Polícia Federal investiga Lulinha em caso de suposto tráfico de influência na Dataprev (INSS)
Supremo Tribunal Federal permite nova apuração envolvendo Lulinha
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 31 de julho de 2026 uma nova investigação da Polícia Federal (PF) contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A apuração visa determinar uma possível atuação dele para beneficiar empresários em contratos firmados com a Dataprev.
A Polícia Federal investigará se Lulinha cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.
A Dataprev, uma empresa pública, é crucial para a gestão de dados sociais do governo federal, com destaque para as informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que ressalta a importância da integridade em seus contratos.
Em 30 de julho de 2026, Mendonça já havia autorizado a abertura de outro inquérito para investigar Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro foi designado relator dessa investigação também.
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Na investigação anterior, que veio a público no final de julho, a Polícia Federal havia solicitado ao STF um inquérito para verificar se Lulinha teria cometido tráfico de influência e corrupção. A suspeita é que ele atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negociações com o Ministério da Saúde e no gabinete presidencial.
Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, segundo as investigações da Polícia Federal na Operação Sem Desconto.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, classificou a decisão como “lamentável” e afirmou que não existem fatos que justifiquem a abertura do inquérito.
“A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade”, disse o advogado.
Carvalho acrescentou: “É mais do mesmo, tentativa e erro. É a velha estratégia de criar um factóide. Ao que parece, a Polícia Federal está procurando uma espécie de melhor de três, não achei aqui, vou procurar ali. Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça”.
No inquérito que trata da atuação no Ministério da Saúde, a Polícia Federal suspeita que Lulinha e o Careca tenham se envolvido em negócios relacionados à cannabis medicinal.
Em janeiro de 2025, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para os anos de 2024 e 2025, com o objetivo de vender medicamentos de canabidiol ao governo. No entanto, o contrato não foi concretizado.
Marco Aurélio de Carvalho, advogado de defesa de Lulinha, disse acreditar que a Polícia Federal pediu a investigação sobre a área da saúde porque não encontrou irregularidades envolvendo o filho do presidente na apuração das fraudes do INSS.
“Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave”, afirmou Carvalho.
O Ministério da Saúde informou que não possui e nunca teve contrato com a World Cannabis ou com os acionistas mencionados, e que, dessa maneira, nunca realizou qualquer repasse de recursos públicos a eles.
Lulinha é suspeito de ter atuado para que o “Careca do INSS” fosse recebido no ministério.
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O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para buscar oportunidades de negócios de cannabis medicinal com o governo federal em nome da empresa World Cannabis, que era de propriedade do Careca.
A defesa de Roberta nega qualquer irregularidade em seu contrato com o Careca e afirma que ela jamais repassou valores a Lulinha.
No início de 2025, o “Careca do INSS” foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que na época era secretário-executivo, o segundo cargo mais importante da pasta.
Após deixar o ministério em 2025, Berger assumiu a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República.
A Polícia Federal investiga um possível tráfico de influência tanto no âmbito do Ministério da Saúde quanto no gabinete presidencial.
Berger disse em nota que a reunião com o “Careca do INSS” ocorreu conforme as atribuições de sua função na época, sem que tenha havido qualquer tipo de “orientação” para sua realização.
“Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política”, declarou Berger em janeiro deste ano.
Em março de 2026, a defesa de Lulinha confirmou que ele viajou para Portugal com o “Careca do INSS” em novembro de 2024.
A viagem teve como propósito visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas, de acordo com a defesa, não resultou em nenhum negócio entre Lulinha e o lobista.
“Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal”, disse Carvalho.

















