Casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas chegam a 127 no Brasil, alerta PadilhaPor Luís Henrique Costa
Atualizado 4 min de leitura
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o Brasil registra 127 casos suspeitos de intoxicação por metanol, substância tóxica presente em bebidas alcoólicas adulteradas. O balanço foi divulgado em coletiva em Teresina, no Piauí, neste sábado, 4 de outubro de 2025. Os casos afetam 12 estados, com 11 confirmações laboratoriais e 12 mortes relacionadas, sendo uma confirmada em São Paulo e as demais em investigação.
Padilha destacou que o aumento nas notificações ocorre sem elevação proporcional nas confirmações, mas reforçou medidas de vigilância nacional. O surto, concentrado inicialmente em São Paulo, expandiu-se para regiões como Nordeste e Centro-Oeste.
Autoridades sanitárias notificam profissionais de saúde para identificar sintomas precocemente, como embriaguez persistente e alterações visuais.
Distribuição dos casos por estados
São Paulo concentra a maioria das ocorrências, com mais de 50 notificações, incluindo 11 confirmações e várias mortes em investigação. Pernambuco registra cinco casos em apuração, com dois óbitos sob análise.
Outros estados afetados incluem Bahia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Distrito Federal. O Paraná notificou seu primeiro caso suspeito em um homem de 60 anos internado em estado grave após consumo de destilado.
A expansão geográfica sugere possível distribuição interestadual de produtos contaminados, segundo dados do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.
Sintomas e riscos à saúde
A intoxicação por metanol inicia com sintomas semelhantes a uma ressaca intensa, como náuseas e dores abdominais. Entre 12 e 24 horas após o consumo, surgem complicações graves, incluindo visão turva, confusão mental e insuficiência de órgãos.
O composto tóxico é metabolizado em substâncias que afetam o fígado, cérebro e nervo óptico, podendo levar a cegueira, coma ou falência múltipla. Casos graves demandam intervenção rápida com antídotos como etanol farmacêutico.
Pacientes em estado crítico, como perda de visão permanente, foram reportados em hospitais de São Paulo.
Medidas preventivas recomendadas
Padilha orientou evitar bebidas destiladas de procedência duvidosa, especialmente em garrafas com tampa de rosca, mais suscetíveis a adulteração. Produtos em latas apresentam menor risco devido à dificuldade de reclosedura.
- Certifique-se de rótulos, selos fiscais e lacres de segurança antes do consumo.
- Prefira estabelecimentos licenciados e evite compras em fontes informais.
- Em caso de sintomas, procure atendimento médico imediato para exames laboratoriais e oftalmológicos.
O Ministério da Saúde ampliou estoques de etanol farmacêutico em hospitais universitários e negocia importação de fomepizol via Opas.
Ações governamentais de resposta
O governo federal instalou uma Sala de Situação para monitorar o surto de forma contínua, coordenando notificações via Cievs em todos os estados. Nota técnica foi enviada a municípios com protocolos para identificação e tratamento de casos suspeitos.
A Anvisa publicou chamada para fornecedores internacionais de antídotos, enquanto a Polícia Federal investiga possível envolvimento de organizações criminosas na adulteração. Em São Paulo, Vigilância Sanitária interditou bares e apreendeu garrafas suspeitas, como vodca e gim.
Profissionais de saúde contam com 32 centros de toxicologia para suporte em diagnósticos e manejo. O cenário atual, com picos acima da média anual de 20 casos, justifica o reforço em ações preventivas e fiscalizatórias, incluindo testes rápidos desenvolvidos pela USP para detecção em bebidas.
Investigação sobre origem das adulterações
Autoridades apuram a cadeia de suprimentos de metanol, substância industrial importada e usada ilegalmente para baratear destilados como vodca, uísque e gin. Operações policiais prenderam fornecedores em São Paulo, com apreensões de milhares de garrafas falsificadas.
Suspeitas apontam para rotas de distribuição além de São Paulo, possivelmente ligadas a esquemas de falsificação de selos e importação irregular. O Conselho Federal de Química alerta contra testes caseiros, que oferecem riscos adicionais à saúde.
Ações incluem fiscalização em portos e depósitos, com foco em bebidas incolores mais fáceis de contaminar sem detecção visual.







