A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) confirmou que o cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar a ser detectado atravessando o Sistema Solar, acelerou significativamente em sua rota de saída. O evento ocorreu após a máxima aproximação do Sol, o chamado periélio, registrada em 29 de outubro de 2025, a uma distância de 1,4 unidades astronômicas (210 milhões de quilômetros). Essa alteração de velocidade e trajetória, impulsionada pela influência gravitacional solar, elevou a velocidade atual do cometa para cerca de 244 mil quilômetros por hora, sem apresentar risco de colisão com a Terra ou outros planetas.
Astrônomos identificaram o cometa em 1º de julho de 2025, por meio do telescópio ATLAS, no Chile. Sua órbita, caracterizada como hiperbólica com excentricidade superior a 6, confirma sua origem externa e a natureza de sua passagem, indicando que ele deixará permanentemente o Sistema Solar após o periélio. A próxima aproximação à Terra está prevista para dezembro, quando passará a 1,8 UA (270 milhões de quilômetros).
Observações preliminares realizadas por telescópios, como o James Webb em agosto, trouxeram informações cruciais sobre a composição química do objeto. Os dados indicam uma predominância notável de dióxido de carbono na coma, a nuvem que envolve o núcleo do cometa.
Origem e elementos químicos do cometa 3I/ATLAS
Dados obtidos pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) em agosto de 2025 confirmaram a presença de vapores de monóxido de carbono e hidroxila no cometa. Esses compostos se formam em ambientes extremamente frios e distantes, reforçando a hipótese de uma origem remota fora do Sistema Solar.
Essa composição química é considerada inusual, pois a coma do cometa apresenta uma alta concentração de CO₂, que é oito vezes maior que a proporção de água, além de compostos halogenorgânicos e a ausência de ferro ligado a níquel. Tais características desafiam os modelos tradicionais de cometas conhecidos que orbitam o Sol.
- Alta concentração de dióxido de carbono na coma foi um dos achados do JWST;
- Vapores de monóxido de carbono foram detectados em agosto de 2025;
- A idade estimada do cometa está entre 7 e 14 bilhões de anos, o que o torna anterior ao nosso Sistema Solar.
O objeto interestelar, com um diâmetro que varia entre 440 metros e 5,6 quilômetros, tem apresentado uma atividade estável, sem explosões ou fragmentações. A cor avermelhada observada pelo Hubble em julho sugeriu inicialmente a presença de poeira rica em silicatos, mudando para tons mais azuis próximos ao periélio devido a emissões ionizadas.
Monitoramento astronômico global e trajetória de saída
O monitoramento do cometa 3I/ATLAS tem sido intensificado, com astrônomos de diversas instituições coordenando observações desde novembro de 2025. Telescópios situados no Chile, Havaí e Austrália participam da campanha de rastreamento do objeto.
Em julho, o Hubble registrou imagens mostrando a coma do cometa em formato de gota, com poeira ejetada. A Agência Espacial Europeia (ESA) também contribuiu, utilizando a sonda Mars Express em outubro para coletar dados a uma distância de 19 milhões de milhas.
Essa coordenação global é essencial para maximizar a coleta de informações antes que o cometa se afaste definitivamente. A missão Juice, por exemplo, tentará capturar imagens e dados em novembro usando suas câmeras e espectrômetros de alta precisão.
O objeto segue sua órbita hiperbólica, que foi confirmada por medições realizadas pelo Minor Planet Center. Sua aceleração para 244 mil km/h ocorreu após o periélio, e até o momento, não foi detectada nenhuma aceleração não gravitacional, indicando que o aumento de velocidade é resultado da interação com a gravidade solar.
Passagens planetárias e contribuições para a ciência
A trajetória de saída do cometa 3I/ATLAS inclui passagens relativamente próximas a planetas do Sistema Solar. Em novembro de 2025, o objeto passará por Vênus a uma distância de 97 milhões de quilômetros, antes de se aproximar da Terra em dezembro.
Em março de 2026, o cometa terá um encontro mais próximo com Júpiter, passando a 54 milhões de quilômetros do gigante gasoso. Essas aproximações, apesar de distantes, oferecem oportunidades valiosas para estudar as interações gravitacionais do objeto interestelar com planetas massivos.
As pesquisas visam mapear a química interestelar e aprimorar a compreensão sobre objetos transientes. Dados do Telescópio Webb indicam a presença de gelo de água e sulfeto de carbonila, mas a ausência de uma cauda proeminente pós-periélio, notada em 5 de novembro, questiona modelos de ejeção de poeira e voláteis.
A órbita hiperbólica do cometa, alinhada a cerca de 5 graus do plano eclíptico, exclui a possibilidade de sua captura pela gravidade solar. A trajetória sugere que ele foi ejetado de outro sistema estelar há bilhões de anos, com estudos indicando uma possível formação no centro da Via Láctea.
A composição única, que se destaca pela falta de ferro ligado a níquel, é um ponto focal para testar novas hipóteses sobre a evolução de cometas. As descobertas feitas com o 3I/ATLAS contribuem significativamente para a área de estudos de exoplanetas e a formação estelar em outras regiões da galáxia.

