O partido Tisza, liderado por Péter Magyar, conquistou maioria no parlamento húngaro nas eleições realizadas em 12 de abril de 2026. A vitória encerra 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. O resultado abre espaço para possíveis revisões em políticas nacionais, incluindo as regras aplicadas ao mercado de criptomoedas. Até o momento, não há propostas legislativas formais apresentadas pelo novo grupo majoritário.
O cenário político anterior adotou medidas restritivas no setor de ativos digitais. Em julho de 2025, entrou em vigor legislação que criou novos tipos penais relacionados ao uso de criptomoedas, como abuso de cripto e operações de câmbio não autorizadas. As penas podem chegar a dois anos de prisão em casos específicos. A partir de dezembro de 2025, transações entre criptomoedas ou conversões para moeda fiduciária exigiram certificados de validação emitidos por órgão regulador.
Vitória altera equilíbrio político no país
O Tisza obteve cerca de 137 a 138 cadeiras no parlamento de 199 assentos, o que garante maioria e até supermaioria em alguns cálculos preliminares. Péter Magyar, que lidera a legenda de centro-direita alinhada à União Europeia, prometeu transição pacífica e suave do poder. Viktor Orbán reconheceu a derrota e parabenizou o adversário.
A participação nas urnas foi elevada, com registros acima de 79% em apurações parciais. O resultado representa o fim de um longo período de domínio de uma mesma força política. Analistas observam que o novo parlamento pode priorizar maior harmonização com normas europeias em diversas áreas.
Regulação anterior impôs controles rigorosos
A legislação de 2025 estabeleceu sistema obrigatório de validação para trocas de criptoativos. O mecanismo, gerido pela autoridade conhecida como SARA, exigia certificados prévios para validar operações. Na prática, isso criou barreiras adicionais para plataformas e transações.
Empresas internacionais reagiram à nova norma. A fintech Revolut interrompeu serviços de compra, depósito e staking de criptomoedas para clientes húngaros ainda em 2025, sem data definida para retomada na época. Outras operadoras também reduziram ou suspenderam atividades no país.
- Operações de câmbio entre criptomoedas exigiam certificado de conformidade
- Conversões para moeda fiduciária passaram pelo mesmo processo de validação
- Novas figuras penais foram criadas para coibir atividades não autorizadas
- Foco principal recaiu sobre operações em larga escala e plataformas sem licença
- Usuários individuais detentores de ativos não foram o alvo central das medidas
Comissão Europeia questiona compatibilidade com MiCA
O regulamento europeu MiCA busca harmonizar as regras para criptoativos em todo o bloco. A Hungria enfrentou processo de infração iniciado pela Comissão Europeia. O argumento principal aponta que o sistema nacional de validação cria barreiras extras incompatíveis com o marco comum.
O novo governo, mais alinhado à União Europeia, pode facilitar a resolução desse impasse. Ajustes administrativos ou mudanças legislativas seriam necessários para alinhar as normas locais. No entanto, qualquer alteração exige coordenação entre instituições e cumprimento de etapas formais.
Reversão das regras atuais enfrenta obstáculos
Alterar a legislação de 2025 demandaria revisão dos tipos penais e do sistema de certificados. O processo pode se estender por meses, mesmo com maioria parlamentar. Especialistas destacam que a transição envolve tanto aspectos legais quanto operacionais para o mercado.
Até agora, nenhuma ação concreta foi anunciada pelo Tisza em relação às criptomoedas. O foco inicial deve se concentrar na formação do governo e na definição de prioridades. O debate sobre o papel da Hungria no setor de ativos digitais dentro da Europa tende a ganhar força nos próximos meses.
Mercado acompanha sinais de possível flexibilização
A vitória da oposição cria condições para revisão do ambiente regulatório. Plataformas e investidores observam o desenrolar dos eventos. Qualquer mudança dependerá de decisões institucionais e do ritmo de tramitação no novo parlamento.
O país segue operando sob o regime implementado em 2025. Usuários e empresas aguardam definições mais claras sobre o futuro das regras. O alinhamento com o MiCA continua como ponto central nas discussões.

