Ibovespa supera 159 mil pontos e atinge recorde histórico com dólar recuando para R$ 5,33 em novembroPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
O mercado financeiro registrou um dia de otimismo nesta sexta-feira (28), com o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), renovando sua máxima histórica ao ultrapassar a marca de 159 mil pontos pela primeira vez. O movimento foi acompanhado pela queda do dólar comercial, que encerrou o pregão cotado a R$ 5,335, em um cenário influenciado por dados econômicos positivos e anúncios corporativos relevantes.
A reação positiva dos investidores foi impulsionada principalmente pela divulgação de que a taxa de desemprego no país caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro. O resultado, considerado o menor patamar desde 2012, fortaleceu as expectativas de um possível novo corte na taxa básica de juros, a Selic, o que tende a tornar a renda variável mais atrativa para o capital.
No campo corporativo, o novo plano de investimentos da Petrobras, que prevê aportes de US$ 109 bilhões entre 2026 e 2030, também esteve no radar. Somado ao forte desempenho de ações de grande peso, como as do setor bancário e da Vale, o ambiente se mostrou favorável para a continuidade da trajetória de alta da bolsa, que fecha o mês de novembro com uma valorização acumulada de 6,11%.
Desempenho do Ibovespa impulsionado por grandes empresas
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,70%, aos 159.231 pontos, consolidando o quarto mês consecutivo de ganhos e superando as projeções de muitos analistas de mercado. O volume financeiro negociado no dia foi de R$ 6,42 bilhões, considerado mais baixo que a média devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, que reduziu a liquidez global. Mesmo com a menor participação de investidores estrangeiros, o fluxo positivo foi suficiente para sustentar o avanço, com os setores de materiais básicos e financeiro liderando as altas. A performance reflete a confiança na resiliência da economia local e na capacidade de as empresas listadas gerarem resultados consistentes.
Entre os principais vetores do índice, a Vale (VALE3) se destacou com uma alta superior a 1%, impulsionada pelo anúncio de distribuição de dividendos no valor de R$ 3,58 por ação, totalizando um pagamento de US$ 2,85 bilhões. Já a Petrobras (PETR4), após uma queda inicial de 2% em reação ao seu robusto plano de investimentos, conseguiu reverter parte das perdas ao longo do dia. A teleconferência com analistas ajudou a esclarecer os detalhes do plano, o que acalmou o mercado e demonstrou uma visão de longo prazo para a companhia, focada em transição energética e exploração de novas fronteiras.
Movimentação do dólar e fatores cambiais
O dólar comercial operou em território negativo durante toda a sexta-feira, refletindo o otimismo interno. A moeda norte-americana registrou uma mínima de R$ 5,324 e uma máxima de R$ 5,358, fechando com uma variação negativa de 0,31% em relação ao dia anterior.
A desvalorização da moeda está diretamente ligada aos indicadores econômicos favoráveis, com destaque para a queda no desemprego. Esse dado reforça a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para reduzir a Selic, o que, por um lado, diminui a atratividade da renda fixa para o capital estrangeiro, mas por outro, sinaliza uma economia mais aquecida e controlada.
O movimento do dia também foi influenciado pela formação da Ptax de final de mês, uma taxa de câmbio referencial calculada pelo Banco Central. A disputa entre investidores comprados e vendidos em dólar para posicionar a cotação em níveis favoráveis aos seus contratos futuros adicionou volatilidade ao pregão.
Atualização nas criptomoedas principais
O mercado de ativos digitais apresentou um comportamento misto, com o bitcoin sendo negociado a US$ 91.936, uma leve alta de 1,1% nas últimas 24 horas. Apesar do ganho diário, a principal criptomoeda do mercado acumula uma queda de 7,7% no mês, indicando um período de correção após fortes altas anteriores. O valor total de mercado de todos os ativos digitais somava US$ 3,19 trilhões, mostrando a relevância do setor no cenário financeiro global. A estabilização do bitcoin acima dos US$ 91.000 é vista por analistas como um sinal de consolidação, enquanto o mercado aguarda novas diretrizes da política monetária norte-americana, que podem influenciar o apetite por ativos de risco. A correlação entre o mercado cripto e os índices de tecnologia, como o Nasdaq, continua sendo um fator monitorado de perto pelos investidores que buscam diversificação e exposição a novas tecnologias financeiras.
Ações em foco na B3
As ações da Petrobras (PETR4) fecharam com perda de 1,2%, mas o movimento foi considerado uma acomodação após a divulgação do plano de US$ 109 bilhões.
Os papéis de grandes bancos, como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), registraram ganhos de 0,8% e 0,6%, respectivamente, beneficiados pela perspectiva de juros menores e pela melhora no cenário de crédito.
No setor de educação, a Cogna (COGN3) continua sendo um dos destaques do ano, com uma valorização acumulada que ultrapassa 240%, fruto de uma bem-sucedida reestruturação operacional.
Empresas de energia, como Cemig e Copel, também avançaram, atraindo investidores com suas receitas resilientes e políticas de pagamento de dividendos consistentes.
- Vale (VALE3): Avanço de 1,2%, impulsionado por dividendos de US$ 2,85 bilhões.
- Itaú (ITUB4): Ganho de 0,8%, com foco em expansão de receitas no segundo semestre.
- Bradesco (BBDC4): Alta de 0,6%, beneficiado por margens preservadas apesar de juros elevados.
Fatores macroeconômicos influentes
A taxa de desemprego em 5,4% é um sinal claro de aquecimento do mercado de trabalho, o que tende a elevar o consumo das famílias e sustentar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2025.
Outro dado relevante foi o IGP-M, que subiu 0,27% em novembro, ficando abaixo das expectativas do mercado. O resultado indica uma moderação nos preços ao produtor e alivia as pressões inflacionárias, dando mais conforto para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Novidades no setor de energia
A Eletrobras (ELET6), que agora opera sob a marca Axia Energia, viu suas ações subirem 0,4%. O avanço ocorreu em meio à sua migração para o Novo Mercado da B3, o mais alto nível de governança corporativa da bolsa, movimento que tende a aumentar a liquidez e a atratividade de seus papéis para investidores institucionais.








