Levantamento aponta ausência de registros sobre Trump em documentos divulgados do caso EpsteinPor Luís Henrique Costa
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Uma análise minuciosa realizada sobre os arquivos recém-liberados do caso Jeffrey Epstein revelou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos reteve dezenas de páginas que mencionam diretamente o ex-presidente Donald Trump. A investigação, conduzida pela National Public Radio (NPR), identificou lacunas significativas na documentação disponibilizada ao público, especificamente em trechos que tratam de alegações de abuso sexual envolvendo uma menor de idade. O material faz parte de um lote massivo de mais de 3,5 milhões de páginas que começaram a ser divulgadas no final de janeiro de 2026, cumprindo diretrizes da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
A descoberta das omissões ocorreu através do cruzamento de metadados e números de série sequenciais dos arquivos. Foi constatado que pelo menos 53 páginas não constam na base de dados pública, criando um vácuo de informações em pontos cruciais da investigação. Entre os documentos inacessíveis estão anotações detalhadas de entrevistas conduzidas pelo FBI, levantando dúvidas sobre os critérios utilizados para a redação e supressão de conteúdos sensíveis.
Inconsistências na numeração e arquivos faltantes
A auditoria nos documentos revelou padrões técnicos que sugerem a remoção deliberada de seções inteiras. Em um único arquivo catalogado, mais de 50 páginas foram suprimidas. O conteúdo ausente refere-se a depoimentos e notas sobre uma acusadora que relatou ter sofrido abusos por parte de Trump em 1983, época em que ela teria apenas 13 anos. A ausência desses registros quebra a continuidade da documentação histórica sobre o caso.
De um total de 15 documentos vinculados a essa testemunha específica, apenas sete estão disponíveis para consulta pública. As notas referentes a três entrevistas realizadas após o depoimento inicial de julho de 2019 desapareceram dos registros oficiais. Além disso, carimbos de série repetidos em diferentes conjuntos de arquivos indicam edições posteriores ou a retirada de páginas após a compilação inicial.
Os detalhes biográficos da acusadora, cujos depoimentos foram parcialmente ocultados, coincidem com informações presentes em um processo civil movido em 2019 contra o espólio de Epstein. Embora aquele processo tenha sido arquivado em 2021 sem menções diretas ao ex-presidente no veredito final, as anotações do FBI agora suprimidas poderiam oferecer um contexto investigativo diferente sobre as alegações.
Justificativas oficiais e procedimentos de revisão
O Departamento de Justiça argumentou que as remoções e lacunas são medidas necessárias para proteger a privacidade de terceiros e corrigir divulgações acidentais de dados sensíveis. Em alguns casos, arquivos foram retirados do ar temporariamente logo após a publicação. Um exemplo envolveu o relatório de uma segunda mulher, que mencionou encontros em Mar-a-Lago; o documento foi removido em 30 de janeiro e republicado semanas depois, em 19 de fevereiro, com novas redações.
Documentos relacionados à mãe desta segunda vítima também permanecem indisponíveis. Segundo os relatos parciais que vieram a público, ela teria questionado a natureza do relacionamento da filha com Epstein ao tomar conhecimento da presença de figuras de alto perfil, como Trump, nas residências do financista. O órgão federal sustenta que continua trabalhando na revisão do material para garantir que a transparência não infrinja direitos individuais de anonimato.
Repercussão política e defesa do ex-presidente
A Casa Branca reagiu prontamente às notícias sobre as lacunas nos arquivos. Abigail Jackson, porta-voz do governo, afirmou categoricamente que Donald Trump foi totalmente exonerado de qualquer vínculo criminoso com Jeffrey Epstein. A defesa ressaltou que foi o próprio presidente quem assinou a legislação de transparência que permitiu a divulgação atual, além de ter solicitado investigações sobre conexões de membros do Partido Democrata com o caso.
Representantes legais, como Pam Bondi e Todd Blanche, enviaram comunicados ao Congresso negando que tenha havido qualquer retenção de registros por motivação política. Eles classificam as menções a Trump nos arquivos internos do FBI, datados de 2025, como sensacionalistas ou impossíveis de serem verificadas, citando apresentações internas da agência que listavam nomes sem evidências corroborativas robustas.
Advogados que representam as vítimas, no entanto, criticam a gestão da divulgação. Robert Glassman, que atuou no julgamento de Ghislaine Maxwell, descreveu o processo de liberação dos arquivos como inadequado. Para a defesa das vítimas, a proteção de identidades tem sido falha, ao mesmo tempo em que informações de interesse público crucial parecem estar sendo filtradas de maneira seletiva, comprometendo a integridade histórica da investigação.








