Transporte de powerbank em aeronaves exige atenção às normas da Anac após caso de explosão em vooPor Jeronimo Santos
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Um episódio de segurança envolvendo a combustão de um carregador portátil obrigou uma aeronave da Latam a alterar sua rota original na última quinta-feira, dia 29 de janeiro. O voo, que partiu de São Paulo com destino a Brasília, precisou realizar um pouso não programado em Ribeirão Preto após o dispositivo eletrônico explodir a bordo. Equipes de solo prestaram atendimento imediato a três passageiros que estavam próximos ao incidente, mas não houve necessidade de encaminhamento hospitalar, restando apenas o susto provocado pela situação inesperada.
A ocorrência traz à tona a necessidade rigorosa de cumprimento das diretrizes de segurança estabelecidas para o transporte de itens eletrônicos no setor aéreo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mantém protocolos específicos que determinam como baterias e dispositivos de energia devem ser manuseados por passageiros e tripulação, visando mitigar riscos de incêndio em ambientes pressurizados e confinados.
Diretrizes da Anac para transporte de baterias
As regras vigentes no Brasil diferenciam categoricamente o transporte de baterias na bagagem de mão e na bagagem despachada. A determinação principal proíbe terminantemente que baterias de íon de lítio soltas, como powerbanks e baterias externas de câmeras ou notebooks, sejam colocadas nas malas que vão para o porão da aeronave. O local correto para esses itens é junto ao passageiro, na cabine, onde qualquer anomalia pode ser detectada e contida rapidamente pela tripulação.
Existem limites técnicos de capacidade que devem ser observados pelos viajantes antes do embarque. Dispositivos com energia de até 100 Wh (watt-hora) são permitidos livremente na bagagem de mão. Já para equipamentos que possuem capacidade entre 100 Wh e 160 Wh, a regulamentação permite o transporte de até duas unidades por pessoa, mas exige uma autorização prévia da companhia aérea. Baterias que excedem 160 Wh são geralmente proibidas em voos comerciais de passageiros.
Para garantir a segurança durante o trajeto, a agência reguladora recomenda medidas adicionais de isolamento dos terminais de energia:
– Manter as baterias em suas embalagens originais sempre que possível.
– Cobrir os terminais de contato com fita isolante para evitar curtos-circuitos.
– Utilizar sacos plásticos individuais ou bolsas protetoras para cada bateria transportada.
Vale ressaltar que a medida em watt-hora (Wh) é o padrão utilizado pela fiscalização aeroportuária. Como muitos fabricantes estampam a capacidade em miliampère-hora (mAh), é útil saber a conversão aproximada: 100 Wh correspondem a cerca de 27.000 mAh, enquanto 160 Wh equivalem a aproximadamente 40.000 mAh, considerando a voltagem padrão de 3,7 V da maioria dos dispositivos.
Causas técnicas de explosões em eletrônicos
Especialistas do setor de infraestrutura e qualidade apontam que, embora incidentes com baterias de lítio chamem a atenção, eles são estatisticamente raros. Kim Rieffel, vice-presidente de Telecomunicações da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (Abriq), esclarece que o ambiente da aeronave em si não aumenta a probabilidade de explosão. Não há evidências técnicas que liguem a pressurização da cabine a um maior risco de falha desses componentes.
Os fatores que realmente desencadeiam a combustão estão ligados a condições físicas e térmicas inadequadas. O superaquecimento e impactos mecânicos fortes, como quedas, podem danificar a estrutura interna da célula de energia. Esse dano pode gerar um curto-circuito interno, levando ao fenômeno conhecido como fuga térmica, que resulta em fogo ou explosão. A intensidade da reação química depende da quantidade de energia armazenada: quanto maior a capacidade da bateria, mais difícil se torna o controle das chamas caso ocorra um incidente.
Relevância da homologação pela Anatel
A procedência do equipamento é um fator determinante para a segurança do usuário e do voo. Fábio Delatore, professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia, alerta para os perigos de utilizar dispositivos que não passaram pelo crivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Produtos não homologados frequentemente utilizam componentes de baixa qualidade e podem não possuir os mecanismos de segurança necessários para evitar sobrecargas e superaquecimento.
O mercado informal oferece diversas opções de carregadores portáteis com preços muito abaixo da média, o que deve servir como um sinal de alerta para o consumidor. A ausência do selo da Anatel indica que o produto não foi testado quanto à sua conformidade com as normas brasileiras de segurança elétrica. Optar por marcas reconhecidas e produtos certificados é a primeira linha de defesa contra acidentes, pois garante que o equipamento foi fabricado seguindo padrões rigorosos de controle de qualidade.
Histórico de casos similares na aviação
O incidente recente no voo da Latam não é um caso único no cenário da aviação comercial. O ano de 2025 registrou ocorrências que reforçam a importância da vigilância constante. Em agosto, um voo que fazia a rota entre São Paulo e Amsterdã enfrentou momentos de tensão quando um carregador portátil entrou em combustão, preenchendo a cabine com fumaça tóxica.
Outros episódios internacionais também marcaram o período recente. Em outubro de 2025, uma aeronave da Air China, voando de Hangzhou para Seul, teve um princípio de incêndio causado por uma bateria de lítio, controlado eficazmente pela tripulação. Meses antes, em março, passageiros de um voo em Hong Kong precisaram agir rapidamente utilizando água para conter as chamas de um celular que pegou fogo, evitando ferimentos graves nos ocupantes.
Orientações finais aos passageiros
Para evitar transtornos e garantir a integridade de todos a bordo, os passageiros devem adotar uma postura preventiva. A verificação das regras da companhia aérea no momento da compra da passagem é essencial, visto que as normas podem sofrer atualizações. Além disso, a inspeção física dos powerbanks antes da viagem é recomendada; dispositivos estufados, muito quentes ou com rachaduras não devem ser embarcados.
A responsabilidade pela segurança é compartilhada. Ao respeitar os limites de quantidade, proteger os terminais das baterias e jamais despachar esses itens na mala grande, o viajante contribui diretamente para a segurança operacional do voo. O investimento em eletrônicos originais e homologados completa o ciclo de proteção, reduzindo drasticamente as chances de falhas catastróficas durante o deslocamento aéreo.








