Polícia Federal

Filho do presidente Lula, Lulinha vira alvo de inquérito por tráfico de influência e corrupção no INSS

Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula — Arquivo
Foto: Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula — Arquivo
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 31 de julho de 2026 a abertura de um inquérito solicitado pela Polícia Federal (PF) para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é suspeito de ter cometido os crimes de tráfico de influência e corrupção.

Esta nova linha de investigação associa possíveis irregularidades na conduta de Lulinha à comercialização de cannabis medicinal, além de supostas conexões com servidores do Ministério da Saúde e do próprio gabinete presidencial. Fábio Luís Lula da Silva nega veementemente qualquer envolvimento em práticas ilícitas.

Em resposta às acusações que vieram a público, o presidente Lula afirmou em um podcast que seu filho “jura todo dia” não ter cometido irregularidades, mas ressaltou que ele “não tem o direito de errar”. O presidente concluiu que, “se for culpado, ele vai ter que pagar como todo mundo”.

As ligações suspeitas e o mercado de cannabis

A PF suspeita que Lulinha teria usado suas relações com o governo federal para benefício próprio. Ele é apontado por supostamente atuar em parceria com Roberta Luchsinger, que possui uma consultoria focada em intermediar contatos entre empresários e órgãos públicos, e com o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O objetivo seria favorecer interessados na comercialização do canabidiol, uma substância natural derivada da maconha com diversas aplicações clínicas. Antunes, que já atuava no ramo farmacêutico, buscava consolidar sua empresa, a World Cannabis, neste mercado.

Desdobramentos políticos e embates no STF

A autorização deste novo inquérito, concedida a pouco mais de dois meses das eleições de 2026, intensifica a dimensão política do caso. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, instaurada em agosto do ano anterior, já havia gerado desgastes ao governo ao aprovar diversas quebras de sigilo e convocações de pessoas ligadas a um escândalo de descontos indevidos em aposentadorias, incluindo Roberta e o próprio Lulinha.

Houve disputas no Supremo Tribunal Federal relacionadas a medidas de quebra de sigilo de pessoas próximas ao filho do presidente. Em março, o ministro Flávio Dino suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta, determinada pela CPI, por falta de fundamentação individualizada. A defesa de Lulinha tentou estender essa decisão ao seu cliente, mas a deliberação foi suspensa pelo ministro Gilmar Mendes, que levou o processo ao plenário físico do STF. Internamente, movimentações da PF em seguir uma trilha diferente da apuração original do INSS foram criticadas, levando a um pedido de redistribuição do caso Lulinha, que acabou retornando ao relator André Mendonça por sorteio.

Como as investigações da Polícia Federal começaram

As apurações da PF tiveram como ponto de partida a análise de mensagens e movimentações financeiras. A corporação investiga pagamentos feitos por empresas ligadas a Antônio Camilo Antunes a uma companhia de Roberta Luchsinger. Além disso, uma mensagem em que o lobista menciona uma transferência de R$ 300 mil destinada ao “filho do rapaz” é objeto de análise pelos agentes, que tentam determinar se a referência era a Lulinha.

Em depoimento prestado à Polícia Federal, Roberta afirmou que os pagamentos recebidos eram remuneração por consultorias relacionadas ao mercado de cannabis medicinal e negou ter repassado qualquer valor a Lulinha. Ela também declarou ter apresentado o filho do presidente ao empresário antes de qualquer suspeita sobre o esquema e ter rompido relações com Antunes após a Operação Sem Desconto. Segundo Roberta, Lulinha tinha “curiosidade” sobre a cannabis medicinal devido ao tratamento de familiares, o que teria motivado um convite de Antunes para uma viagem à Europa em novembro de 2024. Roberta prestou serviços de consultoria a Antunes, recebendo R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil, conforme dados da quebra de sigilo fiscal do lobista. O objetivo era viabilizar um contrato no Ministério da Saúde para o SUS, mas o plano não avançou.

O que dizem os envolvidos nas acusações

A defesa de Lulinha informou que não teve acesso ao pedido da PF e, sem conhecer os autos, não pode comentar a investigação. O advogado Guilherme Suguimori Santos disse que será preciso esclarecer a justificativa para a competência do STF e sugeriu que a abertura de um novo inquérito, se confirmada, indicaria que a Operação Sem Desconto não encontrou ligações entre Lulinha e as fraudes no INSS. Ele classificou a nova apuração como uma possível “pescaria probatória”.

Por sua vez, a defesa de Roberta Luchsinger afirmou não ter sido comunicada sobre a instauração do novo inquérito e reiterou que os fatos relacionados aos repasses do INSS e eventuais desvios já são investigados. Em nota, o advogado Bruno Salles Ribeiro argumentou que “não haveria razão para a instauração de um novo inquérito” e comparou a hipótese a uma “investigação em melhor de três”, questionando a reabertura de apurações encerradas às vésperas do processo eleitoral como possível exploração política. A defesa de Antônio Camilo Antunes disse não ter conhecimento sobre o assunto.

O que ainda não se sabe sobre o caso

A Polícia Federal continua trabalhando para esclarecer a quem se referia a mensagem de R$ 300 mil destinada ao “filho do rapaz”, que é um dos pontos centrais das apurações iniciais sobre as movimentações financeiras do grupo.

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