A defesa do ex-jogador Robinho protocolou um pedido para transferir o condenado da Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo, onde ele cumpre pena há cerca de um ano e meio. A solicitação visa centros de ressocialização em Limeira, Rio Claro ou Bragança Paulista, motivada por relatos de desconforto com a convivência interna. O documento destaca o bom comportamento do detento e a possível desativação da unidade nos próximos meses.
Juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, corregedora dos presídios da região de São José dos Campos, recebeu o requerimento e encaminhou à Secretaria da Administração Penitenciária para análise administrativa.
Motivos alegados no requerimento
A petição enfatiza a ausência de faltas disciplinares registradas contra Robinho desde sua chegada à unidade.
Argumenta-se que o ambiente atual compromete a ressocialização, com ênfase na necessidade de um local mais adequado ao perfil do preso.
Além disso, menciona a iminente reformulação da Penitenciária II, que pode afetar a estabilidade dos detentos.
Rotina atual no complexo de Tremembé
Robinho participa de atividades como cultos evangélicos, solicitados por ele à administração, e integra o time de futebol dos presos, o Tremembé Futebol Clube.
Ele doa itens como chuteiras a colegas e, em casos isolados, auxiliou na contratação de advogados para outros internos, conforme relatos de funcionários.
A Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, parte do complexo que abriga cerca de 7 mil detentos em cinco unidades, concentra presos de alta visibilidade pública.
Histórico da unidade prisional
O complexo de Tremembé ganhou notoriedade desde 2002, após a desativação do Carandiru, para receber detentos em casos de grande repercussão.
- Daniel e Cristian Cravinhos passaram pela P2 após condenação pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen em 2002.
- Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram transferidos para unidades femininas no mesmo local em 2008.
- Roger Abdelmassih cumpriu pena ali por estupros múltiplos, condenado em 2010.
- Lindemberg Alves Fernandes, pelo sequestro e morte de Eloá Pimentel em 2008, integrou o grupo de notórios.
Esses casos ilustram o perfil da unidade, projetada para isolar presos vulneráveis a constrangimentos morais ou físicos.
Audiência recente sobre privilégios
Pouco antes do pedido de transferência, Robinho prestou depoimento à Justiça sobre alegados benefícios na rotina prisional.
Ele negou qualquer tratamento diferenciado e afirmou que todos os detentos recebem igualdade nas condições.
A inspeção, conduzida pela juíza Armani, incluiu conversas com outros presos, como Thiago Brennand, e concluiu pela manutenção do status quo, sem indícios de irregularidades graves.
Posição da corregedoria e SAP
A magistrada manifestou não se opor à mudança, desde que respeitados critérios legais e disponibilidade de vagas nas unidades sugeridas.
A Secretaria da Administração Penitenciária detém autoridade para decidir transferências, sem necessidade de aval judicial prévio, conforme normativas estaduais.
Em agosto de 2025, o governo de São Paulo anunciou planos para reformular o perfil da P2, visando encerrar a designação de “presídio dos famosos” até novembro, com realocação de detentos notórios para locais como Potim.
No entanto, uma inspeção recente indicou que o plano de dispersão ampla não prosseguirá, priorizando ajustes pontuais.
Robinho, condenado a nove anos por estupro coletivo ocorrido na Itália em 2013 e validado pelo STF em 2024, permanece em regime fechado enquanto recorre de recursos pendentes. A defesa também protocolou pedidos para redução de pena e cumprimento no semiaberto, ainda em análise. O caso reflete debates sobre ressocialização em unidades superlotadas, com taxa de ocupação de 74% na P2, e a integração de atividades laborais e educacionais para 1.200 presos atualmente.
