Combustível foi cortado intencionalmente em voo chinês que matou 132 pessoas, aponta relatório dos EUA

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Boeing 737 da China Eastern Airlines Foto: Boeing 737 da China Eastern Airlines - Markus Mainka / Shutterstock.com

Investigadores da Junta Nacional de Segurança do Transporte dos Estados Unidos (NTSB) confirmaram nesta terça-feira que os interruptores de combustível foram movidos para a posição de corte enquanto o Boeing 737 da China Eastern Airlines voava a uma altitude de cruzeiro de 8.839 metros. Todos os 132 passageiros e tripulantes a bordo morreram quando a aeronave despencou em março de 2022. Os dados extraídos das caixas-pretas indicam que a ação ocorreu de forma deliberada durante o voo, reforçando a hipótese de intencionalidade no acidente.

A divulgação dos dados pela NTSB marca um passo significativo na investigação internacional do desastre. Embora a investigação tenha sido liderada pela Administração de Aviação Civil da China (CAA), o envolvimento da agência americana justifica-se porque a aeronave foi projetada e construída nos EUA. Um investigador sênior de segurança aérea foi designado especificamente para auxiliar no processo de investigação, garantindo que as normas internacionais fossem seguidas rigorosamente.

Movimentação dos controles durante o voo

Os interruptores de combustível dos dois motores foram manipulados enquanto a aeronave mantinha sua altitude de cruzeiro normal. Esse procedimento não é realizado durante operações rotineiras de voo. Os registros das caixas-pretas documentaram com precisão o momento exato em que os controles foram acionados, fornecendo evidência técnica incontestável sobre o que ocorreu na cabine.

Controladores de tráfego aéreo tentaram repetidamente estabelecer contato com a aeronave durante a descida, mas não receberam qualquer resposta dos pilotos. A falta de comunicação, combinada com a manipulação dos controles de combustível, criou um quadro específico do que aconteceu nos momentos finais do voo. Os investigadores analisaram as transmissões de rádio e confirmaram que não houve explicação fornecida pela tripulação.

Investigação internacional e análise de causas

As autoridades analisaram várias possíveis causas para o acidente:

  • Ação deliberada de alguém na cabine de comando
  • Erro operacional dos pilotos durante procedimentos de emergência
  • Falha técnica ou malfunction dos sistemas de combustível
  • Cenários combinados envolvendo múltiplos fatores

A hipótese de intencionalidade ganhou força após a divulgação dos dados técnicos. Especulações sobre suicídio de piloto circularam amplamente na imprensa internacional desde o momento do desastre, mas a Administração de Aviação Civil da China negou anteriormente essas especulações, afirmando que investigações ainda estavam em andamento. A questão permanece sem confirmação oficial por parte das autoridades chinesas.

Sigilo chinês e pressão por transparência

A China tem enfrentado críticas internacionais pela falta de transparência sobre o caso. Um relatório final completo ainda não foi divulgado pelas autoridades chinesas, apesar de mais de quatro anos terem se passado desde o acidente. A comunidade internacional de segurança aérea aguarda informações adicionais que poderiam esclarecer completamente as circunstâncias da tragédia.

Fontes internacionais de segurança aérea indicam que a demora na publicação de relatórios finais é incomum em acidentes de aviação de larga escala. Protocolos estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) preveem cronogramas específicos para a divulgação de resultados investigativos. A resistência chinesa em compartilhar detalhes completos levantou questões sobre possíveis implicações diplomáticas ou políticas envolvidas no caso.

Contexto técnico do voo

O Boeing 737-800 é uma das aeronaves mais utilizadas na aviação comercial mundial. Centenas de exemplares dessa série circulam regularmente em rotas internacionais, transportando milhões de passageiros anualmente. O modelo tem histórico robusto de segurança, o que torna o acidente chinês ainda mais extraordinário do ponto de vista técnico.

O voo de rota doméstica decolou de Kunming com destino a Guangzhou em março de 2022. A aeronave pertencia à China Eastern Airlines, uma das principais companhias aéreas do país. O trajeto cobria uma distância considerável sobre território chinês, passando por regiões montanhosas que complicaram significativamente os esforços de busca e resgate iniciais.

Quando a aeronave iniciou sua descida não autorizada, atingiu velocidades extremas. Testemunhas no solo relataram ter ouvido sons altos seguidos de impactos. A queda ocorreu em uma área rural de difícil acesso, dispersando destroços sobre um raio considerável. Equipes de resgate chinesas trabalharam intensivamente para localizar destroços e tentar identificar possíveis sobreviventes, mas a magnitude do impacto não deixou possibilidade de sobrevivência para ninguém a bordo.

Implicações para segurança aérea

O acidente colocou em destaque questões sobre protocolos de cabine e autoridade de comando em situações de emergência. Sistemas modernos de aviação incluem mecanismos para prevenir a manipulação não autorizada de controles críticos, mas as investigações técnicas mostraram que esses sistemas possuem limitações em cenários específicos.

Agências regulatórias internacionais reexaminaram procedimentos operacionais e requisitos de certificação após o incidente chinês. Discussões envolvem questões de acesso à cabine de piloto, verificação psicológica de tripulantes e protocolos de monitoramento de saúde mental em companhias aéreas. Embora medidas tenham sido implementadas, debates continuam sobre a efetividade das regulações atuais.

Dados confirmados das caixas-pretas

As caixas-pretas de um avião contêm dois registradores principais: o registrador de dados de voo (FDR) e o registrador de voz da cabine (CVR). Ambos os dispositivos sobrevivem a impactos extremos devido a sua construção robusta e blindagem térmica. No caso do voo da China Eastern Airlines, a recuperação desses equipamentos permitiu aos investigadores reconstruir quase completamente a sequência de eventos que levou ao desastre.

O registrador de dados confirmou a exata sequência temporal dos eventos, incluindo quando os interruptores de combustível foram movidos, qual era a altitude da aeronave naquele momento, as taxas de combustão dos motores e todos os parâmetros operacionais relevantes. Essas informações técnicas objetivas fornecem base sólida para as conclusões alcançadas pelos investigadores.

Os dados indicam também que não houve aviso técnico ou mal funcionamento que pudesse explicar a queda através de causas acidentais. Os sistemas operavam conforme projetado até o momento em que foram deliberadamente desativados. Essa distinção entre falha técnica acidental e ação manual intencional é crucial para compreender a natureza do incidente.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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