Agente de Yuri Alberto classifica plano de pagamento do Corinthians como omisso e imprestável

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Corinthians Foto: Corinthians - @Gustavo Vasco / Corinthians

O Sport Club Corinthians Paulista e o empresário André Cury, representante do atacante Yuri Alberto e de diversos outros atletas, protagonizam um novo embate jurídico de grandes proporções nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026. A disputa ocorre no âmbito do Regime de Centralização de Execuções (RCE), mecanismo utilizado pelo clube para organizar o pagamento de suas dívidas cíveis e trabalhistas. A defesa do agente apresentou uma contestação contundente contra a homologação do plano de pagamento da agremiação alvinegra, que tem previsão para iniciar a quitação de débitos com credores a partir do próximo mês de março.

A advogada Adriana Cury, que representa os interesses do empresário, utilizou termos fortes para descrever a decisão judicial que acatou a proposta corintiana, classificando-a como desconexa da realidade e omissa em relação aos apontamentos dos credores. Segundo a petição protocolada, o tribunal teria ignorado manifestações fundamentais sobre a lista de beneficiários e a validade dos documentos apresentados pelo clube para sustentar o plano de recuperação financeira. O empresário alega que a homologação ocorreu sem uma análise crítica adequada e sem oferecer o direito ao contraditório para aqueles que possuem valores a receber da instituição esportiva.

Dentro das irregularidades apontadas pela defesa de André Cury, destacam-se os seguintes pontos críticos encontrados na planilha oficial:

  • Existência de créditos duplicados e valores que já foram anulados por decisões judiciais anteriores;
  • Inclusão de processos que ainda estão em fase de conhecimento, sem sentença de execução definitiva;
  • Ausência de detalhamento sobre honorários advocatícios e status atualizado de recursos pendentes;
  • Autolançamento do Corinthians como beneficiário de créditos em processos movidos pelo próprio clube;
  • Falta de transparência sobre valores que já se encontram bloqueados em contas judiciais específicas.
Neo Química Arena - Gustavo Vasco/ Corinthians
Neo Química Arena – Gustavo Vasco/ Corinthians

Contestação aponta falhas graves na lista de credores apresentada

O empresário sustenta que o documento apresentado pelo Corinthians é tecnicamente inviável e apresenta vícios que comprometem diretamente a distribuição justa dos recursos aos credores legítimos. De acordo com a manifestação jurídica, permitir que os pagamentos comecem com base em dados inconsistentes viola os princípios do Regime Centralizado e pode configurar desvio de finalidade. Cury argumenta que a Justiça foi induzida ao erro ao aceitar uma relação de processos que mistura dívidas reais com cobranças ainda sob disputa judicial intensa.

Um dos pontos de maior atrito refere-se à inclusão de um processo do empresário Giuliano Bertolucci, onde o clube teria conseguido anular uma cobrança superior a R$ 24 milhões, mas que ainda geraria ruído na contabilidade do RCE. Além disso, a defesa menciona que o Corinthians incluiu ações contra a empresa Taunsa, referentes aos salários do ex-jogador Paulinho, como se fossem créditos a favor do clube dentro do plano de pagamentos. Essa estratégia é vista pelo agente como uma tentativa de inflar números ou proteger receitas que deveriam ser destinadas exclusivamente ao abatimento do passivo circulante.

Posicionamento oficial do Corinthians rebate críticas do empresário

O departamento jurídico do Corinthians reagiu com indignação às declarações de André Cury, classificando a postura do agente como um inconformismo sistemático para frustrar o andamento do RCE. O clube alega que o tribunal já está ciente das movimentações processuais da Link Assessoria, empresa de Cury, que buscaria mecanismos para evitar a centralização das execuções em favor de cobranças individuais. Para a diretoria alvinegra, a nomeação de um administrador judicial serve justamente para fiscalizar a lista de credores e garantir que o fluxo de caixa seja distribuído conforme as normas legais vigentes.

O clube também ironizou o temor expressado pelo empresário quanto ao início dos pagamentos, ressaltando que é contraditório um credor se opor ao recebimento de valores que beneficiariam sua própria empresa. Segundo a argumentação corintiana, é prática comum no sistema judiciário que os pagamentos ocorram de forma paralela ao julgamento de eventuais impugnações menores, sem a necessidade de paralisar todo o cronograma. A instituição reforça que possui viabilidade econômica para cumprir o acordo e que todos os documentos necessários foram devidamente periciados pelos órgãos competentes.

Percentuais de receita e disputa por bloqueios financeiros

A divergência entre as partes também envolve o montante das receitas que deve ser destinado mensalmente para o abatimento das dívidas acumuladas. André Cury defende que o percentual obrigatório deveria ser fixado em 20% das receitas brutas do clube, ou que fosse estabelecido um valor mínimo mensal de pelo menos 16% para acelerar as quitações. Atualmente, o plano prevê uma escala progressiva que começa em 4% no primeiro ano, sobe para 5% no segundo e atinge 6% no terceiro ano de vigência do regime centralizado.

Em contrapartida, o Corinthians justifica que já compromete cerca de 20% de sua arrecadação total com o pagamento de débitos diversos que correm fora do RCE, como os acordos com a Caixa Econômica Federal e a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O clube sustenta que elevar o percentual dentro da centralização inviabilizaria a manutenção das atividades cotidianas e o pagamento da folha salarial dos atletas. A gestão atual destaca que o equilíbrio financeiro depende da manutenção dos índices aprovados, garantindo a sobrevivência da instituição enquanto resolve o passivo histórico.

Detalhamento do passivo e perdas prováveis no tribunal

A situação financeira exposta no processo revela que o Corinthians trabalha com uma estimativa de mais de R$ 700 milhões em perdas prováveis em diversos tribunais do país. Desse montante, cerca de R$ 300 milhões são referentes apenas a comissões e intermediações devidas a empresários de futebol que atuaram em gestões passadas. Além de André Cury, que possui créditos listados na casa dos R$ 40 milhões, outros agentes renomados figuram como credores significativos do clube, com valores que impactam diretamente o planejamento orçamentário anual.

A lista de credores também inclui débitos expressivos com ex-atletas que passaram pelo Parque São Jorge em temporadas recentes e buscam seus direitos na justiça trabalhista. Jogadores como Gil, Giuliano, Renato Augusto e Fagner possuem valores pendentes relacionados a direitos de imagem, luvas e rescisões contratuais que não foram totalmente quitadas. Somado a isso, as dívidas com órgãos públicos superam a marca dos R$ 300 milhões, exigindo uma engenharia financeira complexa para evitar novos bloqueios de contas ou penhoras de patrocínios.

Necessidade de saneamento da lista antes do início dos depósitos

O pedido principal de André Cury neste momento é a suspensão cautelar de qualquer transferência de valores até que ocorra uma checagem completa e minuciosa de cada item da lista de credores. O empresário exige que o administrador judicial realize o saneamento das inconsistências apontadas antes que o dinheiro comece a ser distribuído de forma definitiva. A preocupação central é que pagamentos realizados para créditos inexistentes ou sub judice possam causar um prejuízo irreversível aos credores que possuem títulos legítimos e transitados em julgado.

O juiz responsável pelo caso já determinou que o Corinthians se manifeste formalmente sobre cada uma das acusações de duplicidade e erro documental apresentadas pela defesa de Cury. Até que essa manifestação seja analisada, paira uma incerteza sobre a manutenção do cronograma de pagamentos previsto para o próximo mês. A expectativa do mercado esportivo e jurídico é que o desfecho desta disputa defina os rumos da recuperação financeira de um dos maiores clubes do Brasil, servindo de precedente para outras agremiações em situações similares.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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