HyperOS 3 da Xiaomi avança para segunda fase de testes beta com 17 novos aparelhos na China em janeiro
A Xiaomi intensificou o desenvolvimento de seu novo sistema operacional ao iniciar a segunda fase de recrutamento para os testes beta da HyperOS 3. O programa, restrito ao mercado chinês, foi dividido em duas ondas distintas ao longo de janeiro, contemplando um total de 17 dispositivos, incluindo smartphones e tablets de última geração da marca principal e de sua subsidiária Redmi.
A fabricante de tecnologia enfatiza que a versão distribuída nesta etapa é uma compilação de engenharia (early engineering build), o que significa que ainda apresenta instabilidades e potenciais falhas. Por essa razão, a empresa desaconselha fortemente a sua instalação em aparelhos de uso diário, recomendando que os testadores utilizem um dispositivo secundário para avaliar as novidades e reportar os problemas encontrados.
O processo de seleção prioriza os modelos flagship mais recentes, que possuem hardware avançado capaz de explorar todo o potencial do novo software. O feedback coletado durante esta fase é considerado crucial para o refinamento do sistema, visando garantir uma experiência estável e otimizada para o lançamento oficial ao público geral nos próximos meses.
Dispositivos da primeira onda
A primeira onda de testes, que teve início em 22 de janeiro, concentrou-se nos lançamentos mais recentes e potentes da Xiaomi. A lista inclui a série Xiaomi 17, com os modelos Ultra, Pro Max, Pro e a versão padrão, além da linha Redmi K90, representada pelos aparelhos K90 Pro Max e K90. A escolha desses dispositivos permite que os desenvolvedores avaliem o desempenho da HyperOS 3 em condições de máximo desempenho, testando os limites do software com os processadores e componentes mais modernos disponíveis no portfólio da empresa.
Além dos smartphones, os tablets de alta performance também foram incluídos desde o início, sinalizando a estratégia da Xiaomi de unificar e aprimorar a experiência de seu ecossistema. Os modelos Xiaomi Pad 8 Pro e Xiaomi Pad 8 fazem parte deste grupo inicial. Os testadores chineses já começaram a compartilhar suas primeiras impressões em fóruns especializados, destacando melhorias na fluidez das animações e na resposta do sistema, embora também reportem bugs pontuais, algo esperado para uma versão de engenharia.
Segunda onda de acesso
Para ampliar o alcance dos testes, uma segunda onda de recrutamento foi programada para ocorrer até o dia 30 de janeiro. Essa etapa expande o programa para incluir modelos flagship de ciclos anteriores, como as séries Xiaomi 15 e Xiaomi 14, permitindo que a equipe de desenvolvimento colete dados de uma gama mais variada de configurações de hardware. A estratégia é fundamental para garantir a compatibilidade e a otimização do sistema em dispositivos mais antigos que ainda são amplamente utilizados.
Nesta fase, os smartphones dobráveis da marca, como o Xiaomi MIX Flip 2, também foram integrados ao programa beta. A inclusão desses aparelhos é vital para testar e refinar as otimizações específicas para telas flexíveis, como a continuidade de aplicativos e a interface multitarefa. A linha Redmi também contribui com os modelos K80 Pro e K80, que oferecem um forte equilíbrio entre desempenho e custo.
Edições especiais, como a Titanium Edition do Xiaomi 14 Pro, e tablets mais antigos, como o Pad 7 Ultra, completam a lista de dispositivos elegíveis. Essa cobertura abrangente assegura que a versão final da HyperOS 3 seja robusta e compatível com a maior parte do ecossistema de produtos da Xiaomi, minimizando problemas após o lançamento em larga escala.
Características esperadas na HyperOS 3
A HyperOS 3 promete trazer uma série de refinamentos visuais e de desempenho. Conforme materiais de divulgação da Xiaomi, o sistema foi otimizado para oferecer animações mais suaves e transições de tela mais fluidas. A resposta tátil também foi aprimorada, resultando em uma interação mais rápida e precisa com a interface. Melhorias na gestão de energia são outro foco importante, com o objetivo de prolongar a autonomia da bateria mesmo durante o uso intenso de aplicativos e jogos.
A integração de recursos baseados em inteligência artificial é um dos principais destaques da nova versão. Espera-se que assistentes virtuais mais inteligentes e proativos facilitem a execução de tarefas cotidianas. A conectividade entre os diferentes produtos do ecossistema Xiaomi, um pilar da estratégia da empresa, foi reforçada, permitindo a transferência de arquivos e a sincronização de informações de forma mais transparente e eficiente entre smartphones, tablets e outros dispositivos inteligentes.
No campo do design, a interface HyperIsland deve introduzir novos elementos visuais, oferecendo uma experiência renovada. A personalização também ganhará mais opções, especialmente na tela de bloqueio e no sistema de notificações. A segurança dos dados do usuário foi fortalecida com a implementação de novas camadas de criptografia e controles de privacidade mais granulares, protegendo informações sensíveis contra acessos não autorizados.
Tecnicamente, as novas compilações são baseadas no Android 16 para os modelos mais recentes, enquanto dispositivos mais antigos receberão a atualização sobre a base do Android 15. A Xiaomi realiza uma otimização cuidadosa para cada build, adaptando o software às capacidades específicas do hardware de cada aparelho para garantir o melhor desempenho possível.
Riscos e recomendações para testadores
A participação em um programa de testes beta, especialmente em uma fase inicial como a de uma “early engineering build”, envolve riscos significativos que os usuários devem considerar. A Xiaomi alerta de forma explícita que essas versões preliminares contêm bugs conhecidos e podem apresentar instabilidades severas, como drenagem acelerada da bateria, falhas e fechamentos inesperados de aplicativos, e até mesmo reinicializações espontâneas do dispositivo. Por isso, a recomendação principal é não instalar o software em um aparelho utilizado como ferramenta principal de trabalho ou comunicação. O ideal é que os testes sejam conduzidos em um dispositivo secundário, reservado para essa finalidade. Antes de iniciar o processo de atualização, é absolutamente essencial realizar um backup completo de todos os dados importantes, incluindo fotos, documentos e contatos, para evitar perdas irreparáveis caso ocorra um problema crítico que exija a restauração completa do sistema para os padrões de fábrica.
Lista completa de modelos elegíveis
A seleção de dispositivos para esta segunda fase de testes da HyperOS 3 é ampla e reflete o compromisso da Xiaomi em manter seu portfólio atualizado. Ao todo, 17 variantes distintas entre smartphones e tablets foram incluídas, abrangendo desde os lançamentos mais recentes até flagships de anos anteriores. Entre os principais contemplados estão as séries completas Xiaomi 17, Xiaomi 15 e Xiaomi 14, incluindo suas versões Pro e Ultra.
A linha Redmi, focada em custo-benefício e alto desempenho, também está bem representada com os modelos das séries K90 e K80. A lista é complementada por dispositivos inovadores como o dobrável Xiaomi MIX Flip 2 e os tablets de alto desempenho das linhas Xiaomi Pad 8 e Pad 7, garantindo que a nova interface seja testada em diferentes formatos e casos de uso.
Contexto da evolução HyperOS
Lançado oficialmente em 2023, o HyperOS marcou uma nova era para o software da Xiaomi, sucedendo a conhecida interface MIUI. O novo sistema foi projetado com um foco central na criação de um ecossistema de dispositivos inteligentes totalmente integrado e conectado. Cada nova versão anual busca incorporar avanços significativos em performance, design e, principalmente, na interoperabilidade entre celulares, tablets, relógios e outros produtos da marca.
As atualizações anteriores já demonstraram esse compromisso ao introduzir melhorias na conectividade e na continuidade de tarefas entre diferentes aparelhos. Após a conclusão das fases de teste no mercado chinês, a comunidade global de usuários aguarda com expectativa o anúncio do cronograma de lançamento internacional, que geralmente ocorre alguns meses após a estabilização da versão doméstica.
Participação no programa beta
O processo de inscrição para o programa beta da HyperOS 3 é restrito a usuários na China e realizado por meio do aplicativo da comunidade oficial da Xiaomi. Os interessados devem possuir uma conta Mi ativa e um dos dispositivos elegíveis listados pela empresa. A seleção dos participantes não é automática e ocorre em lotes limitados, permitindo que a equipe de desenvolvimento mantenha um controle de qualidade rigoroso sobre o feedback recebido e gerencie o fluxo de relatórios de bugs de forma eficiente.
Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração
