Após 9 anos de dores intensas, curitibano de 27 anos é diagnosticado com cefaleia em salvas, condição que afeta 300 mil no BrasilPor Beatriz
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Victor Camargo, residente em Curitiba, iniciou crises de dor de cabeça aos 18 anos e, por quase uma década, atribuiu os sintomas a enxaquecas comuns. Uma episódio severo que o impediu de trabalhar levou-o a buscar atendimento médico, resultando no diagnóstico de cefaleia em salvas em 2025. A condição, rara e incapacitante, afeta principalmente homens entre 20 e 40 anos e é marcada por ataques unilaterais intensos.
O caso de Victor destaca a importância de consultas especializadas, pois a cefaleia em salvas difere da enxaqueca em duração e sintomas associados. Segundo estimativas da Academia Brasileira de Neurologia, mais de 300 mil pessoas no Brasil convivem com essa cefaleia primária, que ocorre em ciclos de semanas ou meses.
- Sintomas principais incluem dor ao redor do olho, lacrimejamento e congestão nasal no mesmo lado da face.
- Crises duram de 15 minutos a três horas e podem repetir até oito vezes ao dia.
- Diferente da enxaqueca, provoca agitação em vez de repouso.
Início das crises e busca pelo diagnóstico
Victor notou as primeiras dores aos 18 anos, concentradas ao redor do olho esquerdo, com lacrimejamento e inchaço leve. Inicialmente, ele associou os episódios a estresse da rotina diária em Curitiba, adiando visitas médicas.
Com o tempo, as crises intensificaram, incluindo náuseas fortes e incapacidade de realizar tarefas simples. Após um ataque que o deixou prostrado no trabalho, ele consultou um neurologista e descreveu o histórico detalhado.
O diagnóstico veio rapidamente, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias, com exames para descartar causas secundárias como tumores.
Diferenças entre cefaleia em salvas e enxaqueca
A cefaleia em salvas se distingue da enxaqueca pela localização unilateral precisa e sintomas autonômicos. Enquanto a enxaqueca afeta ambos os lados e dura horas ou dias, as salvas são curtas e explosivas.
Pacientes com salvas descrevem a dor como uma perfuração no olho ou explosão cerebral, com vermelhidão ocular e rinorreia. Esses traços ocorrem sempre no mesmo lado da cabeça.
Estudos recentes confirmam que 80% dos casos são episódicos, com períodos de remissão de meses a anos, mas a forma crônica afeta 20% sem intervalos longos.
O neurologista Thiago Araújo enfatiza que a confusão inicial atrasa o tratamento, agravando o impacto na qualidade de vida.

Sintomas associados e padrões sazonais
As crises de cefaleia em salvas surgem em salvas, com picos em outono e primavera, possivelmente ligados a mudanças climáticas. Victor relatou episódios mais frequentes nessas estações em Curitiba.
Durante os ataques, o paciente experimenta inquietação extrema, caminhando ou se movendo para aliviar a dor, contrastando com o isolamento típico da enxaqueca.
- Lacrimejamento e ptose palpebral são comuns em 90% dos casos.
- Congestão nasal ipsilateral aparece em 70% dos episódios.
- Náuseas ocorrem, mas sem vômitos predominantes.
A prevalência é de 0,1% a 0,4% da população, com maior incidência em homens, conforme dados epidemiológicos nacionais.
Tratamento agudo e preventivo eficaz
O manejo divide-se em fases aguda e preventiva para controlar as crises de cefaleia em salvas. Victor iniciou medicação diária, que reduziu a frequência dos episódios em meses.
Na fase aguda, a oxigenoterapia inalada aborta ataques em até 70% dos pacientes, administrada por 15 minutos a 100% de fluxo. Sumatriptano subcutâneo é outra opção rápida.
Para prevenção, verapamil é a primeira linha, com doses ajustadas para 480 mg diários. Estudos brasileiros recentes destacam galcanezumabe como alternativa inovadora, reduzindo ataques em 50% dos casos episódicos após três semanas.
Opções terapêuticas avançadas
Galcanezumab, um anticorpo monoclonal contra CGRP, representa avanço no tratamento da cefaleia em salvas no Brasil. Um estudo real-world de 2024 mostrou redução significativa em pacientes com forma episódica.
O medicamento injetável mensal é aprovado para maiores de 18 anos e integra consensos de especialistas brasileiros como segunda linha após verapamil.
Lítio e prednisona servem como transição em salvas agudas, com monitoramento cardíaco para verapamil devido a riscos de arritmia.
Bloqueios nervosos occipitais oferecem alívio adjuvante em casos refratários, com anestésicos locais.
Impacto na rotina e conscientização
Victor adaptou sua rotina com medicação contínua e remédios para náuseas, permitindo retorno ao trabalho. Ele registra crises em diário para monitorar padrões.
A conscientização cresce com campanhas anuais, como o Dia Mundial da Cefaleia em Salvas em março, promovido pela Sociedade Brasileira de Cefaleia.
Pacientes beneficiam-se de grupos de apoio online, compartilhando estratégias como evitar álcool, gatilho comum em 60% dos casos.
O diagnóstico precoce, via ressonância magnética para exclusão de secundárias, melhora prognóstico em 88% dos atendimentos especializados.







