A megaoperação policial realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, visava capturar Edgar Alves Andrade, conhecido como Doca ou Urso, principal líder em liberdade do Comando Vermelho (CV). A ação, que mobilizou 2,5 mil agentes e resultou em 121 mortes e 81 prisões, não conseguiu deter o traficante de 55 anos, que escapou com apoio de sua estrutura armada. Doca acumula 273 anotações criminais, incluindo tráfico de drogas, homicídios e extorsão, e responde por 32 mandados de prisão expedidos pela Justiça fluminense.
O governador Cláudio Castro classificou a operação como sucesso parcial, com apreensão de 93 fuzis, mas admitiu que o foragido continua coordenando ações criminosas a partir de esconderijos na região.
- Principais alvos foragidos: Doca, Gardenal e BMW.
- Recompensa elevada para R$ 100 mil pelo Disque Denúncia.
- Investigações apontam Doca como segundo na hierarquia do CV, abaixo de Marcinho VP.
Origens e ascensão no crime
Edgar Alves Andrade nasceu em Caiçara, na Paraíba, e migrou para o Rio de Janeiro nos anos 1990, onde ingressou no tráfico no Morro São Simão, em Queimados, Baixada Fluminense.
Sua trajetória incluiu gerenciamento de pontos de venda de drogas na Vila Cruzeiro, com prisão única em 2007 após confronto de 11 horas com a polícia.
Solto em 2016, recebeu ordens de Elias Maluco para comandar o Complexo da Penha, área estratégica do CV.
Com a morte de líderes em 2020, Doca assumiu o controle total, expandindo influência para a Zona Oeste.
Estrutura da Tropa do Urso
A Tropa do Urso, grupo paramilitar sob comando de Doca, utiliza táticas de guerrilha, incluindo drones para vigilância e barricadas para bloquear acessos policiais.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, descreve o bando como treinado por ex-militares e ex-policiais, com foco em defesa territorial e ataques coordenados.
Essa estrutura permitiu a fuga de Doca durante a operação, com cerca de 70 homens protegendo o líder.
Membros chave do grupo
Carlos Costa Neves, o Gardenal, atua como braço direito de Doca e tem autorização para eliminar rivais.
Pedro Paulo Guedes, conhecido como Pedro Bala, gerencia operações logísticas e treinamentos armados.
Washington César Braga da Silva, o Grandão ou Síndico da Penha, organiza a segurança pessoal do chefe.
Juan Breno Ramos, o BMW, supervisiona instruções a recrutas adolescentes, como visto em vídeos interceptados pela polícia.
Crimes e expansão territorial
Doca é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo a execução de três crianças em Belford Roxo em 2015 por furto de uma gaiola de pássaros.
Em outubro de 2023, autorizou ataque na Barra da Tijuca que matou três médicos por engano, confundidos com milicianos, e ordenou a morte dos executores após o erro.
O grupo invadiu mais de 40 favelas nos últimos três anos, tomando áreas de milícias em Jacarepaguá, Rio das Pedras e Gardênia Azul.
Além do tráfico, cobra taxas de moradores por serviços como energia, água e gás, e implanta negócios como postos de combustível improvisados.
Em abril de 2025, comparsas atacaram uma delegacia em Duque de Caxias para resgatar um preso, mas falharam.
Estratégias de evasão e impacto
O Disque Denúncia registrou 155 denúncias após elevar a recompensa para R$ 100 mil, o maior valor histórico para um foragido.
Interceptações telefônicas revelam uso de grupos de WhatsApp por Doca para gerenciar torturas e execuções no Complexo da Penha.
A polícia monitorou o traficante por mais de um ano, mas sua rede de proteção, incluindo a Tropa do Urso, frustrou a captura.
Curi afirma que a prisão de Doca é questão de tempo, com foco em desmantelar finanças e armas da facção.

