Caio Bonfim revela bastidores da vitória mundial na marcha atlética e como perdeu aliança de valor familiarPor Carolina Costa
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O atleta Caio Bonfim, natural de Sobradinho, Distrito Federal, detalhou a conquista inédita da medalha de ouro nos 20km da marcha atlética no Mundial de Atletismo de Tóquio, em setembro de 2025. O marchador se tornou o primeiro brasileiro a alcançar o topo do pódio na prova e, com a vitória, isolou-se como o atleta do país com o maior número de medalhas em Mundiais, somando quatro pódios. A prova, marcada por um calor intenso e uma reviravolta no final, teve um desfecho surpreendente para o próprio campeão.
A vitória veio acompanhada de um drama pessoal que ganhou atenção: a perda de sua aliança de casamento durante a disputa, recuperada dias depois em uma operação que envolveu voluntários e a polícia japonesa.
A reviravolta inesperada na reta final
Bonfim, que havia conquistado a prata nos 35km da marcha atlética dias antes, nos 20km manteve-se em um ritmo estratégico, longe dos líderes no início da prova. A estratégia, orientada pela sua técnica e mãe, Gianetti Sena, era preservar energia para o ataque final, uma tática fundamental em provas longas de resistência.
No entanto, nos quilômetros finais, o japonês Toshikazu Yamanishi, então recordista mundial e favorito, recebeu uma penalização que o tirou da disputa pela ponta. Caio Bonfim, que não tinha visibilidade do ocorrido, assumiu a liderança sem saber.
- O marchador só teve a real dimensão de sua posição ao entrar no Estádio Nacional de Tóquio.
- A presença de uma faixa de chegada, reservada apenas para o primeiro colocado, foi o primeiro indício visual.
- A confirmação veio ao avistar o telão e ver seu nome no primeiro lugar.
O drama da aliança perdida em pleno circuito
Durante o percurso, o atleta perdeu sua aliança de casamento ao se hidratar com uma esponja molhada. O objeto, de grande valor sentimental e não financeiro, caiu junto com o acessório de hidratação.
A joia tinha sido feita a partir do derretimento de três alianças doadas pelos pais de Caio na época do noivado. Mesmo sentindo a perda no momento, a decisão foi seguir em frente, focado na prova e na possibilidade de uma medalha.
Mobilização e o reencontro surpreendente
Após a vitória, a busca pela aliança se tornou uma prioridade e gerou uma comoção local. Voluntários e cidadãos japoneses se engajaram na procura pela joia ao longo do percurso.
A aliança, no entanto, foi encontrada por um turista que, ao invés de entregá-la na região de Tóquio, a levou para a polícia de Osaka, a cerca de 500 quilômetros de distância. A identificação final só foi possível após a polícia enviar um e-mail com a descrição do item perdido. A descrição inusitada no setor de achados e perdidos a comparava, de forma bem-humorada, ao “anel do Senhor dos Anéis”, o que selou o reconhecimento.
Histórico de pódios e superação
A conquista de Tóquio reforça a posição de Caio Bonfim como um dos maiores nomes do atletismo. O marchador de 34 anos já era detentor de outros pódios em Mundiais.
O ouro nos 20km em 2025 é o ponto alto de sua trajetória, que inclui:
- Prata nos 35km no mesmo Mundial de Tóquio em 2025.
- Bronze nos 20km no Mundial de Budapeste em 2023.
- Bronze nos 20km no Mundial de Londres em 2017.
A medalha inédita consolidou o marchador como o brasileiro mais laureado na história dos Campeonatos Mundiais, superando o lendário velocista Claudinei Quirino, que tinha três pódios. A sequência de resultados expressivos, incluindo também a prata olímpica em Paris 2024, atesta a consistência do atleta em competições de alto nível. A performance em Tóquio, com a vitória inesperada, entra para a história como um momento de garra e recompensa.







