Jain, da GQG, diz que vender ações do Brasil agora seria um erroPor Janderson Luiz
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O fundador da GQG Partners, Rajiv Jain, afirmou que vender ações brasileiras agora seria um erro. A declaração veio um dia depois de a Bolsa paulista registrar a maior queda desde 2020, de 13,8%, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A gestora aparece como a maior acionista privada da Petrobras.
Em atualização divulgada em 10 de junho de 2026, a própria GQG informou que tinha US$ 163,3 bilhões sob gestão em 31 de maio do mesmo ano. O número é maior que os cerca de US$ 150 bilhões citados na entrevista.
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Jain diz que a reação ao resultado eleitoral foi exagerada
Para Jain, o mercado reagiu com excesso. Ele afirmou que as empresas brasileiras mantêm avaliações atraentes, lucros sólidos e boas perspectivas de pagamento de dividendos.
O executivo disse que o Brasil é um dos melhores mercados de ações entre os emergentes para quem adota visão de longo prazo. Se a venda ficar mais intensa, a gestora pode aumentar as compras, afirmou.
Aposta na Petrobras começou em 2022, quando investidores saíam
No fim de 2022, a GQG anunciou participação superior a 5% do capital da Petrobras. Muitos investidores se desfaziam dos papéis com receio de que a volta de Lula ao poder trouxesse mais interferência nos preços dos combustíveis e nos dividendos.
Em 2023, a gestora tinha cerca de 6% da companhia. Naquele ano, Jain já dizia que a ação era a mais barata entre as grandes empresas do mundo. Segundo dados ligados à entrevista, o retorno da ação desde 2022, em dólar e com dividendos, passa de 285%.
Lula de 2002 e o risco político que não se confirmou
Jain lembrou o primeiro mandato de Lula, no início dos anos 2000. Naquele período, as ações brasileiras subiram em meio a um boom global de commodities, mesmo com receios políticos.
Para o gestor, esses temores nem sempre se traduzem em retornos ruins. Ele disse que os freios e contrapesos institucionais ainda funcionam razoavelmente bem.
Brasil segue como a maior aposta da gestora entre os emergentes
As ações brasileiras representavam 14% do fundo de mercados emergentes da GQG no fim de setembro. Em março, essa fatia era de 24%. A gestora reduziu posições para comprar empresas de semicondutores em Taiwan e na Coreia do Sul, em meio à mudança para uma visão mais otimista sobre inteligência artificial.
Mesmo assim, o Brasil continua sendo a maior recomendação de compra da gestora entre os mercados emergentes. Jain citou bancos e empresas de serviços públicos entre as preferidas e disse que a Petrobras ainda está barata.
Circuit breaker e a queda que pesou sobre a Bolsa
O mecanismo da B3 suspende os negócios por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10%. Ele foi criado em 1997 e, na crise da covid-19, em 2020, foi acionado várias vezes em poucos dias.
Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o principal índice da Bolsa caiu 13,8%. O real teve a maior queda em mais de duas décadas. Segundo os relatos, o Ibovespa chegou a recuar 17% durante o pregão.
Déficit fiscal segue como principal teste para o governo
Reduzir o déficit orçamentário é apontado como essencial para baixar os juros e reanimar a economia. A taxa Selic estava em 13,75%, e a reeleição de Lula renovou dúvidas sobre a política fiscal. Jain disse, porém, que ainda há espaço para reformas favoráveis ao mercado durante o governo.
Na terça-feira, 27 de outubro de 2026, a Bolsa estabilizava no início do pregão, com queda de cerca de 0,7%, e o real subia 1,1%. Jain afirmou que investidores tendem a exagerar as consequências de mudanças políticas para empresas como a Petrobras.















