Cometa MAPS se aproxima do Sol em 4 de abril com risco de desintegração total

Cometa
Foto: Cometa - Nazarii Neshcherenskyi/ iStock

O cometa C/2026 A1 (MAPS) vive horas decisivas em sua trajetória rumo ao Sol. Descoberto em 13 de janeiro de 2026 por quatro astrônomos amadores na região do deserto do Atacama, no Chile, o objeto celeste pertence à família dos sungrazers Kreutz. Ele deve atingir o periélio neste sábado, dia 4 de abril de 2026, às 10h24 no horário local da costa leste dos Estados Unidos, quando passará a apenas 162.700 km acima da fotosfera solar.

A velocidade estimada chega a 518 km por segundo em uma curva fechada ao redor da estrela. Observadores utilizam as imagens em tempo real da câmera LASCO C3 da sonda SOHO para acompanhar o cometa a partir do dia 2 de abril. O núcleo pequeno, com diâmetro estimado em cerca de 0,4 km segundo análises do telescópio James Webb, enfrenta condições extremas de calor e gravidade que podem determinar seu destino.

  • Descoberto por Alain Maury, Georges Attard, Daniel Parrott e Florian Signoret usando telescópio de 11 polegadas.
  • Nome MAPS forma acrônimo dos sobrenomes dos descobridores.
  • Pertence à classe de cometas Kreutz sungrazers conhecidos por passagens muito próximas ao Sol.
Sol
Sol – Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Trajetória extrema do cometa sungrazer

O percurso do cometa C/2026 A1 (MAPS) descreve uma aproximação recorde ao Sol. No momento do periélio, o objeto deve passar atrás do disco solar conforme visto da Terra e depois reaparecer na frente. Imagens da SOHO mostram o cometa entrando no campo de visão da câmera C3 a partir das 12h GMT do dia 2 de abril e permanecendo visível até as 5h GMT do dia 6 de abril.

Especialistas monitoram possíveis mudanças de brilho causadas pelo aquecimento intenso. O cometa pode sofrer fragmentação antes mesmo de atingir o ponto mais próximo devido a torques de liberação de gás. Três cenários principais são considerados: desintegração completa no periélio, sobrevivência parcial com fragmentos posteriores ou manutenção da integridade estrutural por mais tempo.

Todos os sungrazers Kreutz observados historicamente sofreram algum tipo de ruptura durante ou após a passagem próxima. O pequeno tamanho do núcleo aumenta a probabilidade de disrupção sob as forças solares.

Riscos e comportamento esperado durante o periélio

Astrônomos destacam a imprevisibilidade inerente aos cometas. O objeto pode aumentar rapidamente de brilho caso sobreviva à aproximação inicial. Previsões indicam possibilidade de visibilidade diurna se o cometa alcançar magnitude suficiente, embora a observação exija cuidados extremos para evitar danos à visão causados pela proximidade com o Sol.

Após o periélio, o cometa deve seguir em direção ao céu ocidental ao entardecer. Entre os dias 8 e 14 de abril, observadores em latitudes médias do hemisfério norte podem procurar um possível rastro de poeira no horizonte oeste cerca de 45 a 60 minutos após o pôr do sol. Binóculos ajudam a detectar estruturas tênues como caudas estreitas.

Comparação com cometas históricos sungrazers

O cometa Lovejoy de 2011 passou a cerca de 140 mil km do Sol e sobreviveu inicialmente ao periélio, mas se fragmentou dias depois, exibindo uma cauda reta de 30 graus sem núcleo visível. Já o cometa Ikeya-Seki de 1965, com núcleo maior de aproximadamente 8,7 km, se dividiu em três partes mas produziu um brilho diurno de magnitude -10 com cauda proeminente.

O Grande Cometa do Sul de 1887, também da família Kreutz, ficou conhecido como “Maravilha Sem Cabeça” após a passagem, quando mostrou apenas uma cauda pálida sem núcleo aparente. O cometa ISON de 2013, embora não fosse Kreutz, desintegrou-se antes do periélio a uma distância maior de 1,16 milhão de km.

Esses exemplos ilustram a variedade de resultados possíveis quando cometas se aproximam tanto do Sol. O MAPS apresenta núcleo estimado ainda menor que muitos desses casos anteriores.

Observação segura e acompanhamento científico

A sonda SOHO continua fornecendo imagens coronográficas que permitem monitorar o cometa sem exposição direta ao Sol. Os dados ajudam a entender o comportamento de sungrazers sob condições extremas de temperatura e radiação. Atualizações orbitais foram publicadas em circular do CBAT para refinar as previsões.

Quem estiver em locais com céu limpo no hemisfério norte deve direcionar o olhar para o oeste após o pôr do sol nos dias seguintes ao periélio. A cauda, se formada, pode aparecer como uma faixa estreita de poeira no crepúsculo. Telescópios ou binóculos facilitam a detecção, mas nunca devem ser apontados para o Sol durante o dia.

Expectativa em torno do brilho pós-periélio

O cometa pode desenvolver atividade intensa de sublimação ao se aquecer. Caso sobreviva, o aumento de brilho ocorre rapidamente nas horas e dias seguintes. Previsões otimistas apontam para visibilidade a olho nu por curto período, especialmente entre 6 e 10 de abril, dependendo das condições atmosféricas e do quanto de material volátil restar.

Astrônomos lembram que cometas seguem comportamentos individuais difíceis de antecipar com precisão total. O acompanhamento por múltiplos observatórios e sondas espaciais fornece dados valiosos sobre a composição e a dinâmica desses corpos celestes originários das regiões distantes do Sistema Solar.

Detalhes técnicos da passagem solar

A distância mínima de 101.100 milhas (cerca de 162.700 km) coloca o cometa em zona de forte influência gravitacional e térmica. A velocidade de 322 milhas por segundo equivale a mais de 518 km/s no ponto de maior proximidade. Gráficos de trajetória mostram o caminho em forma de grampo ao redor do Sol.

Imagens da LASCO C3 capturam o cometa movendo-se pelo campo de visão da câmera. O objeto deve passar primeiro atrás do Sol e depois emergir à frente conforme a geometria observada da Terra. Essas observações contribuem para modelos de evolução de cometas sungrazers.

Possíveis resultados após o encontro com o Sol

O núcleo pode se fragmentar completamente ou liberar grandes quantidades de poeira e gás que formem uma cauda visível. Em cenários mais favoráveis, o cometa emerge com cauda longa e estreita no céu crepuscular. A visibilidade diurna dependeria de brilho excepcional, mas sempre com risco de lesão ocular se observada sem proteção adequada.

Equipamentos profissionais e imagens da SOHO permitem o estudo detalhado sem necessidade de observação direta arriscada. O evento oferece oportunidade rara para cientistas analisarem interações entre cometas e a atmosfera solar.

O cometa C/2026 A1 (MAPS) completa sua fase crítica de aproximação solar neste 4 de abril de 2026. Sua trajetória e comportamento serão acompanhados por observatórios terrestres e espaciais nas próximas semanas. Os resultados da passagem definirão se o objeto se tornará um espetáculo visível ou se deixará apenas registros científicos de sua desintegração.

Veja Também Ciência

Ceará registra descoberta de nova ave, o formigueiro-de-Baturite, na serra
Ciência • 16/08/2026

Ceará registra descoberta de nova ave, o formigueiro-de-Baturite, na serra

Comportamento inovador: golfinhos na Austrália utilizam conchas para caçar peixes
Ciência • 16/08/2026

Comportamento inovador: golfinhos na Austrália utilizam conchas para caçar peixes

Descoberta de nova espécie de ictiossauro na Alemanha amplia compreensão do Jurássico
Ciência • 16/08/2026

Descoberta de nova espécie de ictiossauro na Alemanha amplia compreensão do Jurássico

Fóssil da Argentina reescreve origem da viviparidade em ancestrais de mamíferos por milhões de anos
Ciência • 16/08/2026

Fóssil da Argentina reescreve origem da viviparidade em ancestrais de mamíferos por milhões de anos

Pesquisa aponta para a possível existência de duas origens independentes da vida na Terra
Ciência • 16/08/2026

Pesquisa aponta para a possível existência de duas origens independentes da vida na Terra

Hormônio do estresse pode auxiliar cérebro a se regenerar após lesões, aponta estudo
Ciência • 16/08/2026

Hormônio do estresse pode auxiliar cérebro a se regenerar após lesões, aponta estudo

Estudos com Ozempic indicam circuito do cérebro ligado ao desejo e ao tratamento de vícios
Ciência • 16/08/2026

Estudos com Ozempic indicam circuito do cérebro ligado ao desejo e ao tratamento de vícios

Pesquisa com esqueletos de 3.500 anos questiona diagnóstico de sífilis ancestral
Ciência • 16/08/2026

Pesquisa com esqueletos de 3.500 anos questiona diagnóstico de sífilis ancestral

Descoberta em fóssil de 30 anos revela possível nova espécie de mosassauro ancestral
Ciência • 16/08/2026

Descoberta em fóssil de 30 anos revela possível nova espécie de mosassauro ancestral

Pegadas de dinossauro de 150 milhões de anos sugerem andar incomum no Jurássico
Ciência • 16/08/2026

Pegadas de dinossauro de 150 milhões de anos sugerem andar incomum no Jurássico

É possível a Terra perder a gravidade? NASA se pronuncia após especulações
Ciência • 16/08/2026

É possível a Terra perder a gravidade? NASA se pronuncia após especulações

Cientistas encontram colágeno preservado em fóssil de dinossauro de 66 milhões de anos
Ciência • 16/08/2026

Cientistas encontram colágeno preservado em fóssil de dinossauro de 66 milhões de anos

Simulação da Via Láctea revela como discos e aglomerados estelares se formam juntos
Ciência • 16/08/2026

Simulação da Via Láctea revela como discos e aglomerados estelares se formam juntos

Astrônomos detectam buraco negro supermassivo veloz deixando rastro de estrelas
Ciência • 16/08/2026

Astrônomos detectam buraco negro supermassivo veloz deixando rastro de estrelas

Perseidas de agosto: entenda como a chuva de meteoros foi vista no Brasil
Ciência • 16/08/2026

Perseidas de agosto: entenda como a chuva de meteoros foi vista no Brasil