A Netflix informou à diretoria da Warner Bros. Discovery que manteria os lançamentos de filmes do estúdio nos cinemas, caso finalize a aquisição dos ativos de estúdios e streaming. A proposta ocorre em meio a uma revisão estratégica iniciada pela Warner em outubro, após receber interesses não solicitados de potenciais compradores. A companhia, sediada em Burbank, na Califórnia, avalia opções que incluem a separação de seus negócios ou vendas parciais, com prazos previstos para meados de 2026.
Executivos da Netflix destacam que a medida respeitaria contratos existentes da Warner, que envolvem parcerias com exibidores e distribuidores globais. Essa abordagem contrasta com a estratégia tradicional da plataforma de streaming, que prioriza estreias diretas em suas contas. A iniciativa visa facilitar negociações e preservar o valor dos acordos vigentes.
A disputa pela Warner Bros. Discovery ganhou forma com ofertas preliminares apresentadas nesta semana por três gigantes do setor. Paramount Skydance, Comcast e Netflix submeteram propostas não vinculantes, focadas em partes ou na totalidade dos ativos da empresa.
Compromisso com os cinemas impulsiona proposta da Netflix
A Netflix contratou o banco de investimentos Moelis & Co. para avaliar uma oferta disciplinada pelos estúdios e serviços de streaming da Warner. Fontes indicam que a plataforma obteve acesso a dados financeiros da companhia, permitindo uma análise detalhada das operações.
Essa garantia de continuidade nos cinemas atende a preocupações de parceiros da Warner, que dependem de bilheterias para receitas. A Warner Bros. Pictures lidera o mercado norte-americano em 2025, com sucessos que somaram mais de US$ 2 bilhões em arrecadação global até novembro.
Ofertas concorrentes marcam fase inicial da disputa
Paramount Skydance apresentou uma proposta pela Warner Bros. Discovery inteira, incluindo redes de TV a cabo como CNN e HBO. A oferta, avaliada em cerca de US$ 23,50 por ação, representa um valor total próximo a US$ 60 bilhões, com 80% em dinheiro e 20% em ações.
Comcast, controladora da NBCUniversal, foca nos estúdios e no HBO Max, visando integrar franquias como DC Comics e Harry Potter a seus parques temáticos. A companhia busca elevar sua presença digital, onde detém 15% do mercado de streaming nos EUA.
- Netflix prioriza ativos de produção e distribuição, excluindo canais lineares.
- Paramount enfatiza sinergias em cinema, alcançando 32% do mercado norte-americano de salas.
- Comcast integra propostas com foco em conteúdo para Peacock, seu serviço de streaming.
A Warner Bros. Discovery rejeitou ofertas iniciais da Paramount por considerá-las baixas, mas prossegue com avaliações. O conselho da empresa planeja contatar os licitantes em breve para negociações avançadas.
Estratégia de divisão da Warner Bros. Discovery
A companhia anunciou em outubro a revisão de alternativas para maximizar valor aos acionistas. O plano original prevê a separação em duas entidades: uma com estúdios, HBO e Max, e outra com Discovery Global e canais lineares.
David Zaslav, CEO da Warner, lideraria a divisão de estúdios, enquanto Gunnar Wiedenfels assumiria a Discovery Global. Essa estrutura aliviaria a dívida de US$ 40 bilhões acumulada após a fusão com a WarnerMedia em 2022.
O processo inclui acordos de confidencialidade assinados pelos interessados. Analistas apontam que uma venda integrada evitaria demissões em massa, comuns em reestruturações do setor.
Detalhes das negociações em curso
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, afirmou em outubro que a empresa avalia aquisições baseadas em oportunidades de escala e fortalecimento de conteúdo. A plataforma, com 280 milhões de assinantes globais, vê na Warner uma expansão para bibliotecas como Casablanca e o universo DC.
A Paramount, recém-adquirida pela Skydance, busca contrabalançar rivais como Disney com a combinação de HBO Max e Paramount+. Investidores do Golfo, incluindo o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, apoiam a iniciativa.
Comcast, por sua vez, posiciona a oferta como complemento à Universal Pictures. A companhia reportou crescimento de 12% em receitas de streaming no terceiro trimestre de 2025.
Histórico de fusões no setor de entretenimento
A Warner Bros. Discovery surgiu da aquisição da WarnerMedia pela Discovery em 2022, por US$ 43 bilhões. Essa transação gerou desafios regulatórios e ajustes operacionais, com corte de 4 mil vagas em dois anos.
A Netflix, fundada em 1997, evoluiu de aluguel de DVDs para líder em streaming, investindo US$ 17 bilhões em conteúdo original em 2025. Sua entrada em aquisições tradicionais marca uma mudança estratégica.
- Fusão AT&T-Time Warner (2018): Aprovada após disputa judicial, criou a WarnerMedia.
- Aquisição Skydance-Paramount (2025): Valorada em US$ 8 bilhões, fortaleceu estúdios.
- Plano Comcast-NBC (2011): Integração aprovada gerou US$ 40 bilhões em sinergias.
Essas operações moldam o mercado, onde consolidações respondem à queda de 20% em assinaturas lineares desde 2020.
Implicações para o mercado de streaming
O HBO Max detém 95 milhões de assinantes, com ênfase em produções premium como Succession. Uma integração com a Netflix poderia unificar 375 milhões de usuários, alterando dinâmicas de licenciamento.
Exibidores de cinema, como AMC e Cinemark, monitoram as propostas, pois 70% das receitas da Warner vêm de bilheterias híbridas. A garantia da Netflix mitiga riscos para esses parceiros.
Reguladores antitruste, como o Departamento de Justiça dos EUA, examinam impactos em concorrência. Aprovações semelhantes ocorreram em fusões passadas, mas com condições para preservação de diversidade de conteúdo.
