JPMorgan destaca fluxo ao Brasil e condições para Ibovespa bater 230 mil pontosPor Bruna
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O JPMorgan avalia que o Brasil se mantém bem posicionado para atrair investidores estrangeiros após a recente melhora no cenário geopolítico global. A trégua no Oriente Médio reduziu as tensões mais agudas e impulsionou os mercados emergentes nas últimas sessões. O Ibovespa superou os 195 mil pontos pela primeira vez na quinta-feira passada e o real alcançou o patamar mais forte em dois anos.
Essa reação indica que o mercado busca retomar posições em ativos de risco, com benefício claro para os papéis brasileiros. O índice DXY recuou mais de 1% no período, enquanto os índices MSCI de emergentes e da América Latina avançaram cerca de 5%. A Petrobras (PETR4) registrou alta de 2,77% em meio ao movimento.
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Entrada de capital estrangeiro no Brasil
O banco ressalta que o Brasil registrou entradas líquidas de capital estrangeiro durante todo o mês de março. Esse desempenho ocorreu mesmo enquanto os mercados emergentes como um todo apresentaram saídas líquidas. Os R$ 11,7 bilhões observados em março representaram volume apenas 25% menor que o registrado em fevereiro.
Essa movimentação reforça o status de porto seguro conquistado pela América Latina no início das tensões no Oriente Médio. Os estrategistas do JPMorgan mantêm a visão de que o fluxo não deve se reverter de forma abrupta enquanto persistem dúvidas sobre a normalização do fornecimento de petróleo.
O banco projeta que os fluxos para os mercados emergentes podem atingir níveis recordes nos próximos meses. A estimativa considera metade da entrada semanal observada no período pré-conflito, o que se traduz em cerca de US$ 4,5 bilhões por semana ou US$ 36 bilhões nos próximos dois meses.

Perspectivas para o ciclo de afrouxamento monetário
Os economistas do JPMorgan reafirmam que o ciclo de corte de juros no Brasil continua em curso e pode ganhar tração adicional. A equipe espera que o Copom acelere o ritmo de redução da Selic para 50 pontos-base já na reunião de 29 de abril. Esse passo deve ser mantido ao longo do ano.
Com a trajetória projetada, a taxa básica encerraria 2026 em 11,75% ao ano, abaixo do que o mercado precifica atualmente. O fortalecimento do real atua como fator de alívio importante, mesmo diante das recentes pressões de alta do petróleo e das expectativas de inflação.
Essa combinação cria espaço para uma política monetária mais estimulativa nos próximos trimestres. O banco observa que o real mais forte ajuda a conter repasses inflacionários e sustenta o otimismo com o cenário doméstico.
Rotação setorial esperada na bolsa
Caso a trégua no Oriente Médio se sustente, o Brasil deve continuar performando bem nos próximos meses. O movimento virá acompanhado de rotação dentro da Bolsa, com setores que ficaram para trás desde o início do conflito recuperando espaço. O setor financeiro aparece como um dos principais beneficiados, após ficar atrás de outros segmentos desde fevereiro.
Essa rotação pode moderar o desempenho relativo superior do Brasil em relação aos demais emergentes à medida que os preços do petróleo recuam. O ruído relacionado a eventos eleitorais também pode ganhar peso nos mercados no horizonte mais adiante.
A Petrobras representa cerca de 15% do MSCI Brasil e sua desaceleração após forte valorização recente pode influenciar o índice como um todo.
Condições para meta otimista do ibovespa
O Ibovespa negocia atualmente próximo ao cenário-base do JPMorgan, em torno de 190 mil pontos. Atingir a meta otimista de 230 mil pontos exigiria transição para uma história de crescimento estrutural mais sustentável.
Essa mudança dependeria de ajustes nas políticas econômicas, com destaque para uma postura fiscal mais crível. Tal medida criaria espaço para política monetária ainda mais flexível e ajudaria a comprimir os rendimentos ao longo da curva de juros.
O Brasil é negociado a 10,4 vezes o lucro por ação projetado para os próximos 12 meses. Esse múltiplo representa desconto de 20% em relação à média dos mercados emergentes e se alinha com a média histórica do país.
Avaliação atual do mercado brasileiro
A equipe de estratégia do banco considera impressionante a resiliência demonstrada pelo Brasil em captar recursos externos mesmo em período de incertezas globais. O fluxo estrangeiro positivo em março contrasta com o comportamento observado em outros emergentes.
Analistas acompanham de perto a sustentabilidade da trégua no Oriente Médio e seus reflexos sobre commodities e fluxos de capital. O real fortalecido e a perspectiva de juros mais baixos seguem como pilares de suporte aos ativos locais.
O JPMorgan mantém o foco em setores que podem se beneficiar da rotação esperada, sem alterar a visão geral positiva para o Brasil no curto prazo.















