Aumento de incêndios por baterias em voos preocupa setor aéreo e gera novos alertas de segurançaPor Carolina Costa
5 min de leitura
![]() |
O transporte aéreo global enfrenta um desafio crescente relacionado à segurança de dispositivos eletrônicos portáteis na cabine de passageiros. Ocorrências recentes envolvendo o superaquecimento e a ignição de carregadores externos, popularmente conhecidos como power banks, colocaram autoridades e companhias aéreas em estado de alerta máximo. A frequência desses eventos tem exigido uma revisão constante dos protocolos de emergência e da fiscalização nos aeroportos.
Relatórios de segurança indicam que a instabilidade química das baterias de lítio é a principal responsável pelos sustos a bordo. Quando submetidos a condições adversas ou falhas internas, esses componentes podem entrar em um processo de combustão difícil de controlar. A integridade física das aeronaves e a segurança dos ocupantes dependem agora, mais do que nunca, da conscientização sobre o transporte correto desses itens.
As tripulações comerciais estão recebendo treinamentos intensivos para lidar com fogo em eletrônicos, utilizando kits de contenção específicos. No entanto, a prevenção ainda no solo, durante o check-in e a inspeção de raio-x, permanece como a barreira mais eficaz contra tragédias maiores.
Registros de emergências recentes
O cenário atual é ilustrado por episódios graves que marcaram o final de 2025 e o início de 2026. Um voo da Air China, que fazia a rota entre Hangzhou e Seul, precisou realizar um pouso não programado em Xangai após a explosão de um carregador na cabine, alterando completamente a logística da viagem.
A companhia sul-coreana Air Busan enfrentou uma situação ainda mais crítica, onde um incêndio iniciado por uma bateria portátil resultou na perda total de uma aeronave enquanto esta estava em solo. A evacuação rápida de cerca de 170 pessoas evitou fatalidades, embora ferimentos leves tenham sido registrados entre os ocupantes.
Na Europa, a Scandinavian Airlines lidou com fumaça tóxica em Oslo, na Noruega, interrompendo o embarque e enviando oito passageiros para atendimento hospitalar. Já no Brasil, a Latam controlou um princípio de incêndio em um voo doméstico que pousou em Ribeirão Preto, e uma rota internacional partindo de São Paulo para Amsterdã também registrou problemas no bagageiro superior.
Mecanismos da falha térmica
Especialistas explicam que o fenômeno por trás desses acidentes é a fuga térmica, um processo onde a temperatura da bateria sobe de maneira incontrolável em frações de segundo. Esse colapso pode ser desencadeado por defeitos de fabricação, uso de componentes de baixa qualidade em marcas genéricas ou danos físicos sofridos pelo equipamento, situações que são agravadas pelas mudanças de pressão atmosférica típicas do ambiente de voo, tornando o monitoramento visual constante uma necessidade absoluta para evitar que um superaquecimento evolua para chamas abertas.
Dados estatísticos do setor
A Federal Aviation Administration (FAA) compilou dados que revelam uma tendência de alta preocupante nos Estados Unidos e em rotas internacionais. Apenas no ano de 2025, foram contabilizados mais de 80 incidentes envolvendo fumaça, fogo ou calor extremo emanando de baterias.
Esse número representa praticamente o dobro da média histórica observada no início da década atual. As análises globais sugerem que a frequência de problemas saltou de menos de um caso por semana para cerca de três, impulsionada diretamente pela onipresença de dispositivos móveis entre os viajantes modernos.
Regras para transporte seguro
As normas estabelecidas pela Anac e pela Iata são rigorosas quanto à proibição do despacho de power banks na bagagem de porão. Esses itens devem viajar obrigatoriamente na bagagem de mão para facilitar a intervenção da tripulação em caso de sinistro.
Dispositivos com capacidade de energia de até 100 Wh (cerca de 27.000 mAh) são permitidos livremente na cabine.
Equipamentos que possuem entre 100 Wh e 160 Wh necessitam de uma aprovação prévia e formal da companhia aérea.
Qualquer bateria que ultrapasse o limite de 160 Wh tem seu transporte estritamente proibido em voos comerciais.
Recomendações aos passageiros
A segurança do voo começa na escolha do equipamento, sendo fundamental optar por marcas reconhecidas como Samsung, Anker ou Xiaomi, que investem em testes de qualidade e circuitos de proteção. Produtos falsificados ou de procedência duvidosa apresentam riscos significativamente maiores de falha catastrófica.
Viajantes devem verificar a etiqueta de especificações do produto, garantindo que a capacidade em watt-hora esteja legível para a inspeção de segurança. Além disso, é recomendável manter os carregadores protegidos dentro de bolsas pessoais, evitando esmagamentos ou exposição a calor excessivo antes do embarque.
Evolução das diretrizes regulatórias
Diante do cenário atual, agências reguladoras discutem o endurecimento das regras para voos de longa duração e a implementação de novas tecnologias de detecção. A indústria busca equilibrar a necessidade de conectividade dos passageiros com a imperativa segurança operacional, enquanto fabricantes desenvolvem sensores capazes de interromper o funcionamento da bateria ao menor sinal de anomalia térmica.








