França pede adiamento de votações decisivas no acordo Mercosul-UE e gera incertezaPor Beatriz
3 min de leitura
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A França pediu à União Europeia o adiamento das votações previstas para a próxima semana sobre o acordo comercial com o Mercosul.
O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que as condições não estão reunidas para aprovar a autorização de assinatura.
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O pedido ocorreu neste domingo, 14 de dezembro, e visa obter mais proteções para a agricultura europeia.
A assinatura do acordo está agendada para 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, durante cúpula do Mercosul.
Principais opositores ao tratado
A resistência principal vem da França e da Polônia, que temem concorrência de produtos agropecuários sul-americanos.
- Carne bovina, aves, açúcar e soja estão entre os itens sensíveis para agricultores europeus.
- Países como Alemanha, Espanha e Portugal apoiam o acordo.
- A Itália aparece como decisiva, com posição favorável recente, mas ainda cautelosa.
Diplomatas indicam que oposição de França, Polônia e Itália poderia bloquear a aprovação por maioria qualificada.

Requisitos para aprovação na UE
O acordo precisa de aval do Parlamento Europeu por maioria simples e do Conselho Europeu por maioria qualificada.
No Conselho, exige apoio de pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco.
Votações estão marcadas entre 16 e 19 de dezembro.
Mecanismos de salvaguarda aprovados recentemente permitem suspender tarifas preferenciais em caso de aumento excessivo de importações.
Essas medidas visam proteger setores agrícolas europeus.
O Parlamento Europeu deve votar as salvaguardas na terça-feira, 16 de dezembro.
Histórico das negociações
As tratativas entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999.
O entendimento político ocorreu em 2024, após 25 anos de discussões.
Se concluído, o pacto cria zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de habitantes e PIB combinado de 22 trilhões de dólares.
Reduções tarifárias beneficiam exportações industriais europeias e agropecuárias sul-americanas.
Posição do governo brasileiro
Fontes do governo brasileiro avaliam que adiamento pode significar o fim definitivo das negociações.
Um recuo europeu levaria o Brasil a priorizar parcerias comerciais na Ásia.
Em 2025, a China comprou 94 bilhões de dólares em produtos brasileiros.
Esse valor supera em mais do dobro as compras da União Europeia, de 45 bilhões de dólares.
Salvaguardas agrícolas em debate
A Comissão Europeia introduziu cláusulas para suspender vantagens tarifárias se importações do Mercosul crescerem mais de 5% em relação ao ano anterior.
Essas salvaguardas foram aprovadas no Comitê de Comércio Internacional da UE.
Agricultores franceses criticam o acordo por diferenças em normas ambientais e sanitárias.
O mecanismo busca equilibrar acesso a mercados sensíveis como carne e açúcar.
Voto decisivo da Itália
A Itália, com cerca de 59 milhões de habitantes, representa peso populacional chave na votação.
Diplomatas brasileiros e europeus calculam que rejeição italiana, somada a França e Polônia, inviabilizaria o acordo.
Recentemente, representantes italianos sinalizaram apoio, mas com ressalvas para proteger produtores locais.
O governo de Giorgia Meloni prioriza garantias para o setor agrícola italiano.
Consequências de possível fracasso
Diplomatas europeus afirmam que sem assinatura agora, o acordo pode estar “morto”.
O Brasil vê o tratado como reforço ao multilateralismo em cenário de protecionismo global.
Alternativa seria intensificar acordos com países asiáticos, especialmente China.
O Mercosul mantém consenso interno para assinatura imediata.














