O adeus a grandes ícones em 2025: de Preta Gil a David Lynch, relembre as perdas marcantes do anoPor Jeronimo Santos
9 min de leitura
![]() |
O ano de 2025 deixou uma marca indelével na memória cultural global, sendo lembrado como um período de despedidas significativas. Diversas áreas do entretenimento, da ciência e da literatura se viram em luto com a partida de personalidades que moldaram gerações. De vozes icônicas da música brasileira a mestres do cinema internacional, o mundo se despediu de talentos que deixaram um legado eterno em suas respectivas áreas de atuação.
As perdas ocorreram ao longo dos doze meses, com figuras como a cantora Preta Gil, o cineasta David Lynch e o roqueiro Ozzy Osbourne entre os nomes que geraram grande comoção pública. As causas dos falecimentos variaram, muitas delas relacionadas a longas batalhas contra doenças crônicas, ressaltando a vulnerabilidade mesmo entre os maiores ídolos. Cada partida iniciou uma onda de homenagens e reflexões sobre a contribuição artística e intelectual de cada um.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
No Brasil, o impacto foi sentido de forma profunda, com a perda de artistas que definiram movimentos musicais como a MPB, o samba e a bossa nova. No cenário internacional, Hollywood e a indústria fonográfica global também lamentaram o falecimento de atores, diretores e músicos cujo trabalho transcendeu fronteiras e continuará a influenciar novos artistas por muitos anos.
Vozes da música brasileira que se calaram
A música popular brasileira enfrentou um de seus anos mais difíceis com a partida de Preta Gil em julho, aos 50 anos. A cantora, filha do ícone Gilberto Gil, travou uma corajosa batalha pública contra um câncer no intestino, compartilhando sua jornada com fãs e inspirando muitos com sua força e resiliência. Sua carreira foi marcada pela versatilidade, transitando entre o pop e o axé com álbuns de sucesso e uma presença de palco contagiante, além de atuações na televisão que ampliaram seu alcance popular. O legado de Preta vai além da música, consolidando-a como uma voz importante na representatividade e na quebra de padrões estéticos.
Em novembro, o país se despediu de Lô Borges, aos 73 anos, uma das mentes mais brilhantes por trás do movimento Clube da Esquina. O músico mineiro faleceu em decorrência de complicações de uma intoxicação medicamentosa. Sua obra, incluindo o aclamado “disco do tênis”, é considerada um pilar da MPB, com harmonias complexas e letras poéticas que influenciaram inúmeros artistas. A partida de Borges representou o fim de um capítulo importante da música nacional, deixando uma saudade profunda entre admiradores de sua genialidade musical discreta e poderosa.
O samba e a bossa nova perdem seus mestres
O samba carioca também ficou de luto com a morte de Arlindo Cruz em agosto, aos 66 anos. O cantor e compositor, um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, vinha lidando com as severas sequelas de um AVC sofrido em 2017. Sua contribuição para o gênero é imensurável, com composições que se tornaram hinos em rodas de samba por todo o Brasil, como “O Show Tem Que Continuar” e “Meu Lugar”. A partida de Arlindo deixou um vazio no coração do Cacique de Ramos e de todos os amantes do samba de raiz.
A sofisticação da bossa nova perdeu um de seus maiores embaixadores globais com o falecimento de Sérgio Mendes, em fevereiro, aos 83 anos. O pianista e arranjador foi fundamental para a popularização do ritmo brasileiro no exterior, especialmente nos Estados Unidos. Sua versão de “Mas Que Nada” tornou-se um sucesso mundial. Vencedor de prêmios importantes, incluindo um Grammy póstumo em 2025, Mendes deixou uma discografia vasta que fundiu a música brasileira com o jazz e o pop de forma magistral.
Lendas do rock que deixaram um vazio
O cenário do rock mundial sofreu dois golpes devastadores em 2025. Em junho, Brian Wilson, o gênio criativo por trás dos Beach Boys, faleceu aos 82 anos, após um diagnóstico de demência. A contribuição de Wilson para a música pop é monumental, especialmente com o álbum “Pet Sounds” de 1966, uma obra-prima que redefiniu as possibilidades de produção em estúdio e influenciou diretamente bandas como The Beatles. Sua vida foi marcada por uma luta contra problemas de saúde mental, mas seu talento para criar melodias e harmonias complexas e celestiais permaneceu inigualável, garantindo seu lugar como um dos maiores compositores do século XX. Apenas um mês depois, em julho, o mundo se despediu de Ozzy Osbourne, o “Príncipe das Trevas”, que morreu aos 76 anos. O lendário vocalista, que lutava contra o mal de Parkinson desde 2003, foi uma figura central na criação do heavy metal com o Black Sabbath e, posteriormente, em uma carreira solo de enorme sucesso. Conhecido por sua voz distinta e performances teatrais, Ozzy se tornou um ícone cultural que transcendeu a música. Álbuns como “Paranoid” e “Blizzard of Ozz” são marcos do gênero e seu legado perdura como sinônimo de rebeldia e resiliência no rock and roll.
A sétima arte em luto por diretores e atores
O cinema internacional perdeu um de seus visionários mais originais com a morte de David Lynch em janeiro, aos 78 anos, devido a um enfisema pulmonar. O diretor, conhecido por seu estilo surrealista e narrativas enigmáticas, deixou uma obra inconfundível, com clássicos como “Veludo Azul”, “Cidade dos Sonhos” e a revolucionária série de TV “Twin Peaks”. Seu trabalho desafiou convenções e influenciou uma legião de cineastas.
Em fevereiro, o ator Gene Hackman foi encontrado sem vida aos 95 anos, vítima de uma falha no marca-passo. Vencedor de dois Oscars, Hackman construiu uma carreira sólida com mais de 80 filmes, destacando-se por sua capacidade de interpretar personagens complexos e intensos em produções como “Operação França” e “Os Imperdoáveis”. Embora estivesse aposentado desde 2004, sua influência permaneceu viva em Hollywood.
O cinema brasileiro também lamentou a partida de Cacá Diegues, em fevereiro, aos 84 anos. Um dos expoentes do Cinema Novo, Diegues dirigiu filmes que se tornaram marcos culturais, como “Bye Bye Brasil” e “Xica da Silva”, misturando crítica social com elementos da cultura popular brasileira de forma única. Sua obra foi fundamental para a construção de uma identidade cinematográfica nacional.
A indústria cinematográfica também se despediu de Robert Redford em setembro, aos 89 anos. Além de ser um astro de Hollywood em filmes como “Butch Cassidy” e “Todos os Homens do Presidente”, Redford foi o fundador do Sundance Institute e do festival de mesmo nome, tornando-se um dos maiores incentivadores do cinema independente em todo o mundo, lançando a carreira de inúmeros diretores.
A palavra escrita perdeu grandes autores
A literatura brasileira ficou mais pobre com o falecimento de Luis Fernando Verissimo em agosto, aos 88 anos, por complicações de uma pneumonia. Cronista genial, ele capturou o cotidiano, a política e as idiossincrasias da vida brasileira com um humor fino e inteligente. Personagens como o Analista de Bagé e suas colunas em jornais de grande circulação fizeram dele um dos autores mais lidos e queridos do país.
Em janeiro, a escritora e artista plástica Marina Colasanti partiu aos 87 anos, pouco tempo depois de seu marido, o também escritor Affonso Romano de Sant’Anna. Autora de mais de 40 livros, especialmente na literatura infantojuvenil, Colasanti explorou o universo feminino e o fantástico em sua obra, recebendo importantes prêmios literários e deixando um legado de incentivo à leitura e à imaginação.
O adeus a Angela Ro Ro
A música brasileira também lamentou a perda da cantora e compositora Angela Ro Ro, que faleceu em setembro, aos 75 anos, após sofrer uma parada cardíaca. Conhecida por sua voz rouca e inconfundível, e por sua personalidade forte, ela foi uma figura pioneira e autêntica na MPB. Canções como “Amor, Meu Grande Amor” se tornaram clássicos, marcando sua carreira com uma mistura única de blues, jazz e rock, consolidando seu lugar como uma artista à frente de seu tempo.
Um legado para a pré-história do Brasil
A ciência e a história do Brasil perderam um de seus pilares com a morte da arqueóloga Niède Guidon, em junho, aos 92 anos. Nascida na França mas com o coração no Piauí, Guidon dedicou sua vida à pesquisa e preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.
Seu trabalho foi revolucionário, apresentando evidências que desafiaram as teorias vigentes sobre a chegada do homem às Américas. As datações obtidas em suas escavações sugeriram uma presença humana muito mais antiga no continente, reescrevendo capítulos da pré-história mundial e colocando o Brasil no centro desse debate científico.
Graças à sua persistência e luta incansável por financiamento e reconhecimento, o parque se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. O legado de Niède Guidon transcende a arqueologia, sendo um exemplo de dedicação à ciência e à preservação da herança cultural e natural do país para as futuras gerações.
Homenagens marcaram as premiações do ano
A repercussão das mortes foi amplamente sentida nos principais eventos culturais. A cerimônia do Oscar, em março, prestou uma emocionante homenagem no segmento “In Memoriam”, destacando os nomes de David Lynch, Gene Hackman e Sérgio Mendes, que foram longamente aplaudidos pela plateia de estrelas em Hollywood. A transmissão do evento dedicou clipes que relembraram momentos marcantes de suas carreiras.
No Brasil, o Grammy Latino de novembro também reservou um espaço para celebrar a vida e a obra dos artistas nacionais que partiram, como Arlindo Cruz e Angela Ro Ro. Festivais de música, como o Rock in Rio, realizaram tributos e cancelaram apresentações em sinal de respeito, mostrando como a memória desses ícones permanece viva e influente na cultura contemporânea, tanto no palco quanto no coração dos fãs.














