O empresário norte-americano Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), criticou no domingo (25) a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender por 2 horas o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Na rede social X, o empresário compartilhou uma publicação que associa o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-presidente e ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro.
A postagem reproduzida por Trump Jr. foi escrita pelo advogado Martin De Luca, que representa o grupo empresarial Trump Media & Technology Group e a plataforma de vídeos Rumble em processos contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Ao compartilhar o texto do defensor, o filho do presidente norte-americano afirmou, em tradução livre: “Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na imprensa mainstream norte-americana perderia a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”.
Acusações de Martin De Luca sobre a atuação de Cristiano Zanin no STF
Na publicação original compartilhada por Donald Trump Jr., o advogado Martin De Luca classificou a extensão do horário de funcionamento das seções eleitorais como uma “manipulação descarada” e sustentou que a medida impediria o reconhecimento internacional do pleito. O representante jurídico da Trump Media e da Rumble questionou diretamente os efeitos da decisão sobre a legitimidade da vitória petista: “Se essa manipulação descarada das eleições for usada para anunciar que Lula venceu, Lula realmente espera que alguém na comunidade internacional reconheça isso como uma eleição livre e justa? Ele sabe que ninguém vai”.
O advogado também traçou um paralelo direto entre o chefe do Executivo brasileiro e o antigo regime venezuelano ao comentar o desfecho da votação de 25 de outubro de 2026. “A desesperança chegou a um ponto em que hoje é o dia em que a máscara cai completamente e Lula se torna o próximo Nicolás Maduro? Pelo bem do Brasil, rezo para que não seja o caso”, escreveu De Luca, sem apresentar provas para sustentar as acusações de fraude ou manipulação no processo eleitoral brasileiro.
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Outro ponto atacado pelo advogado norte-americano foi o trâmite do pedido apresentado pela campanha de Lula, que, segundo De Luca, acionou diretamente o ministro do STF Cristiano Zanin sem aguardar uma deliberação prévia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De Luca destacou na publicação que Zanin atuou como advogado pessoal do petista nos processos da Operação Lava Jato antes de ser indicado à Suprema Corte, questionando a rapidez da análise: “Em minutos, [Cristiano] Zanin chegou a ler o pedido? As urnas foram ordenadas a permanecerem abertas por Zanin”.
Decisão de Cristiano Zanin e pedidos de Lula e Flávio Bolsonaro
A decisão liminar (provisória) do ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário de votação no segundo turno até as 19h. A ordem foi referendada em seguida pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que expediu orientação técnica estabelecendo que apenas as seções eleitorais que ainda estivessem abertas às 17h deveriam permanecer em funcionamento pelo período adicional de 2 horas. A medida gerou reclamações entre ministros da corte eleitoral, que apontaram interferência e defenderam que a deliberação caberia ao próprio TSE.
Em esclarecimento divulgado após a concessão da liminar, Cristiano Zanin informou que a medida levou em consideração solicitações apresentadas pelas duas candidaturas que disputavam a Presidência da República. A campanha de Lula havia protocolado o primeiro pedido de extensão às 13h22 de domingo (25), relatando dificuldades no transporte público de eleitores, com foco especial no estado da Bahia. Já a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno, também acionou a Justiça Eleitoral para pedir a prorrogação da votação em 19 cidades localizadas nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, justificando o pleito pela ocorrência de chuvas fortes, alagamentos, interdições de vias e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Declarações de Donald Trump Jr. no primeiro turno e ataques à Usaid
A manifestação sobre a decisão do STF não foi a primeira intervenção pública de Donald Trump Jr. durante o processo eleitoral brasileiro de 2026. Logo após a realização do primeiro turno da disputa presidencial, etapa que terminou com o senador Flávio Bolsonaro na liderança da apuração, o empresário norte-americano utilizou as redes sociais para comentar o desempenho eleitoral de candidatos de direita na América Latina.
Naquela ocasião, o filho do presidente dos Estados Unidos atribuiu a vantagem obtida pelo campo conservador na região ao desmonte da Usaid, a agência norte-americana de ajuda internacional que foi praticamente extinta pela administração de Donald Trump. Também sem apresentar provas documentais, o empresário declarou que a instituição governamental costumava repassar bilhões de dólares para financiar redes de ativistas que, segundo suas palavras, “convenientemente sempre apoiavam o mesmo lado”.
Resultado do segundo turno e posição da Casa Branca sobre Lula
A votação de domingo (25) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, garantindo ao petista a reeleição para o seu quarto mandato presidencial. Após a divulgação do resultado oficial, Flávio Bolsonaro declarou que não reconhece a derrota nas urnas e anunciou que ingressará com pedido de anulação da eleição.
Nos Estados Unidos, o eventual não reconhecimento da vitória de Lula pelo governo norte-americano é tratado até o momento apenas como especulação de bastidores, sem posição oficial da Casa Branca. O presidente Donald Trump afirmou em duas ocasiões anteriores ao pleito que “acompanhava a disputa muito de perto”, mas manteve postura de neutralidade nas últimas semanas sem declarar apoio público a nenhum dos candidatos, e desembarcou na Casa Branca na noite de domingo (25) sem conversar com jornalistas ou emitir pronunciamento sobre o resultado da eleição no Brasil.
