O cometa interestelar 2I/Borisov, o segundo objeto de origem externa detectado no Sistema Solar em 2019, sofreu fragmentação em março de 2020 após passar pelo periélio em dezembro de 2019. Observações do Telescópio Espacial Hubble revelaram que o núcleo do cometa se dividiu em dois fragmentos separados por cerca de 180 quilômetros, devido ao aquecimento solar que evaporou compostos voláteis e acelerou sua rotação até o ponto de ruptura.
Essa desintegração liberou poeira e gases, permitindo análises que mostraram semelhanças químicas com cometas do Sistema Solar, como presença de água e compostos orgânicos.
O fenômeno ocorreu a uma distância de aproximadamente 2 unidades astronômicas do Sol, destacando como o calor pode alterar a estrutura de corpos interestelares.
- Aumento repentino de luminosidade indicou ejeção de material interno.
- Imagens de 23 a 30 de março de 2020 confirmaram o alongamento do núcleo.
- Equipe liderada por David Jewitt, da UCLA, documentou o processo como um marco na astronomia.
Trajetória do 3I/ATLAS rumo ao periélio
O terceiro cometa interestelar conhecido, 3I/ATLAS, detectado em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, segue uma órbita hiperbólica com excentricidade superior a 5, confirmando sua origem fora do Sistema Solar.
Ele alcançará o periélio em 29 de outubro de 2025, a 1,36 unidade astronômica do Sol, equivalente a 203 milhões de quilômetros, entre as órbitas de Terra e Marte.
Essa proximidade expõe o objeto a intensa radiação solar, potencialmente causando aquecimento e liberação de gases, similar ao ocorrido com Borisov.
Anomalias observadas no 3I/ATLAS
Astrônomos registraram jatos de poeira e gelo apontando para o Sol em imagens recentes do Nordic Optical Telescope, capturadas entre julho e setembro de 2025.
O cometa exibe polarização negativa extrema, inédita em cometas conhecidos, e uma composição rica em dióxido de carbono e metais, sugerindo formação em ambiente frio como o Cinturão de Kuiper de outra estrela.
Sua velocidade de 245 mil quilômetros por hora e alinhamento eclíptico alimentam debates sobre possíveis origens não naturais, embora a maioria dos cientistas o classifique como cometa orgânico.
Desafios na observação atual
Desde o início de outubro de 2025, o 3I/ATLAS transita atrás do Sol da perspectiva terrestre, limitando visibilidade a telescópios coronográficos como o CCOR-1 do satélite GOES-19.
Um astrônomo amador tailandês, Worachate Boonplod, detectou o objeto em 21 de outubro, revelando coma de gás e poeira apesar do brilho solar.
Após o periélio, observações recomeçarão em novembro, com o cometa visível ao amanhecer em constelações como Virgem e Leão, atingindo magnitude 11,5.
Contribuições de sondas espaciais
A sonda Europa Clipper da NASA alinhará com a cauda iônica do 3I/ATLAS no final de outubro, potencialmente capturando partículas carregadas a 300 milhões de quilômetros do Sol.
Em 4 de novembro de 2025, a missão Juice da ESA passará a 64 milhões de quilômetros do cometa, permitindo medições multi-espectrais de sua composição.
Esses dados ajudarão a mapear a evolução pós-periélio, verificando se fragmentos surgem ou se o núcleo permanece intacto.
Lições da fragmentação de Borisov para o futuro
O colapso de 2I/Borisov forneceu dados sobre dispersão de moléculas orgânicas entre estrelas, indicando processos semelhantes de formação planetária na Via Láctea.
Análises espectrais detectaram monóxido de carbono em proporção alta, sugerindo origem em torno de anãs vermelhas, estrelas comuns na galáxia.
Para 3I/ATLAS, telescópios terrestres monitorarão mudanças em novembro e dezembro de 2025, quando o cometa se afastará, passando a 0,65 unidade astronômica de Vênus em 3 de novembro.
Observações pós-periélio em foco
Em março de 2026, o 3I/ATLAS cruzará a órbita de Júpiter a 54 milhões de quilômetros, oferecendo chance para a sonda Juno registrar interações gravitacionais e ejeções.
Astrônomos preveem que, se fragmentar, o evento liberará trilhas de poeira detectáveis por surveys celestes, ampliando o catálogo de objetos interestelares.
Essa passagem única reforça a necessidade de redes de telescópios para rastrear visitantes hiperbólicos, com velocidade relativa de 60 quilômetros por segundo.
