Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

A circulação de vírus respiratórios se intensifica em determinadas épocas do ano, colocando em alerta pais e responsáveis por recém-nascidos e crianças pequenas. Entre as doenças mais comuns e preocupantes está a bronquiolite, uma infecção aguda das vias aéreas inferiores que pode evoluir rapidamente, exigindo atenção médica imediata. Na maioria dos casos, o principal agente causador é o vírus sincicial respiratório (VSR), altamente contagioso e responsável por uma parcela significativa das internações pediátricas por problemas respiratórios.

A infecção afeta diretamente os bronquíolos, que são as ramificações mais finas dos brônquios dentro dos pulmões. Quando inflamados, esses pequenos tubos se enchem de muco e incham, dificultando a passagem do ar. Para bebês, cujas vias aéreas já são naturalmente estreitas, essa obstrução representa um risco elevado de insuficiência respiratória, tornando a identificação precoce dos sintomas um fator crucial para um desfecho positivo.

Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro

Segundo especialistas, o VSR é responsável por cerca de 75% de todos os diagnósticos de bronquiolite, especialmente em crianças com menos de dois anos de idade. Nessa faixa etária, a vulnerabilidade do sistema imunológico ainda em desenvolvimento e o pequeno calibre das vias respiratórias contribuem para uma maior severidade da doença, elevando as taxas de hospitalização e, em casos mais graves, a mortalidade.

O mecanismo de ação do vírus no corpo

A bronquiolite é uma síndrome respiratória que se instala após o vírus infectar e se multiplicar nas células do sistema respiratório superior, como nariz e garganta. A partir daí, ele migra para as vias aéreas inferiores, desencadeando uma resposta inflamatória intensa nos bronquíolos. O infectologista Alexandre Naime Barbosa detalha o processo: “Você respira o ar, que passa pela boca, pela garganta, vai para a laringe, faringe e depois para os brônquios e bronquíolos. O VSR inflama desde o nariz até os bronquíolos. Quando inflama, junta muita secreção, gerando o famoso chiado no peito”. A pneumologista pediátrica Karina Pierantozzi Vergani complementa, explicando que o acúmulo de muco impede a chegada adequada de ar aos alvéolos pulmonares, que são as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. Com menos oxigênio chegando à corrente sanguínea, o corpo da criança precisa trabalhar muito mais para respirar, gerando um quadro de cansaço extremo e dificuldade respiratória visível.

Sinais iniciais que merecem atenção

A doença geralmente começa com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, o que pode confundir os pais nos primeiros dias. Os sinais iniciais mais frequentes incluem febre baixa, coriza clara e tosse seca e insistente.

É comum que a criança também apresente irritabilidade e uma leve perda de apetite, reflexo do mal-estar geral causado pela infecção viral em seu estágio inicial.

Esses sintomas podem durar de dois a três dias antes de a infecção progredir para as vias aéreas inferiores, momento em que o quadro clínico tende a se agravar.

O acompanhamento atento dessa fase é fundamental, pois a transição para sintomas mais graves pode ocorrer de forma súbita, especialmente em bebês com menos de seis meses.

Sintomas de alerta para buscar ajuda médica

Após a fase inicial, a inflamação dos bronquíolos se intensifica, e os sintomas se tornam mais característicos e preocupantes. A tosse se torna mais produtiva e persistente, muitas vezes ocorrendo em crises que deixam a criança exausta e podem até provocar vômitos. O sinal mais clássico é o chiado no peito, um som agudo e sibilante que pode ser ouvido quando a criança expira, indicando que o ar está passando por vias aéreas estreitadas. O cansaço respiratório é outro sinal de alerta importante. Os pais podem notar que a respiração do bebê está mais rápida e superficial que o normal. A frequência respiratória elevada é uma tentativa do corpo de compensar a baixa oxigenação.

Em quadros mais graves, surgem sinais claros de esforço respiratório. Um deles é a retração das costelas, quando a pele entre elas afunda a cada inspiração. Outros indicadores incluem o batimento das asas do nariz, um movimento de abertura das narinas para tentar captar mais ar, e o afundamento da fúrcula, o osso localizado na base do pescoço. A dificuldade para se alimentar também é um sinal de gravidade, pois o bebê fica tão cansado que não consegue coordenar a sucção com a respiração. A recusa de líquidos pode levar rapidamente à desidratação, uma complicação séria que agrava o quadro geral e frequentemente exige intervenção hospitalar para hidratação intravenosa.

Como é realizado o tratamento

Por ser uma infecção viral, não há um medicamento específico que cure a bronquiolite. O tratamento é focado em aliviar os sintomas e dar suporte ao corpo da criança para que ele possa combater o vírus.

As principais medidas incluem a desobstrução nasal frequente com soro fisiológico, o que ajuda a criança a respirar e se alimentar melhor. Manter a hidratação é vital, oferecendo líquidos em pequenas quantidades e com mais frequência.

Para controlar a febre e o mal-estar, o médico pode indicar o uso de antitérmicos. É importante ressaltar que antibióticos não são eficazes contra o VSR e só são prescritos se houver uma infecção bacteriana secundária associada, como uma otite ou pneumonia.

Quando a internação se faz necessária

A decisão de hospitalizar uma criança com bronquiolite depende da gravidade dos sintomas e da sua capacidade de manter a oxigenação e a hidratação. Se a criança apresenta esforço respiratório intenso, cianose (coloração azulada nos lábios ou unhas) ou saturação de oxigênio abaixo do ideal, a internação é indicada para fornecer suporte de oxigênio.

Bebês muito pequenos, prematuros ou com comorbidades, como doenças cardíacas ou pulmonares, têm maior risco de desenvolver formas graves da doença e geralmente necessitam de monitoramento hospitalar mais próximo.

Medidas eficazes de prevenção

A prevenção da bronquiolite passa por medidas simples de higiene, que são altamente eficazes para reduzir a transmissão do VSR e de outros vírus respiratórios. A lavagem frequente das mãos com água e sabão ou o uso de álcool em gel é a principal recomendação.

Evitar o contato de bebês com pessoas que apresentem sintomas de resfriado ou gripe é fundamental. Também se deve evitar ambientes fechados e com grande aglomeração de pessoas, especialmente durante os meses de maior circulação do vírus.

Imunização disponível para grupos de risco

Embora ainda não exista uma vacina amplamente disponível para a população geral contra o VSR, existe uma forma de imunização passiva com o anticorpo monoclonal chamado Palivizumabe. Ele é indicado para grupos de alto risco, como bebês prematuros extremos e crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas graves. A aplicação mensal durante o período de maior circulação do vírus ajuda a prevenir casos graves e hospitalizações nesse público vulnerável.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Detran

    Carteira de Identificação da Mãe Atípica começa a ser emitida gratuitamente pelo Detran-RJ no Rio

  2. Emprego

    Vagas de emprego Sine Paraíba somam 2.736 postos a partir desta terça-feira em João Pessoa e Campina Grande

  3. Concurso Público

    Gabarito do concurso Detran SP sai e candidatos têm até 4 de novembro para recursos

  4. Loterias

    Prêmios esquecidos na história da Mega da Virada: cota recorde de R$ 162 milhões não sacada vai para o Fies no Brasil

  5. Matéria Publicitária

    Pix nos Classificados Mix Vale premia cadastros diários com transferências diretas de R$ 25 no Brasil

  6. Destaques

    Morre Juan Atkins pioneiro do techno de Detroit aos 64 anos nos Estados Unidos

  7. Crimes

    Assassinato de jovem em Rifaina: pecuarista suspeito de matar empresária Priscila Lacerda, de 24 anos, na SP-334 é achado morto

  8. Acidentes

    Acidente na MG-050 deixa jovem de 18 anos morto após bater contra carro e cair em represa em Pimenta

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.