Candidato Eric Swalwell confronta graves alegações de agressão sexual por ex-funcionária

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Candidato Eric Swalwell - Divulgação Foto: Candidato Eric Swalwell - Divulgação

O deputado Eric Swalwell, figura proeminente na corrida pelo governo da Califórnia, enfrenta acusações sérias de agressão sexual feitas por uma ex-funcionária de seu gabinete. As alegações detalham dois incidentes distintos, ocorridos tanto durante o período em que a mulher trabalhava para ele quanto anos após o fim de seu vínculo empregatício. A campanha de Swalwell reagiu veementemente, classificando as alegações como falsas e com motivação política, surgindo às vésperas da eleição.

A mulher, que preferiu manter o anonimato nas reportagens iniciais, trabalhou por quase dois anos no escritório distrital do democrata em Castro Valley, iniciando em 2019. Ela descreveu uma série de interações com o congressista que, segundo seu relato, escalaram de assédio a agressões. As denúncias vieram à tona por meio de entrevistas concedidas ao Chronicle, detalhando um padrão de conduta inadequada.

Os incidentes relatados pela ex-assessora geraram uma onda de reações rápidas e severas no cenário político. A gravidade das acusações levou aliados de Swalwell a reconsiderar seus apoios, com alguns pedindo a retirada do candidato da disputa pelo governo e retirando endossos cruciais para a campanha.

Detalhes das acusações e a reação do candidato

A ex-funcionária alegou que Swalwell começou a assediá-la semanas após sua contratação, em 2019, quando tinha 21 anos. Segundo seu depoimento, ele enviava mensagens com imagens de seus genitais via Snapchat e solicitava fotos íntimas em troca. Houve um episódio em que Swalwell, que é casado e 17 anos mais velho, tentou beijá-la em seu carro após um encontro com doadores.

Outro incidente ocorrido semanas depois, durante o transporte do congressista para outro evento, a mulher relatou que Swalwell expôs seu pênis no carro e pediu que ela praticasse sexo oral, o que ela afirma ter feito em um estacionamento. Tais detalhes chocaram o público e colocaram a campanha do deputado sob intenso escrutínio público, levantando questionamentos sobre a conduta de figuras políticas em posições de poder.

Em setembro de 2019, a mulher narrou que, após sair para beber com Swalwell, ela ficou extremamente embriagada e acordou nua na cama do hotel dele, sentindo os efeitos de uma relação sexual vaginal. Ela disse não se lembrar do restante da noite e que, após esse evento, Swalwell se distanciou, e a relação entre eles esfriou gradualmente, impactando seu ambiente de trabalho e bem-estar.

O segundo incidente e o alerta a amigos

Cinco anos depois, em abril de 2024, a ex-funcionária, que já não trabalhava para Swalwell, participou de um evento de gala beneficente onde ele foi homenageado. Após o evento, eles se encontraram para beber, e ela novamente ficou tão intoxicada que suas memórias da noite são fragmentadas. No entanto, ela se lembra de ter tentado afastar Swalwell e dito “não” enquanto ele, supostamente, forçava-se sobre ela.

Três dias após o ocorrido em 2024, a mulher enviou mensagens a uma amiga, afirmando ter sido “agredida sexualmente” por Swalwell. Nas mensagens, revisadas pelo Chronicle, ela detalhou que “apagou”, mas “acordou uma vez durante e até disse para ele parar em certo ponto”. Ela também fez referência ao incidente de 2019, escrevendo: “Isso aconteceu outra vez quando eu estava trabalhando com ele, mas me convenci de que eu era parte igual, embora o padrão fosse o mesmo: eu apaguei e ele fez sexo comigo”.

Tanto a amiga quanto o então namorado da mulher confirmaram que ela lhes contou sobre a suposta agressão de 2024. O namorado a descreveu como desorientada na manhã seguinte e a incentivou a reportar o caso à polícia. A mulher, no entanto, não chegou a registrar a denúncia formal às autoridades, o que levanta questões sobre os desafios e medos que vítimas enfrentam ao decidir denunciar casos de tal natureza, especialmente quando envolvem pessoas em posições de poder.

A resposta jurídica e as implicações políticas

Em resposta às acusações, Swalwell emitiu um comunicado negando veementemente as alegações. “Essas alegações anônimas na véspera da eleição são categoricamente falsas”, declarou sua campanha. Ele também enfatizou seu histórico de quase 20 anos de serviço público como promotor e congressista, afirmando ter sempre protegido as mulheres.

Na quinta-feira anterior à publicação da notícia, um advogado de Swalwell enviou uma carta de cessar e desistir à mulher, acusando-a de “fazer declarações falsas acusando o Sr. Swalwell de agressão sexual e encontro sexual não consensual” e ameaçando processá-la caso não retirasse suas alegações. Esta ação legal adiciona uma nova camada de complexidade ao caso, transformando-o em uma disputa que pode se estender além da esfera pública para os tribunais.

As implicações políticas para Eric Swalwell são consideráveis. Pouco depois de o Chronicle publicar a versão inicial da matéria, diversos aliados do congressista começaram a solicitar que ele abandonasse a corrida eleitoral e retiraram seus endossos. Entre eles, estava o deputado Jimmy Gomez (D-Los Angeles), que atuava como co-presidente de sua campanha, indicando a seriedade com que as acusações foram recebidas dentro de seu próprio partido.

Reações e o impacto na corrida governamental

A repercussão das denúncias de agressão sexual contra um candidato a governador ressalta a importância crescente do movimento #MeToo e a mudança de paradigma na forma como tais alegações são tratadas, especialmente no ambiente político. A transparência e a responsabilidade tornaram-se exigências inegociáveis para figuras públicas.

A credibilidade de um candidato é fundamental em qualquer eleição, e acusações desta natureza podem ter um impacto devastador, independentemente do resultado final das investigações. A negação firme de Swalwell e a ameaça de ação legal sugerem uma batalha prolongada pela verdade dos fatos e pela sua reputação, que será travada tanto na mídia quanto, potencialmente, nos tribunais.

A corrida para o governo da Califórnia agora está inevitavelmente marcada por essas graves alegações, que desviam o foco das propostas e plataformas políticas para a conduta pessoal de um dos principais concorrentes. A forma como este caso se desenvolverá poderá influenciar não apenas o destino político de Eric Swalwell, mas também a percepção pública sobre a ética e a responsabilidade no serviço público.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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