Acusado de homicídio em campus no Kentucky é liberado após júri popular aceitar tese de legítima defesaPor Jeronimo Santos
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Um grande júri do condado de Franklin, no Kentucky, optou por não indiciar formalmente Jacob Lee Bard, de 48 anos, pela morte de um estudante durante um tiroteio ocorrido no campus da Kentucky State University (KSU). O incidente, que também deixou outro estudante ferido, aconteceu no dia 9 de dezembro e gerou grande apreensão na comunidade acadêmica. Bard, que havia sido preso sob acusações de homicídio e agressão em primeiro grau, foi liberado após a deliberação.
A decisão, conhecida no sistema legal americano como “No True Bill”, significa que os jurados consideraram as evidências insuficientes para prosseguir com um julgamento criminal, validando a alegação de que Bard agiu em legítima defesa para proteger sua família durante uma briga generalizada. Com isso, o caso contra ele foi oficialmente encerrado pelas autoridades judiciais locais.
O estudante que morreu no confronto foi identificado como De’Jon Darrell Fox Jr., de 19 anos, natural de Indianapolis. A universidade e as autoridades locais lamentaram o ocorrido e iniciaram investigações paralelas para apurar a conduta de outros indivíduos envolvidos na confusão que precedeu os disparos.
A reconstrução do dia do incidente
A polícia de Frankfort foi acionada para o campus da KSU por volta das 15h10 do dia 9 de dezembro, após receber relatos de disparos de arma de fogo. Ao chegarem ao local, próximo ao dormitório Whitney M. Young Jr., os agentes encontraram Jacob Lee Bard já detido pela polícia do campus. Testemunhas relataram que uma grande altercação física envolvendo dezenas de pessoas escalou rapidamente, culminando no momento em que Bard utilizou uma arma de fogo.
Em seu depoimento inicial, Bard admitiu ser o autor dos disparos, mas justificou sua ação como uma medida desesperada para proteger seus filhos e sua esposa, que estavam sendo ameaçados por um grupo numeroso e agressivo. Ele explicou que estava na universidade justamente para retirar seus dois filhos da instituição, motivado por uma série de incidentes violentos e ameaças que vinham ocorrendo nas semanas anteriores e que, segundo ele, a administração da universidade não havia solucionado.
O histórico de violência anterior
A defesa de Bard apresentou ao júri um preocupante histórico de eventos que serviram como pano de fundo para a tragédia. Segundo os advogados, a decisão da família de retirar os filhos da KSU foi a culminação de um clima de insegurança que se tornou insustentável. Entre os episódios relatados, destacou-se uma invasão ao quarto de um dos filhos em outubro, onde o alarme de incêndio foi acionado e as câmeras de segurança foram sabotadas com extintores.
A situação se agravou drasticamente nos dias que antecederam o tiroteio. Três dias antes, o filho de Bard e seus amigos teriam sido emboscados e agredidos por um grupo de 15 a 20 pessoas. No dia anterior ao confronto fatal, um novo ataque ocorreu, desta vez envolvendo entre 20 e 30 indivíduos que utilizaram tacos de beisebol e armas brancas para intimidar os estudantes no dormitório. Esses eventos foram cruciais para a argumentação da defesa de que a família estava sob grave ameaça.
A tese de legítima defesa aceita pelo júri
Os advogados do escritório Danks & Danks, responsáveis pela defesa de Jacob Lee Bard, sustentaram que o uso de força letal foi uma ação justificada sob a lei do Kentucky, que permite a autodefesa em situações de perigo iminente de morte ou lesão corporal grave. Eles descreveram uma cena caótica, na qual a família Bard estava sendo escoltada pela segurança do campus para fora do prédio quando foi cercada por um grupo de 20 a 30 pessoas, muitas delas com os rostos cobertos por máscaras e capuzes, dificultando a identificação. A confusão começou no lobby do dormitório e rapidamente se espalhou para a área externa. Foi nesse momento que Bard, temendo pela vida de seu filho que estava sendo agredido, pegou a pistola de sua esposa e, após tentar intervir fisicamente sem sucesso, disparou para neutralizar a ameaça que considerava letal. A análise das evidências e dos testemunhos pelo grande júri corroborou essa versão dos fatos, levando à decisão de não prosseguir com o indiciamento.
Os desdobramentos legais e a libertação
Antes mesmo da decisão do júri, a família de Bard já havia conseguido sua libertação provisória mediante o pagamento de uma fiança estipulada em 100 mil dólares, o que correspondia a 10% do valor total de 1 milhão de dólares fixado inicialmente pelo tribunal. Ele deixou o centro de detenção do condado de Franklin na manhã de terça-feira, horas antes da deliberação final que selou o encerramento do processo criminal contra ele.
Embora Bard não enfrente mais acusações, as autoridades locais informaram que a investigação sobre o tumulto generalizado continua. Existe a possibilidade de que outras pessoas envolvidas na briga que resultou no tiroteio sejam identificadas e acusadas formalmente por crimes como agressão, desordem e participação em motim, dependendo do que for apurado nas próximas etapas da investigação policial.
Reação da universidade e da comunidade
A Kentucky State University, uma instituição pública historicamente negra com aproximadamente 2.200 alunos, classificou o incidente como um evento isolado, mas que abalou profundamente a rotina do campus. As aulas e atividades foram suspensas imediatamente após o ocorrido, que aconteceu durante a semana de provas finais do semestre. A administração da universidade disponibilizou serviços de apoio psicológico e aconselhamento para estudantes e funcionários afetados pela violência.
O governador do Kentucky, Andy Beshear, manifestou-se logo após o ocorrido, pedindo orações pelas famílias de todos os envolvidos e reforçando o compromisso das forças de segurança estaduais em garantir a segurança nos campi universitários. O caso reacendeu o debate sobre as medidas de segurança em instituições de ensino superior nos Estados Unidos e sobre a eficácia dos protocolos para lidar com ameaças e violência entre estudantes.
O futuro da segurança no campus
Este foi o segundo incidente envolvendo armas de fogo na região do campus da KSU em 2025. Em agosto, um outro tiroteio já havia deixado duas pessoas feridas, embora elas não fossem estudantes da instituição. A repetição de episódios violentos levanta questionamentos sobre as estratégias de segurança adotadas pela universidade e a necessidade de revisões para prevenir futuras tragédias.
A administração da KSU afirmou em comunicado que está revisando todos os seus protocolos de segurança e colaborando ativamente com a polícia de Frankfort para fortalecer a vigilância e a resposta a incidentes. Medidas como o aumento do patrulhamento, a instalação de mais câmeras de segurança e a criação de canais de denúncia mais eficientes estão sendo consideradas para restaurar a sensação de segurança entre os alunos e funcionários.
Investigação sobre outros envolvidos
Com o encerramento do caso contra Jacob Lee Bard, o foco das investigações se volta para os demais participantes da confusão. As autoridades analisam vídeos de segurança e depoimentos para identificar os responsáveis pelas agressões que antecederam os disparos e determinar se houve premeditação nos ataques relatados pela família Bard. A comunidade acadêmica aguarda os resultados, esperando que a responsabilização de todos os envolvidos possa trazer um fechamento para este capítulo doloroso na história da universidade e evitar que eventos semelhantes se repitam no futuro.








