Mundo da música se despede de lendas como Ozzy Osbourne e Preta Gil em perdas marcantes para a artePor Luís Henrique Costa
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O cenário artístico global encerrou o ano de 2025 sob um forte sentimento de luto, marcado pela partida de figuras icônicas que definiram gerações e gêneros. As perdas, que se estenderam da música ao cinema, deixaram um vácuo irreparável e um legado que continuará a ecoar por décadas. Entre os nomes que se despediram, destacam-se o lendário roqueiro britânico Ozzy Osbourne e a multifacetada cantora brasileira Preta Gil, cujas trajetórias foram celebradas em todo o mundo.
A sucessão de despedidas ao longo dos meses gerou uma onda de comoção entre fãs e colegas de profissão, ressaltando a vulnerabilidade de ídolos que pareciam eternos. Cada partida trouxe à tona não apenas a obra deixada, mas também as histórias de vida, as lutas pessoais e o impacto cultural profundo que cada artista exerceu em sua respectiva área.
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De ícones do heavy metal a vozes fundamentais da MPB e do samba, o ano foi um lembrete constante da passagem do tempo e da importância de preservar a memória cultural. As homenagens se multiplicaram em festivais, premiações e nas redes sociais, solidificando o status imortal de suas contribuições para a arte.
O adeus ao príncipe das trevas
A morte de Ozzy Osbourne em julho, aos 76 anos, encerrou um dos capítulos mais importantes da história do rock. O músico, que faleceu em sua casa cercado pela família, teve como causa oficial uma parada cardíaca, agravada por condições preexistentes como a doença de Parkinson, diagnosticada em 2019. Conhecido como o “Príncipe das Trevas”, Osbourne não apenas fundou o heavy metal como vocalista do Black Sabbath, mas também construiu uma carreira solo de imenso sucesso, marcada por hinos como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”. Sua jornada foi uma montanha-russa de excessos, redenção e uma resiliência quase sobre-humana, que o transformou em uma figura mítica para milhões de fãs. Sua influência transcendeu a música, alcançando a cultura pop com o reality show “The Osbournes”, que o apresentou a uma nova geração.
O impacto de sua partida foi sentido imediatamente em todo o globo. Músicos de todos os gêneros, de James Hetfield do Metallica a Elton John, prestaram tributo à sua genialidade e ao seu pioneirismo. O último show de Osbourne, realizado simbolicamente em sua cidade natal, Birmingham, na Inglaterra, já demonstrava sua fragilidade física, mas sua energia vocal permaneceu intacta. Apresentando-se sentado, ele entregou uma performance emocionante que serviu como uma despedida não oficial. O funeral, também em Birmingham, atraiu milhares de admiradores, que se reuniram para celebrar a vida de um artista que redefiniu os limites da música pesada e viveu sem pedir desculpas, tornando-se um símbolo eterno de rebeldia e autenticidade.
A voz da resistência e da alegria
No Brasil, a notícia do falecimento de Preta Gil, aos 50 anos, também em julho, causou profunda tristeza. A cantora, que lutava publicamente contra um câncer de cólon desde 2023, estava nos Estados Unidos em busca de tratamentos inovadores. Filha do lendário Gilberto Gil, ela soube construir uma identidade artística própria, com uma carreira versátil que navegava pelo pop, MPB e ritmos dançantes, produzindo sucessos que animaram o país.
Preta Gil era muito mais do que uma cantora; ela se tornou um ícone de representatividade e ativismo. Sua defesa incansável das causas LGBTQIA+, do feminismo e da aceitação corporal inspirou milhões de pessoas a se sentirem vistas e validadas. Sua coragem ao compartilhar abertamente cada etapa de sua batalha contra a doença transformou sua jornada pessoal em uma poderosa campanha de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce.
As homenagens destacaram sua alegria contagiante, sua generosidade e sua força. Artistas como Ivete Sangalo, Anitta e Caetano Veloso relembraram sua importância não apenas para a música, mas como uma força unificadora no meio artístico. Seu legado permanece na sua música e, principalmente, no impacto social que promoveu ao usar sua plataforma para amplificar vozes marginalizadas.
O samba e a MPB perdem referências
O ano de 2025 também foi particularmente doloroso para a música popular brasileira, com a partida de nomes que são pilares de seus gêneros. Em maio, a MPB se despediu de Nana Caymmi, aos 84 anos. Dona de uma das vozes mais dramáticas e potentes do país, a intérprete de clássicos como “Atrás da Porta” deixou um legado de interpretações viscerais que marcaram a trilha sonora de muitas vidas.
O samba também ficou mais triste com a morte de Cristina Buarque, em abril, aos 74 anos. Irmã de Chico Buarque, ela foi uma pesquisadora e defensora ferrenha das raízes do samba, dedicando sua carreira a preservar a autenticidade do gênero. Sua voz doce e seu conhecimento profundo a tornaram uma figura respeitada e querida no meio.
Em agosto, o Brasil se despediu de Arlindo Cruz, aos 66 anos. Um dos maiores compositores de sua geração, Arlindo foi uma verdadeira fábrica de sucessos do samba e do pagode. Desde que sofreu um AVC em 2017, sua luta pela vida comoveu o país. Sua morte encerrou um ciclo de genialidade e poesia que enriqueceu a cultura nacional.
A partida desses três artistas, somada a outras perdas, reforçou a sensação de fim de uma era de ouro para a música brasileira, deixando a responsabilidade para as novas gerações de manterem viva a riqueza de suas contribuições.
Lendas que moldaram a cultura popular
As perdas no cenário cultural brasileiro se estenderam para além de um único gênero, atingindo pilares da televisão, do teatro e de movimentos musicais históricos. Lô Borges, um dos cérebros por trás do icônico “Clube da Esquina”, faleceu em novembro, aos 73 anos, deixando uma obra que revolucionou a MPB com suas harmonias complexas e letras poéticas. Sua morte representou a perda de um dos compositores mais sofisticados do Brasil. No campo da música, a irreverente Angela Ro Ro também partiu, em setembro, aos 75 anos. Com sua voz grave e composições que falavam de amor de forma aberta e crua, ela foi uma figura transgressora e fundamental, abrindo caminhos com sucessos como “Amor, Meu Grande Amor”. No campo da dramaturgia, o adeus a Francisco Cuoco, em junho, aos 91 anos, marcou o fim da trajetória de um dos maiores galãs e atores da televisão brasileira, com papéis inesquecíveis que fazem parte da memória afetiva do país. O humor também ficou de luto com a morte de Berta Loran, aos 99 anos, uma pioneira da comédia na TV que, com seu talento único, fez o Brasil rir por décadas. Juntas, essas partidas desenham um mosaico da riqueza cultural que o país perdeu em um único ano.
Ecos internacionais no cenário artístico
O mundo do entretenimento internacional também lamentou a perda de figuras notáveis. O cineasta David Lynch, mestre do surrealismo e criador de obras-primas como “Cidade dos Sonhos” e a série “Twin Peaks”, faleceu em janeiro, aos 78 anos, em decorrência de um enfisema pulmonar. Sua visão única e sua capacidade de explorar o subconsciente humano deixaram uma marca indelével no cinema, influenciando uma legião de diretores.
O ícone da moda Giorgio Armani, que revolucionou o vestuário com sua elegância minimalista, morreu em setembro, aos 91 anos. Em outubro, a atriz Diane Keaton, musa de Woody Allen e vencedora do Oscar por “Annie Hall”, partiu aos 79 anos, vítima de pneumonia, deixando para trás uma carreira marcada por personagens complexas e um estilo inconfundível.
Momentos de despedida e celebração
As cerimônias de despedida e as homenagens póstumas refletiram a grandiosidade dos artistas que partiram. O funeral de Ozzy Osbourne em Birmingham foi um evento de proporções globais, transmitido ao vivo e acompanhado por milhões, com tributos de bandas que ele inspirou. Para Preta Gil, a celebração foi marcada por manifestações culturais no Rio de Janeiro e em Salvador, com shows que arrecadaram fundos para instituições de combate ao câncer, honrando seu espírito ativista.
No Brasil, prêmios da música e da televisão dedicaram edições inteiras para relembrar o legado dos artistas falecidos. Documentários e especiais foram rapidamente produzidos para revisitar suas carreiras, garantindo que suas histórias e obras fossem apresentadas para as novas gerações, mantendo viva a chama de sua arte.
Um ano de reflexão para a indústria
As múltiplas perdas de 2025 serviram como um catalisador para importantes discussões dentro da indústria do entretenimento. Debates sobre a saúde mental e física dos artistas, as pressões da fama e a necessidade de criar redes de apoio mais eficazes ganharam força, mostrando que, mesmo no luto, há espaço para a evolução e o cuidado com aqueles que dedicam suas vidas à arte.















