Polícia prende Deolane Bezerra na Grande São Paulo em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

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deolane solta justica Foto: Deolane - Foto: Instagram/@dra.deolanebezerra

A Polícia Civil e o Ministério Público prenderam a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra na manhã desta quinta-feira na região metropolitana de São Paulo. A ação faz parte da Operação Vérnix, que investiga um esquema complexo de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão simultâneos em diversos endereços associados à cúpula da organização criminosa. O objetivo principal da força-tarefa é desarticular a estrutura financeira da facção paulista. A suspeita recai sobre a ocultação de bens e repasses financeiros fracionados para empresas registradas no nome da investigada. Os investigadores apontam o uso sistemático de negócios de fachada para inserir recursos ilícitos no sistema bancário formal.

Prisão em Barueri ocorre após viagem da advogada à Itália

A detenção aconteceu apenas um dia depois de Deolane Bezerra desembarcar no território brasileiro. A influenciadora passou as últimas semanas em Roma, na Itália, acompanhada de familiares. Durante o período da viagem internacional, as autoridades brasileiras solicitaram a inclusão do nome dela na lista da Difusão Vermelha da Interpol. A medida classificou a advogada como procurada internacionalmente e alertou as polícias de fronteira em diversos países. Os policiais civis localizaram a investigada na residência principal onde mora, situada em um condomínio de alto padrão no município de Barueri. A operação expediu um total de seis mandados de prisão preventiva contra suspeitos de operar o esquema de lavagem.

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Deolane – Foto: Instagram

A ofensiva policial também buscou familiares diretos de Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelos órgãos de inteligência como o líder máximo do Primeiro Comando da Capital. Everton de Souza foi preso sob a acusação formal de atuar como o principal operador financeiro do grupo criminoso. Ele seria o responsável direto por orquestrar as transferências bancárias. Alejandro Camacho, irmão de Marcola, recebeu uma nova ordem de prisão preventiva. Ele já cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, uma unidade de segurança máxima. As equipes policiais não localizaram Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho durante as buscas matinais. Ambos são considerados foragidos da Justiça e existem indícios de que estejam escondidos fora do país.

Investigação aponta uso de transportadora e fracionamento de valores

O rastreamento do fluxo financeiro começou há cinco anos a partir de uma apreensão no sistema prisional paulista. Agentes penais interceptaram manuscritos com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau no ano de 2019. Os bilhetes continham diretrizes internas da organização criminosa e ordens expressas para monitorar a rotina de servidores públicos. Os responsáveis pelo material foram isolados e transferidos para presídios federais logo em seguida. Um dos trechos dos documentos apreendidos citava uma funcionária de uma transportadora encarregada de levantar endereços residenciais de agentes de segurança. A Polícia Civil instaurou um inquérito paralelo focado em mapear a empresa de logística, seus proprietários e a movimentação contábil.

As diligências revelaram que a transportadora operava quase exclusivamente como uma empresa de fachada em Presidente Venceslau. A Operação Lado a Lado, executada em 2021, comprovou que o negócio apresentava um crescimento patrimonial totalmente incompatível com a realidade do mercado de fretes. A estrutura funcionava na prática como o braço financeiro responsável por injetar o dinheiro do tráfico de drogas na economia formal. A conexão direta com Deolane Bezerra surgiu após a análise de um telefone celular apreendido pelas autoridades. O aparelho pertencia a Ciro Cesar Lemos, investigado por gerenciar as contas bancárias da facção. Os peritos extraíram comprovantes de depósitos e conversas sobre transferências para as contas pessoais e empresariais da influenciadora.

Os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras detalharam a mecânica dos repasses suspeitos. Deolane Bezerra recebeu R$ 1.067.505,00 entre os anos de 2018 e 2021 por meio de uma técnica de lavagem conhecida como smurfing. O método consiste em realizar múltiplos depósitos em valores inferiores a R$ 10 mil. A tática serve para evitar o acionamento dos sistemas de alerta automático do Banco Central. Everton de Souza era o responsável por coordenar e autorizar esses fechamentos contábeis mensais para o grupo.

Justiça determina bloqueio milionário de contas e apreensão de veículos

O poder judiciário autorizou a indisponibilidade de um vasto patrimônio ligado a todos os investigados na ação policial. A Justiça paulista destacou na decisão que não encontrou contratos formais ou notas fiscais de prestação de serviços advocatícios que justificassem a entrada dos valores milionários. A tese dos investigadores aponta que a projeção pública da investigada servia como uma camada de proteção legal para dificultar o rastreio do dinheiro ilícito pelo Estado. Os números consolidados da Operação Vérnix demonstram a alta capacidade econômica da célula desarticulada:

  • Bloqueio judicial de R$ 357,5 milhões em contas bancárias e aplicações financeiras do grupo criminoso.
  • Apreensão de 39 veículos de luxo, com valor de mercado estimado em mais de R$ 8 milhões.
  • Congelamento específico de R$ 27 milhões vinculados aos CPFs e CNPJs de Deolane Bezerra.
  • Identificação de quase 50 depósitos irregulares, somando R$ 716 mil, originários de uma empresa que se apresentava como banco de crédito.

A estrutura financeira utilizava diferentes frentes comerciais para tentar dar aparência lícita ao capital originário do crime organizado. A Polícia Civil continua a análise técnica dos documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos nos endereços dos alvos. O material passará por perícia especializada para identificar outros possíveis envolvidos e novas empresas de fachada utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital.

Histórico recente registra detenção em Pernambuco e crescimento digital

O histórico da advogada inclui outra detenção de grande repercussão ocorrida há poucos meses. Em setembro de 2024, ela foi o principal alvo da Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco. A investigação focou em um esquema bilionário de lavagem de capitais operado por meio de plataformas de apostas esportivas e jogos de azar online não regulamentados. Deolane Bezerra permaneceu encarcerada por cinco dias em uma unidade prisional feminina na cidade do Recife. A soltura ocorreu mediante a concessão de um habeas corpus que impôs medidas cautelares rigorosas, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica. A polícia pernambucana rastreou a compra de 12 imóveis de alto padrão avaliados em R$ 65 milhões em um intervalo de três anos. O bloqueio total de bens daquela operação atingiu R$ 2,1 bilhões, e a defesa negou as acusações.

A figura pública da influenciadora ganhou tração em todo o país em maio de 2021, após a morte do marido, o cantor MC Kevin. O artista faleceu aos 23 anos ao cair da varanda de um quarto de hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. A investigação da Polícia Civil fluminense e a perícia oficial concluíram que a queda foi estritamente acidental. O inquérito descartou qualquer hipótese de agressão prévia ou homicídio no local do incidente.

Desde o acidente, ela consolidou a imagem na internet e passou a atuar fortemente no mercado publicitário digital. Com mais de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, a rotina compartilhada envolvia viagens para destinos luxuosos como Dubai, aquisição de veículos superesportivos e voos em aeronaves particulares. Todo o material de ostentação publicado nas redes sociais passou a integrar os relatórios de investigação sobre a evolução patrimonial da suspeita. O cruzamento dos dados financeiros com o estilo de vida exposto na internet embasou os pedidos executados na atual ofensiva policial em São Paulo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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