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Resultados finais do estudo RASolute 302 foram apresentados na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology. O daraxonrasib, um comprimido oral, quase dobrou a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas metastático já tratados. A plateia se levantou para aplaudir. Alguns médicos choraram.

O ensaio clínico randomizado de fase 3 envolveu 500 pacientes. Eles foram divididos em dois grupos. Um recebeu o daraxonrasib. O outro seguiu com quimioterapia convencional. O medicamento é desenvolvido pela Revolution Medicines. Os dados foram considerados definitivos.

Resultados mostram ganho de 6,6 meses na sobrevida mediana

No grupo com mutação RAS G12, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses com o daraxonrasib. Com quimioterapia, ficou em 6,6 meses. A diferença foi de 6,6 meses. O risco de morte caiu 60%.

Os números se repetiram na análise geral da população do estudo. A sobrevida mediana foi de 13,2 meses contra 6,7 meses. O tempo sem progressão da doença também dobrou. Foram 7,3 meses contra 3,5 meses no grupo da mutação RAS G12.

Médicos presentes destacaram a consistência dos achados. O perfil de efeitos colaterais foi favorável. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram parar o tratamento por toxicidade. Na quimioterapia, a taxa foi de 11,2%.

  • Sobrevida mediana de 13,2 meses com daraxonrasib versus 6,6-6,7 meses com quimioterapia
  • Redução de 60% no risco de morte
  • Tempo até progressão dobrou para 7,3 meses
  • Resposta objetiva do tumor em 31% dos casos com o novo medicamento
  • Baixa taxa de interrupção por efeitos colaterais

Câncer de pâncreas tem prognóstico grave na maioria dos casos

A doença costuma ser diagnosticada em estágio avançado. Cerca de 80% dos casos já estão metastáticos no momento do diagnóstico. No Brasil, são cerca de 13 mil novos casos por ano. Quase 12 mil pacientes morrem no mesmo período.

A proteína RAS mutada está presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Ela atua como um interruptor que não desliga. Por décadas, foi considerada “undruggable”. O daraxonrasib conseguiu bloquear várias variantes da mutação ao mesmo tempo.

Pesquisadores acompanharam os pacientes por mediana de 8,5 meses. Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Oncology. A conclusão foi clara. O medicamento deve se tornar o novo padrão para segunda linha de tratamento.

Oncologistas destacam impacto dos achados na sessão da ASCO

Stephen Stefani, oncologista da Americas Health Foundation, acompanhou a apresentação. Ele relatou a emoção no auditório. Raramente se vê celebração assim para um novo tratamento contra essa doença.

O especialista lembrou que o estudo usou o desenho mais rigoroso possível. Randomização, controle e análise final completa. Mais de 30% dos pacientes tiveram redução mensurável do tumor. Para muitos, isso significou meses adicionais de vida com qualidade.

Outros pesquisadores presentes reforçaram o ponto. O mecanismo inédito e a baixa toxicidade tornam o daraxonrasib uma opção viável. Até agora, opções eram limitadas após falha da quimioterapia inicial.

Próximos passos envolvem aprovação regulatória nos Estados Unidos

A Revolution Medicines planeja submeter os dados à FDA. O medicamento já tem status de Breakthrough Therapy. Isso acelera a análise. Também recebeu designação de medicamento órfão.

No Brasil, o caminho é mais longo. A Anvisa precisaria iniciar seu próprio processo. Planos de saúde e o sistema público teriam que avaliar cobertura. O custo atual de tratamentos oncológicos avançados é alto.

Especialistas acompanham o desenrolar. O acesso compassivo já existe em alguns casos nos Estados Unidos. Para pacientes sem opções, o comprimido representa esperança concreta.

Entusiasmo marca mudança histórica no tratamento da doença

O câncer de pâncreas permanece um dos mais letais. Sobrevida em cinco anos para forma metastática fica em torno de 3%. Avanços como esse são raros.

O daraxonrasib atua diretamente na via RAS. Ele é tomado uma vez por dia. Isso contrasta com sessões intravenosas de quimioterapia. A tolerabilidade foi um dos pontos mais elogiados.

A apresentação na ASCO consolidou o que dados preliminares já indicavam. A comunidade oncológica agora discute como incorporar o tratamento na prática clínica. Estudos adicionais podem explorar combinações futuras.

O resultado final confirma que o comprimido mudou o cenário para pacientes em segunda linha. De um prognóstico curto, passa-se para uma janela de tempo maior. Isso altera discussões sobre qualidade de vida e planejamento de cuidados.

Médicos que tratam a doença diariamente viram os números na tela. A reação foi imediata. Aplausos e lágrimas marcaram o momento. Para muitos pacientes e familiares, os dados representam algo que parecia distante: progresso real.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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