Salário mínimo sobe 6,79% e chega a R$ 1.621 em 2026 com decretoPor Luís Henrique Costa
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Um decreto assinado em 23 de dezembro de 2025 fixou o salário mínimo em R$ 1.621 por mês a partir de 1º de janeiro de 2026. O valor representa reajuste de 6,79% sobre os R$ 1.518 pagos em 2025, e a conta considerou a inflação pelo INPC e um ganho real de até 2,5%. A medida busca repor perdas inflacionárias e preservar o poder de compra de cerca de 60 milhões de pessoas que dependem do piso.
A decisão foi tomada em meio à discussão sobre equilíbrio fiscal. Cada real de aumento no piso tem impacto estimado em R$ 430 milhões. Trabalhadores da iniciativa privada, aposentados do INSS e beneficiários de programas sociais sentem o efeito nos pagamentos, e a fórmula de correção segue a regra aprovada em 2023.
A mudança atinge diretamente a folha de pagamento das empresas e o orçamento público. O piso serve de base para salários, benefícios e despesas do governo, por isso o novo valor pesa nos dois lados.
- Aposentadorias: reajuste automático para 28 milhões de beneficiários.
- Benefícios sociais: atualização do Bolsa Família e do BPC para valores acima do piso.
- Encargos das empresas: alta nos custos com a folha de pagamento.
Como a conta chegou a R$ 1.621
O cálculo partiu da variação do INPC acumulada até novembro de 2025. A esse índice somou-se o crescimento do PIB de 2024, de 3,4%, limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal. A trava evita que os gastos obrigatórios, como previdência e benefícios assistenciais, cresçam além do limite.
A política de valorização voltou em 2023, depois de vigorar de 2006 a 2019, e busca ganho real todo ano. O valor de 2026 já está em vigor. Para 2027, o número final depende do INPC apurado até novembro de 2026.
Quanto muda para aposentados e beneficiários do INSS
Quem recebe o piso teve acréscimo de R$ 103 por mês desde janeiro. Esse grupo representa 70% dos 40 milhões de beneficiários do INSS. Os benefícios acima do mínimo são corrigidos apenas pelo INPC, sem ganho extra.
O teto das aposentadorias segue a correção pela inflação. A margem para o crédito consignado chega a 45% da renda. O impacto total nas despesas previdenciárias deve chegar a R$ 115 bilhões em 2026.
- Seguro-desemprego: valor máximo ajustado ao novo piso.
- Abono salarial: pagamento integral para quem tem direito em 2026.
- Pensões: correção automática para os dependentes.
O reajuste injeta R$ 48 bilhões na economia por meio dos benefícios. Esse volume chega ao consumo das famílias que recebem o piso e seus dependentes.

Reflexos para as famílias de baixa renda
Famílias de baixa renda destinam 60% da renda a alimentação e moradia. O aumento de R$ 103 cobre parte da alta de itens básicos, como arroz e feijão. Para uma família de quatro pessoas, o ganho equivale a 0,5% do orçamento médio.
Trabalhadores formais pagam contribuição previdenciária de 7,5% sobre o salário. Esse recolhimento fortalece o caixa do INSS em R$ 71 bilhões por ano. O consumo interno cresce com a injeção de renda e beneficia o varejo.
Quanto o reajuste pesa na folha das empresas
Empresas com alta proporção de salários mínimos enfrentam alta de 6,79% na folha. Setores como comércio e serviços, com 40% dos contratos no piso, absorvem R$ 20 bilhões extras em encargos. A Confederação Nacional da Indústria estima impacto de 0,2% nos preços finais.
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Microempresas, com faturamento até R$ 4,8 milhões, recebem incentivos fiscais para mitigar custos. O governo projeta compensação pela maior arrecadação de ICMS com o consumo aquecido. O equilíbrio, segundo estudos econômicos, deve ocorrer em seis meses.
Na prática, cada funcionário contratado pelo piso passa a custar R$ 103 a mais por mês à empresa.
Bolsa Família, BPC e abono com o novo piso
O Bolsa Família ajusta valores mínimos a R$ 1.621 para 21 milhões de famílias. O BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência, cresce R$ 20 bilhões em despesas até 2026. Nenhum benefício pode ficar abaixo do salário mínimo, conforme a lei.
O abono salarial PIS/Pasep paga até o piso integral a trabalhadores de baixa renda, o que beneficia 24 milhões de elegíveis em 2026. A atualização ocorre em janeiro, com depósitos em julho e novembro.
- Valor médio do Bolsa Família: sobe para R$ 680 por mês.
- BPC: R$ 1.621 fixo para 5 milhões de receptores.
- Seguro-desemprego: parcelas mínimas elevadas.
Esses programas representam 15% do orçamento social federal. O BPC também segue o valor do piso, que serve de referência para vários benefícios ao mesmo tempo.
Piso subiu de R$ 1.412 em 2024 para R$ 1.621 em 2026
De 2023 a 2025, o salário mínimo acumulou ganhos reais de 5,5%. Em 2024, o piso subiu para R$ 1.412, com INPC de 3,5% e PIB de 2022. O patamar de 2025, de R$ 1.518, reflete inflação de 4,76% e o limite de 2,5%. Essa trajetória elevou o poder de compra em 12% desde 2023.
A fórmula atual equilibra proteção social e controle fiscal, e o mecanismo constitucional garante estabilidade anual. O projeto de Orçamento de 2027 (PLOA) prevê salário mínimo de R$ 1.741, alta de R$ 120, ou 7,4%. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aponta R$ 1.717 para o mesmo ano.
O valor de 2027 só fica definido por decreto, previsto para dezembro, depois da divulgação do INPC de novembro de 2026. Até lá, o piso vigente é de R$ 1.621 por mês.







