O cometa interestelar 3I/ATLAS, detectado em julho de 2025 pelo sistema ATLAS no Chile, atravessa o Sistema Solar interno em alta velocidade. Astrônomos da NASA e da Agência Espacial Europeia monitoram o objeto, o terceiro confirmado de origem externa à nossa galáxia. Sua passagem oferece dados valiosos sobre formação de planetas em outros sistemas estelares.
Em 19 de dezembro, o cometa atingirá a distância mínima de 170 milhões de quilômetros da Terra, sem representar ameaça. Observações recentes, incluindo imagens do telescópio Hubble, destacam sua coma ativa e caudas alongadas.
A descoberta ocorreu quando o cometa estava a 420 milhões de quilômetros da Terra, movendo-se a 221 mil quilômetros por hora. Sua trajetória hiperbólica confirmou a origem interestelar, similar aos casos de 1I/Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019.
- Velocidade média: 221.000 km/h ao entrar na órbita de Júpiter.
- Diâmetro estimado do núcleo: entre 440 metros e 5,6 quilômetros.
- Atividade inicial detectada: possivelmente em maio de 2025, a 6,4 unidades astronômicas do Sol.
Descoberta e confirmação inicial
O sistema ATLAS, financiado pela NASA e operado pela Universidade do Havaí, identificou o cometa em 1º de julho de 2025, no observatório de Río Hurtado. Inicialmente classificado como possível asteroide, observações subsequentes revelaram coma e cauda, confirmando sua natureza cometária em 2 de julho.
Telescópios terrestres, como o Deep Random Survey no Chile e o Canada-France-Hawaii em Mauna Kea, capturaram alongamentos de três segundos de arco na cauda. O Nordic Optical Telescope verificou a aparência difusa, ativa, com cor avermelhada na coma, indicativa de poeira.
Astrônomos notaram que a detecção tardia ocorreu devido à passagem em frente ao centro galáctico denso, dificultando a visualização.
Previsões iniciais usaram dados de junho, estendendo observações retroativas. A designação 3I reflete sua posição como terceiro objeto interestelar.
Nuevas imágenes de 3I/ATLAS. Hubble ha observado de nuevo el cometa interestelar 3I/ATLAS, esta vez utilizando su instrumento Wide Field Camera 3 cuando se encontraba a 286 millones de kilómetros de la Tierra. pic.twitter.com/NGno1zjVJ1
— Doctor Fisión (@doctorfision) December 6, 2025
Monitoramento por missões espaciais
A NASA mobilizou 12 ativos espaciais para rastrear o 3I/ATLAS, incluindo o Hubble, que fotografou o cometa em 21 de julho a 365 milhões de quilômetros. Em 30 de novembro, nova imagem mostrou o objeto a 286 milhões de quilômetros, com estrelas estriadas pelo movimento.
A sonda Juice da ESA, rumo a Júpiter, usou cinco instrumentos e sua NavCam em novembro, a 66 milhões de quilômetros, registrando caudas de plasma e poeira. O Mars Reconnaissance Orbiter capturou o cometa em 2 de outubro, a 29,9 milhões de quilômetros de Marte.
O rover Perseverance pausou explorações em Marte para imagens com Mastcam-Z em 4 de outubro, enquanto MAVEN detectou a coma em 9 de outubro.
- Hubble: Imagens de julho e novembro, focando núcleo e poeira em forma de lágrima.
- Psyche: Quatro observações em setembro, a 53 milhões de quilômetros.
- Lucy: Superposição de imagens em 16 de setembro, próximo a Marte.
- SOHO: Vislumbre em outubro, apesar da proximidade solar.
Características físicas e composição
O cometa exibe coma extensa de gás e poeira, com duas caudas: uma de plasma ionizado e outra de partículas sólidas. No periélio, em 30 de outubro a 1,4 unidades astronômicas do Sol, a atividade aumentou, liberando gases a ritmos elevados.
Análises do SPHEREx entre 7 e 15 de agosto identificaram gelo de água, dióxido de carbono e metanol em proporções altas. A produção de metanol atinge 40 quilos por segundo, quatro vezes superior a cometas locais, sugerindo núcleo rico em voláteis.
Estudos indicam razão CO2-água de 1,4, similar a objetos solares, mas com CO2 abundante, possivelmente limitando sublimação de água. A cor avermelhada da coma evoluiu em julho, apontando mudanças superficiais.
O núcleo pode ter até 7 bilhões de anos se originado do disco espesso da Via Láctea, mais antigo que o Sistema Solar.
Observações de telescópios terrestres e orbitais
Telescópios como o Gemini South no Chile registraram a fase ativa em outubro, com caudas alongadas. O James Webb Space Telescope analisou a estrutura química, detectando moléculas orgânicas como hidrogênio-cianeto em baixas quantidades.
Em outubro, orbitadores de Marte, incluindo ExoMars Trace Gas Orbiter e Mars Express, triangularem dados com telescópios terrestres, melhorando a precisão orbital em fator de 10. O Trace Gas Orbiter capturou imagens, enquanto Mars Express usou exposições curtas.
STEREO da NASA observou de 11 de setembro a 2 de outubro, rastreando a passagem solar. Observações continuam visíveis até setembro de 2025 para telescópios terrestres, reaparecendo em dezembro.
A campanha IAWN, ativada em novembro, coordena rastreamento global de 27 de novembro de 2025 a 27 de janeiro de 2026, testando defesas planetárias apesar da ausência de risco.
Importância para estudos interestelares
O 3I/ATLAS fornece insights sobre química em sistemas distantes, com emissões de moléculas pré-bióticas como metanol sugerindo diversidade galáctica. Sua estabilidade, sem explosões até agosto, contrasta com 2I/Borisov, que fragmentou.
Astrônomos espanhóis detectaram possíveis vulcões de gelo no núcleo, um “eslabão perdido” para entender criovulcões em cometas. Dados da Juice serão divulgados em fevereiro de 2026, mapeando a saída do Sistema Solar.
A missão Comet Interceptor da ESA, lançada em 2029, visa interceptar objetos semelhantes, usando o 3I/ATLAS como caso de teste. Observações reforçam a detecção precoce via ATLAS, expandindo o catálogo de visitantes interestelares.
Trajetória e próximos eventos
O cometa segue para fora do Sistema Solar após o periélio, invisível brevemente atrás do Sol. Em dezembro, telescópios espaciais como Hubble continuarão o monitoramento, capturando sua diminuição de brilho.
A velocidade de 60 quilômetros por segundo mantém a distância segura, a 1,8 unidades astronômicas da Terra. Previsões indicam saída interestelar permanente, sem retorno.
Atualizações da NASA e ESA incluem FAQs em sites oficiais, com animações da trajetória. A passagem reforça colaborações internacionais em astrometria.
