O príncipe William pretende adotar medidas mais rigorosas sobre o uso de propriedades da família real quando se tornar rei. Ele avalia proibir a sublocação de residências e limitar moradias subsidiadas para membros sem funções oficiais. A intenção surge após auditoria que expôs arranjos envolvendo o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor.
O relatório do National Audit Office, divulgado na semana passada, detalhou os imóveis ocupados por Andrew e sua família. Ele sublocou três cottages no Royal Lodge, em Windsor, enquanto pagava apenas um aluguel simbólico pelo principal. O documento também menciona que o rei Charles cobre aluguéis de apartamentos em palácios para as filhas de Andrew, Beatrice e Eugenie, que não exercem funções reais oficiais.
William, de 43 anos, manifestou preocupação com a aparência desses acordos. Fontes próximas indicam que ele quer “fazer as coisas de forma diferente” para evitar críticas públicas. O foco está na transparência e no alinhamento com expectativas atuais sobre o uso de recursos ligados à Coroa.
Auditoria expõe detalhes dos arranjos de Andrew
A investigação do NAO analisou 12 propriedades usadas por Andrew Mountbatten-Windsor e familiares. Ele mantinha um arrendamento de 75 anos no Royal Lodge desde 2003. Pagou cerca de 7,5 milhões de libras em reformas e um valor inicial de 1 milhão de libras, o que permitiu aluguel nominal anual.
- Três cottages adjacentes foram sublocados até abril de 2026
- A renda ia diretamente para Andrew, sem repasse ao Crown Estate
- As filhas Beatrice e Eugenie ocupam apartamentos em Kensington Palace e St James’s Palace com aluguel pago pelo privy purse
O relatório não aponta irregularidades. Ele serve como base para discussão no Parlamento. Andrew deixou o Royal Lodge no início deste ano e se mudou para Sandringham, mas mantém o contrato até outubro de 2026.
William busca mudanças para reduzir críticas
Fontes consultadas pela imprensa britânica afirmam que o príncipe de Gales acompanha de perto o debate. Ele pretende barrar sublocações por membros da família e restringir residências gratuitas ou subsidiadas a quem não realiza deveres oficiais. O objetivo é melhorar a imagem da instituição em um momento de pressão sobre custos públicos.
O NAO destacou que 11 royals em funções oficiais recebem acomodações sem custo em troca de trabalho público. Outros arranjos, porém, envolvem fundos privados do monarca. William e Catherine pagam aluguel anual de cerca de 307 mil libras por sua residência em Windsor.
Contexto de residências reais e financiamento
O Crown Estate gerencia propriedades que geram receita para o Tesouro britânico. Parte retorna à família real via Sovereign Grant para manutenção de palácios. O privy purse, dinheiro particular do rei, cobre outros custos.
O relatório do NAO não julga custo-benefício. Ele apenas mapeia os processos. Críticos, como a ex-ministra Norman Baker e a baronesa Margaret Hodge, questionam subsídios a não-trabalhantes. Defensores argumentam que não há custo extra ao contribuinte, pois valores são cobertos por recursos privados.
Detalhes sobre as princesas e outros casos
Beatrice e Eugenie possuem residências próprias no Cotswolds e em Portugal. Mesmo assim, mantêm apartamentos em palácios londrinos com aluguel subsidiado. O nível é de cerca de 60% do valor de mercado, segundo o relatório.
Outros membros não-trabalhantes, como Princess Michael of Kent, também têm arranjos semelhantes. A auditoria serve para esclarecer processos e subsidiar debates futuros no comitê de contas públicas.
O Palácio de Buckingham afirmou que o relatório reforça o compromisso com transparência. Um porta-voz do Crown Estate destacou que os contratos seguem avaliações profissionais de mercado.
O debate continua. Qualquer mudança dependerá da sucessão e das prioridades de William como rei.

