3 a 2, que expôs fragilidades na defesa e na criação de jogadas.

A direção do Internacional agiu com rapidez para selar o acordo, que foi fechado na terça-feira anterior em uma negociação que priorizou a experiência imediata do treinador. Ramón, conhecido por sua gestão compartilhada com o filho Emiliano, expressou satisfação logo ao pisar no solo gaúcho, afirmando em vídeo curto que deseja ver o time atuando como protagonista na competição. Essa declaração simples carrega o peso de uma carreira marcada por 17 títulos oficiais, incluindo a Copa Libertadores de 1996 e o Campeonato Paulista de 2025 pelo Corinthians.

O voo fretado pelo clube parou em Assunção para buscar a comissão técnica completa, garantindo que todos estivessem prontos para o início imediato dos trabalhos. A expectativa no CT Parque Gigante cresce, pois o argentino comandará o primeiro treino na tarde desta quinta-feira, com foco em ajustes táticos para o confronto contra o Juventude no sábado.

  • Principais reforços na comissão: Emiliano Díaz como auxiliar principal, responsável pela análise tática em tempo real.
  • Preparador físico brasileiro: Diego Pereira, que já trabalhou com o treinador em passagens anteriores.
  • Assistentes experientes: Bruno Urribarri e Oscar Ferreyra, especialistas em treinamentos de transição rápida.
  • Analista de desempenho: Juan Romanazzi, que monitora estatísticas de posse de bola e finalizações.

Esses nomes formam um núcleo coeso, testado em clubes como Olimpia e Corinthians, onde Ramón demonstrou capacidade de elevar o nível de equipes em crise.

Trajetória vitoriosa no futebol sul-americano

Ramón Díaz construiu uma reputação sólida ao longo de quase três décadas como treinador, começando logo após pendurar as chuteiras em 1995. Sua primeira grande façanha veio no River Plate, onde assumiu o cargo em 1995 e, em apenas um ano, levou o time à conquista da Libertadores, superando rivais como São Paulo e Cruzeiro na final. Esse título não foi isolado; entre 1996 e 2000, o argentino ergueu sete campeonatos nacionais com o Millionarios, consolidando-se como ídolo eterno do clube de Núñez.

A carreira de Ramón se estendeu por diversos continentes, adaptando seu estilo de jogo baseado em controle de bola e eficiência ofensiva a realidades distintas. No Oriente Médio, pelo Al-Hilal da Arábia Saudita, ele venceu dois Campeonatos Sauditas e uma Copa do Rei, chegando à vice-colocação no Mundial de Clubes em 1997. Essa versatilidade o levou à seleção paraguaia entre 2014 e 2016, onde implementou táticas de contra-ataque veloz que classificaram o time para competições continentais.

No México, pelo América, Ramón comandou entre 2008 e 2009, alcançando semifinais na Liga MX com um aproveitamento de 62% em jogos disputados. Sua filosofia sempre enfatizou a criação de oportunidades claras de gol, com médias de 1,8 finalizações por partida por jogador em suas equipes mais bem-sucedidas. Essa abordagem se provou eficaz também no Independiente, da Argentina, em 2011-2012, onde resgatou o clube de uma sequência de derrotas consecutivas.

O treinador argentino acumulou passagens por mais de 20 clubes, incluindo Oxford United na Inglaterra e Pyramids no Egito, onde introduziu métodos modernos de análise de vídeo. Sua taxa de vitórias geral gira em torno de 55%, com picos de 70% em fases decisivas de torneios eliminatórios.

Experiências marcantes no Brasil

Ramón Díaz retorna ao futebol brasileiro com bagagem de quem já enfrentou os desafios do calendário apertado e das rivalidades intensas. Sua primeira incursão veio em 2020, pelo Botafogo, embora curta, serviu para ele se adaptar ao ritmo do Brasileirão, com ênfase em treinamentos de alta intensidade para suportar as 38 rodadas. Lá, ele implementou um 4-3-3 que priorizava transições rápidas, resultando em três vitórias consecutivas no início do trabalho.

Em 2023, assumiu o Vasco da Gama em meio a uma campanha irregular, com o time na parte intermediária da tabela. Ramón reestruturou o meio-campo, promovendo a posse de bola média de 52% para 58%, o que evitou o rebaixamento por apenas três pontos. Durante sua passagem de um ano e meio, o Cruzmaltino somou 45 pontos em 57 jogos, com destaque para vitórias em clássicos cariocas que injetaram confiança ao elenco.

A etapa mais recente no Brasil ocorreu no Corinthians, entre 2024 e 2025, onde Ramón chegou para um projeto de reconstrução após uma temporada de oscilações. Ele guiou o Timão à conquista do Campeonato Paulista de 2025, derrotando o Palmeiras na final por 2 a 1, com gols em contra-ataques precisos. Nesse período, o aproveitamento subiu para equivalente a um G4 no Brasileirão, com 1,4 gols por jogo marcados. A saída em abril de 2025 veio por divergências contratuais, mas deixou um legado de estabilidade defensiva, reduzindo gols sofridos de 1,6 para 0,9 por partida.

Essas experiências no país destacam a capacidade de Ramón em lidar com elencos mistos, integrando jovens promessas a veteranos, como fez com o zagueiro Gabriel Mercado no Corinthians, que agora reencontra no Internacional.

  • Conquistas chave no Brasil: Campeonato Paulista 2025 pelo Corinthians, evitando rebaixamento no Vasco em 2023.
  • Médias táticas: Posse de bola de 56% em jogos brasileiros, com foco em finalizações de média distância.
  • Impacto em elencos: Elevação de 15% na taxa de vitórias em times em crise durante suas gestões.
  • Relações no vestiário: Forte vínculo com diretores como D’Alessandro, companheiro no River Plate.
  • Adaptação local: Ênfase em treinamentos físicos adaptados ao clima tropical e calendário de verão.

Comissão técnica integrada e métodos de trabalho

A chegada de Ramón Díaz ao Internacional não se resume ao treinador principal; traz uma estrutura completa que opera como uma unidade coesa. Seu filho Emiliano, de 38 anos, atua como auxiliar principal, dividindo responsabilidades na beira do campo e na elaboração de planos de jogo. Essa dupla dinâmica, testada desde 2018, permite decisões ágeis durante as partidas, com Emiliano focado em ajustes de substituições baseados em dados em tempo real.

Bruno Urribarri e Oscar Ferreyra, assistentes com mais de uma década de parceria com Ramón, cuidam dos treinamentos específicos de posição. Urribarri, especialista em laterais, enfatiza cruzamentos precisos, enquanto Ferreyra trabalha a finalização em área lotada. Diego Pereira, o preparador físico brasileiro, traz conhecimento local sobre recuperação muscular, implementando rotinas que reduziram lesões em 20% durante a passagem pelo Corinthians.

Juan Romanazzi, analista de desempenho, utiliza softwares avançados para mapear fraquezas adversárias, como padrões de marcação em bolas paradas. Essa equipe toda desembarcou junta, garantindo alinhamento imediato no CT Parque Gigante.

Os métodos de Ramón priorizam sessões curtas e intensas, com 70% do tempo dedicado a exercícios com bola. Ele incorpora feedback diário dos jogadores, fomentando um ambiente de confiança mútua.

Posição atual e desafios no Brasileirão

O Internacional ocupa a 14ª colocação no Campeonato Brasileiro de 2025, com 27 pontos em 24 rodadas disputadas. Essa pontuação reflete uma campanha irregular, com apenas 7 vitórias, 6 empates e 11 derrotas, resultando em um saldo de gols negativo de -3. A proximidade da zona de rebaixamento, apenas cinco pontos à frente do Vitória, impulsiona a urgência da mudança técnica.

A defesa colorada sofreu 28 gols até o momento, uma média de 1,17 por jogo, exposta especialmente em transições rápidas dos adversários. No ataque, os 25 gols marcados indicam potencial, mas dependem de melhor articulação no meio-campo, onde a posse de bola média fica em 48%.

Ramón estreia contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, um confronto direto pela permanência na elite. O time alviverde, na 16ª posição, representa uma oportunidade para pontos cruciais.

  • Rodadas restantes: 14 jogos, com confrontos diretos contra Bahia, Cuiabá e Athletico-PR.
  • Pontos necessários: Pelo menos 12 para alcançar 39, meta histórica para salvação confortável.
  • Fraquezas identificadas: 40% dos gols sofridos em contra-ataques, foco inicial de Ramón.
  • Oportunidades ofensivas: Jogadores como Enner Valencia com 7 gols, prontos para esquema 4-2-3-1.

Estreia contra o Juventude e agenda próxima

O Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, recebe o clássico gaúcho pela 25ª rodada no sábado às 18h30, com portões abertos para 20 mil torcedores. Ramón terá dois dias de preparação, priorizando compactação defensiva e saídas rápidas ao ataque. O Juventude, sob comando de Roger Machado, ironicamente o antecessor, soma 23 pontos e busca reabilitação após empate recente.

A agenda colorada inclui viagens curtas, como o jogo em Salvador contra o Bahia na 26ª rodada, e um clássico em casa contra o Grêmio na 28ª. Esses duelos testarão a capacidade de Ramón em impor seu ritmo em estádios hostis.

O treinador planeja rodízio inicial para preservar jogadores chave, como o meia Alan Patrick, com 5 assistências na temporada. A torcida, mobilizada pelas redes sociais do clube, lotou o aeroporto na chegada, sinalizando apoio total à nova fase.

Relações internas e reencontros no elenco

Ramón Díaz reencontra rostos familiares no Beira-Rio, o que facilita sua integração. O zagueiro Gabriel Mercado, treinado por ele no Corinthians, elogiou a intensidade dos treinos em entrevistas passadas. Já o diretor executivo Alessandro D’Alessandro, ídolo colorado, compartilhou vestiário com Ramón no River Plate nos anos 90, o que influenciou a escolha pela contratação.

Essas conexões fortalecem o vestiário, onde jogadores como o capitão Alan e o goleiro Rochet expressaram otimismo em coletivas recentes. O argentino valoriza a comunicação aberta, realizando reuniões semanais para alinhar expectativas táticas.

A diretoria, liderada por Alessandro Barcellos, depositou confiança no perfil vencedor de Ramón, com bonificações atreladas a metas como classificação à Libertadores 2026. Essa estrutura visa estabilidade a longo prazo, com contrato até dezembro de 2026.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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