Governo descarta horário de verão em 2026 e segue monitorando o temaPor Carolina Costa
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O Ministério de Minas e Energia (MME) não vai retomar o horário de verão na temporada 2026/2027. A pasta mantém a medida suspensa e não prevê adiantar os relógios no fim de 2026 e no início de 2027. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, afirmou que os reservatórios das hidrelétricas estão acima do esperado por causa das chuvas regulares.
Os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste eram os que mudavam o relógio, enquanto Norte e Nordeste ficavam de fora da lista. A prática, criada em 1931, tinha como objetivo poupar energia ao aproveitar a luz natural. Análises recentes, porém, indicam que a economia perdeu eficácia.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avalia a medida de forma periódica. Estudos apontam que os picos de consumo se deslocaram para a tarde, puxados pelos ares-condicionados, e não mais para o início da noite.
Ar-condicionado desloca pico de demanda e pesa contra o relógio
A mudança nos hábitos de uso de eletricidade pesou na decisão do governo. Com mais aparelhos de refrigeração ligados nas tardes quentes, o horário de maior demanda saiu do início da noite.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registraram recorde de 103.785 megawatts às 14h42 em fevereiro. Para o setor, as mudanças climáticas agravam essa tendência, e o adiantamento do relógio perde utilidade para reduzir custos.
O governo aposta em fontes renováveis como alternativa. Projetos de energia solar e eólica avançam para atender a demanda sem ajustes sazonais nos relógios.
Da criação em 1931 à extinção por decreto em 2019
A prática começou no Brasil em 3 de outubro de 1931, pelo Decreto nº 20.466, durante o governo de Getúlio Vargas. No início, a meta era otimizar o consumo em períodos de escassez de energia.
De 1985 a 2019, o adiantamento de uma hora funcionou de forma contínua, do primeiro domingo de novembro até o terceiro domingo de fevereiro. O calendário era ajustado para não coincidir com feriados como o Carnaval.
O então presidente Jair Bolsonaro revogou a medida por decreto em 2019, alegando baixa efetividade. Esse decreto, o 9.772, de abril de 2019, revogou 25 decretos anteriores que instituíam a hora de verão desde a década de 1990. Avaliações posteriores concluíram que a economia de energia já não justificava a adoção.
A Comissão de Saúde da Câmara aprovou em julho um projeto de lei para proibir o horário de verão de forma permanente. O texto, o PL 397/07, busca formalizar a suspensão em todo o território nacional.
Veja também: MME mantém horário de verão suspenso em 2026 e ONS segue avaliando
O debate no Congresso reflete visões diferentes sobre a manutenção dos horários padrão. Setores como educação e comércio se manifestam de maneiras variadas sobre o tema.
Comércio, escolas e transporte ganham rotina sem alteração
Nas regiões que mudavam o relógio, a decisão preserva os horários escolares e comerciais sem interrupções. Escolas e empresas deixam de se adaptar a cada ano, o que facilita o planejamento.
O transporte público mantém cronogramas fixos. Com isso, há menos confusão nos horários de pico.
O setor agropecuário ganha com dias de trabalho inalterados. O benefício aparece sobretudo nas lavouras do Centro-Oeste.
O turismo no Sul ganha previsibilidade em eventos sazonais. As festas de fim de ano entram nessa conta.
Moradores das áreas urbanas relatam alívio com a ausência de queixas comuns, como os distúrbios do sono. Médicos observam que as transições bruscas afetavam sobretudo crianças e idosos.
O equilíbrio entre economia e bem-estar orienta a política atual. As autoridades acompanham o suprimento para evitar surpresas em períodos de alta demanda.
Térmicas flexíveis e reservatórios reforçam o suprimento de energia
Investimentos em infraestrutura reforçam o sistema nacional. Leilões de potência devem garantir capacidade extra nos próximos anos.
O Plano de Operação Energética de 2025 prevê desafios em horários de pico até 2029. Pelo plano, usinas térmicas flexíveis seriam despachadas apenas em emergências.
Confira também: Horário de verão 2026 é descartado pelo Ministério de Minas e Energia após estudos técnicos do ONS
A chuva acima da média enche os reservatórios e garante geração hidrelétrica estável. Silveira afirmou que o planejamento estratégico cobre todas as regiões do país.
A transição para fontes limpas avança com incentivos fiscais. Parcerias internacionais aceleram a instalação de painéis solares em áreas rurais e urbanas.
Essas ações substituem aos poucos as práticas antigas. O foco segue na confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, que atende 215 milhões de habitantes.
Comitê reavalia a medida todo mês e exige decreto para voltar
O CMSE se reúne todo mês para analisar as condições do sistema. Os relatórios mensais orientam eventuais decisões sobre o retorno da medida.
Em situações excepcionais, como secas prolongadas, o horário de verão poderia voltar a ser avaliado. Ainda assim, os cenários atuais indicam baixa probabilidade de retorno nos próximos anos.
Em relatório datado de 31 de agosto de 2026, o MME deu como concluída a ação sobre o horário de verão na Agenda Estratégica Eletroenergética 2026. Em nota de 21 de setembro de 2026, a pasta repetiu que os estudos do ONS não indicam a adoção da medida para o próximo período seco.
Qualquer mudança exigiria um decreto publicado no Diário Oficial da União, com data de início definida. Em 7 de novembro de 2026, os relógios seguem no horário oficial de cada fuso, sem previsão de alteração.







