Sindicato de policiais penais denuncia regalias a Deolane Bezerra em presídio de SP: chuveiro exclusivo e cama diferenciada
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) formalizou uma denúncia contra supostas regalias concedidas à advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. Os privilégios teriam ocorrido enquanto ela esteve detida por 14 horas na Penitenciária Feminina de Santana, localizada na Zona Norte da capital paulista. Entre as acusações detalhadas estão a instalação de um chuveiro exclusivo e o uso de uma cama diferente das demais detentas da unidade.
A queixa foi apresentada nesta sexta-feira (22) à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O g1 consultou a SAP, que confirmou a custódia de Deolane “como advogada”, em conformidade com a determinação da Justiça. Contudo, a pasta não informou se realizará uma apuração específica sobre as denúncias feitas pelo sindicato dos policiais penais. A defesa da influencer, procurada pela reportagem, optou por não emitir comentários sobre o assunto até o momento.
Sinppenal denuncia regalias em presídio de Santana a Deolane Bezerra
O ofício encaminhado pelo Sinppenal à Direção dos Policiais Penais, vinculada à SAP, detalha as supostas irregularidades. Policiais penais que atuam na unidade prisional relataram os acontecimentos em áudios e mensagens, que foram acessados pela reportagem. Os servidores criticam abertamente o tratamento diferenciado que teria sido dispensado à influenciadora durante sua breve passagem pela penitenciária.
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A denúncia do sindicato aponta para uma série de privilégios que teriam sido orquestrados para Deolane. Segundo os policiais penais, essas ações desrespeitaram as normas internas e o tratamento igualitário que deve ser dado a todos os detentos. A situação gerou grande insatisfação entre os agentes.
Entre os supostos privilégios denunciados pelo Sinppenal estão:
- Improvisação de cela especial: Uma cela, geralmente destinada a detentas que aguardam consultas médicas, foi “preparada exclusivamente para receber” Deolane. A advogada permaneceu sozinha no local, embora a unidade de Santana não disponha de uma “sala especial” formalmente.
- Instalação de cama de ferro: A influenciadora teria recebido uma cama de ferro com colchão, lençol e travesseiro. Esses itens são diferentes das camas de concreto e dos materiais de dormir utilizados pelas outras detentas em Santana.
- Chuveiro elétrico privativo: Um equipamento foi instalado no lugar onde Deolane ficou detida. As presas em Santana, pela lei, têm direito a banho quente, mas utilizam chuveiros coletivos no “pavilhão habitacional”.
- Reforma e pintura: Melhorias estruturais, como reforma e pintura, teriam sido realizadas apenas no alojamento exclusivo de Deolane. Isso aponta para um tratamento preferencial na infraestrutura da cela.
- Restrição de acesso de policiais penais: Agentes alegaram que foram impedidos de entrar no local onde Deolane estava custodiada. A medida comprometeu a fiscalização e a segurança institucional da penitenciária.
- Recepção pela direção da unidade: Um dos diretores da unidade teria recebido pessoalmente Deolane. Para os policiais penais, isso configura um “tratamento protocolar diferenciado, sem respaldo legal ou regulamentar”.
OAB-SP esclarece prerrogativas legais para advogados presos preventivamente
A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) se manifestou sobre o caso. A entidade salientou que há previsão legal no Estatuto da Advocacia para o recolhimento de advogados presos preventivamente. Tais profissionais, antes do trânsito em julgado da sentença, têm direito a uma sala de Estado-Maior ou a um local equivalente. Este espaço deve ser separado dos presos comuns, garantindo suas prerrogativas profissionais.
Saiba mais: Denúncia revela supostos privilégios estruturais para Deolane Bezerra em presídio na capital paulista
A Comissão de Prerrogativas da OAB SP confirmou que acompanha o desenrolar dos fatos envolvendo a advogada e influenciadora. A instituição enfatizou que sua atuação se concentra na defesa das prerrogativas profissionais previstas em lei. A OAB-SP negou qualquer intenção de defender privilégios pessoais. A entidade busca assegurar que os direitos estabelecidos para advogados em situação de custódia sejam respeitados.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) reiterou que custodiou Deolane “como advogada”, em cumprimento à decisão judicial. No entanto, a secretaria não forneceu informações claras sobre a abertura de um processo de apuração interna referente às denúncias de tratamento diferenciado. A controvérsia levanta questões importantes sobre a equidade e a transparência no sistema prisional paulista.
Detalhes da investigação que levou à prisão da influencer por lavagem de dinheiro
A prisão de Deolane Bezerra faz parte de uma ampla operação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Civil. A ação investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro com suposta ligação direta ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A influencer é investigada por sua possível conexão com a movimentação financeira da facção criminosa.
As apurações que culminaram na detenção da advogada tiveram início a partir de bilhetes encontrados em uma cela na Penitenciária de Presidente Venceslau, também em São Paulo. Esses bilhetes, de grande relevância, teriam revelado detalhes cruciais sobre as operações financeiras ilícitas da organização criminosa. A partir dessas informações, as autoridades desenvolveram a investigação que levou à identificação dos envolvidos.
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Um dos áudios obtidos pelo g1, com relatos de policiais penais, expressa indignação com a situação. “Santana é uma vergonha mesmo, mais uma decepção”, afirmou um agente em uma das gravações. “Agora Delane, os caras ficaram sabendo que a Delane ia para lá, o que fizeram? Tem uma cela lá que quando as presas vai para o médico ficam ali naquele corrozinho lá. Mandaram pintar toda a cela, colocar chuveiro quente, mano fizeram a reforma só faltou colocar ar condicionado”, completou o relato, demonstrando o choque com a rapidez e a extensão das “melhorias”.
Deolane Bezerra é transferida para Penitenciária de Tupi Paulista após 14 horas
A advogada e influenciadora digital, de 38 anos, permaneceu na Penitenciária Feminina de Santana das 15h20 de quinta-feira (21) até as 5h20 da sexta-feira (22). Sua estadia totalizou aproximadamente 14 horas antes de ser transferida para uma nova unidade. A movimentação de presos é um procedimento rotineiro no sistema prisional, frequentemente motivado por questões de segurança, superlotação ou classificação.
Após o período em Santana, Deolane foi removida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Essa unidade prisional está localizada no interior do estado, a cerca de 670 quilômetros de distância da capital paulista. A distância significativa e a localização em uma região mais afastada podem indicar uma estratégia para evitar a agitação em torno do caso na capital. A defesa da influencer solicitou prisão domiciliar, baseada nas prerrogativas de advogados.
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Policiais penais relatam supostos privilégios em áudios internos
As denúncias de regalias não se limitaram ao ofício formal do sindicato. Os áudios e mensagens trocados entre policiais penais, aos quais o g1 teve acesso, revelam um profundo descontentamento. Os agentes comparam o tratamento dado a Deolane com as condições precárias enfrentadas por outras detentas, evidenciando uma disparidade marcante.
Um dos policiais penais expressou sua frustração com a falta de atendimento a outras internas. “Aí tem uma presa lá com a boca torta, não quer nem dar remédio para a presa. Não quer levar a presa para o médico”, afirmou, em contraste direto com as supostas benfeitorias na cela de Deolane. Esses relatos internos reforçam a percepção de que houve um tratamento diferenciado e possivelmente ilegal para a influenciadora. A situação levanta sérias preocupações sobre a integridade e a igualdade dentro das instituições penitenciárias do estado. A Secretaria da Administração Penitenciária é cobrada a investigar rigorosamente as alegações.
















