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Muitos consumidores ainda escolhem ovos observando a intensidade da cor da gema. Eles acreditam que tons mais alaranjados ou avermelhados sinalizam produto superior. Essa percepção persiste em feiras e supermercados de todo o país.

Especialistas em nutrição e avicultura esclarecem que a cor não altera o valor nutricional do alimento. A tonalidade depende exclusivamente dos pigmentos presentes na alimentação das galinhas. O mito perde força quando se entende o mecanismo biológico simples por trás da aparência.

Os principais elementos que influenciam a cor incluem:

  • Quantidade de carotenoides na ração diária das aves.
  • Acesso a ingredientes naturais como milho amarelo e vegetais frescos.
  • Presença de aditivos à base de flores ou extratos vegetais na formulação industrial.
  • Estilo de criação que permite ou restringe o pastoreio livre.

A dúvida sobre a gema mais escura ser superior surge com frequência entre famílias que buscam opções mais saudáveis.

Alimentação das aves determina intensidade da cor

A ração oferecida às galinhas poedeiras contém substâncias naturais chamadas carotenoides. Esses compostos são absorvidos pelo organismo da ave e depositados na gema durante a formação do ovo.

Galinhas que recebem milho em maior proporção ou têm acesso a pastagens verdes produzem ovos com tonalidades mais intensas. Já rações à base de grãos claros ou com menor teor de pigmentos resultam em gemas amarelo-pálidas. A diferença visual é notável, mas não reflete mudança na composição interna do alimento.

Pigmentos naturais responsáveis pela tonalidade variada

Os carotenoides mais comuns na avicultura são a luteína e a xantofila. Eles vêm de fontes como milho, capim, acerola e pétalas de calêndula.

A absorção desses pigmentos ocorre no intestino da galinha e depende da saúde digestiva da ave. Fatores como estresse térmico ou baixa ingestão de ração podem reduzir a intensidade final da cor.

No Brasil, produtores ajustam as formulações para atender à preferência do consumidor por gemas alaranjadas. Essa prática é técnica e não altera o perfil nutricional do ovo pronto para consumo.

eggs
eggs – Foto: CatLane/iStock.com

Desmistificando associação entre cor escura e maior nutrição

Nutricionistas afirmam categoricamente que não existe correlação entre intensidade da cor e níveis de proteína ou gordura. Todas as gemas oferecem quantidades semelhantes desses macronutrientes.

A crença de que gema mais laranja contém mais vitamina A também não se sustenta. O betacaroteno presente nos pigmentos é precursor da vitamina, mas sua concentração não eleva o valor geral do ovo além do padrão normal.

O ovo inteiro continua sendo fonte completa de colina, ferro, zinco e vitaminas do complexo B independentemente da aparência. Consumidores podem escolher qualquer tonalidade sem receio de perder benefícios.

Galinhas criadas em sistemas intensivos recebem rações balanceadas que garantem uniformidade. A cor varia conforme a receita usada pela granja, mas o resultado nutricional permanece equivalente.

Papel dos carotenoides na saúde das galinhas e dos consumidores

Os mesmos carotenoides que pigmentam a gema atuam como antioxidantes no organismo das aves. Eles ajudam a proteger as células contra danos oxidativos e contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico das poedeiras.

No ser humano, a luteína e a zeaxantina presentes na gema apoiam a saúde ocular. Esses compostos filtram luz azul prejudicial e podem reduzir risco de degeneração macular ao longo dos anos.

A quantidade desses antioxidantes varia ligeiramente conforme a dieta da galinha, mas permanece dentro de faixas seguras e benéficas em qualquer tonalidade de gema. O consumo regular de ovos, independentemente da cor, integra uma alimentação equilibrada.

Variações na criação de poedeiras afetam aparência dos ovos

Galinhas criadas soltas ou em sistemas caipiras têm oportunidade de ciscar e ingerir insetos, capim e restos vegetais variados. Essa diversidade natural eleva o teor de carotenoides na gema e produz tons mais intensos e avermelhados.

Já em granjas com manejo confinado, a alimentação é controlada por nutricionistas que calculam exatamente a quantidade de pigmentantes necessários. O objetivo é alcançar cor uniforme que agrade o mercado sem comprometer o bem-estar ou a produtividade das aves.

Tanto o sistema solto quanto o confinado seguem normas sanitárias rigorosas que garantem ovos seguros. A escolha entre um ou outro depende de preferências pessoais relacionadas a bem-estar animal ou preço, mas não influencia o valor nutricional final do produto.

A indústria avícola brasileira, uma das maiores do mundo, investe continuamente em pesquisa para equilibrar cor, custo e qualidade. Estudos internos mostram que consumidores pagam mais por ovos com gema alaranjada mesmo quando informados de que a diferença é apenas estética.

Essa percepção cultural persiste em regiões urbanas e rurais, mas campanhas educativas começam a esclarecer o público sobre os reais indicadores de qualidade do ovo, como casca intacta, validade e procedência.

Recomendações para seleção de ovos no dia a dia

Ao comprar ovos, priorize a data de validade e a integridade da embalagem. Verifique selos de inspeção federal que garantem boas práticas de produção.

A cor da gema pode servir como referência de consistência da ração usada pela granja, mas nunca como medida de superioridade nutricional. Qualquer ovo fresco e de origem confiável oferece os mesmos benefícios.

Nutrientes essenciais presentes em todos os ovos independentemente da cor

Um ovo médio fornece cerca de seis gramas de proteína de alto valor biológico que inclui todos os aminoácidos essenciais necessários ao organismo humano. A gema concentra a maior parte das vitaminas lipossolúveis e minerais.

A colina presente na gema apoia o desenvolvimento cerebral e o funcionamento do fígado. O ferro e o zinco contribuem para a formação de hemoglobina e o fortalecimento do sistema imunológico.

Independentemente se a gema aparece clara ou escura, o ovo mantém seu status de alimento completo e acessível. Ele se encaixa perfeitamente em dietas para todas as idades quando consumido com moderação e dentro de um padrão alimentar variado.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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