Tratamento do câncer de pulmão: comprimido diário lorlatinibe mantém 55% dos pacientes 7 anos sem progressão da doençaPor Carolina Costa
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O tratamento do câncer de pulmão avançado alcançou um patamar clínico inédito após o acompanhamento de sete anos do medicamento lorlatinibe apontar que 55% dos pacientes tratados permaneceram vivos e sem progressão do tumor. Os dados confirmam uma sobrevida sem precedentes para a neoplasia que lidera as causas de óbito por câncer no Brasil, responsável por 31.237 mortes anuais segundo os registros do Instituto Nacional de Câncer.
A pesquisa clínica avaliou pacientes diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células que apresentam uma alteração específica no gene ALK, mutação identificada em uma fatia de 3% a 5% dos casos desse tipo de tumor. O fármaco é administrado em dose oral única por dia e atua como uma terapia-alvo de terceira geração, bloqueando diretamente os sinais bioquímicos anômalos que ordenam a multiplicação desenfreada das células malignas.
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Antes do surgimento dessa classe terapêutica, os protocolos baseados apenas em quimioterapia tradicional não permitiam que os pacientes atingissem a marca de cinco anos livres do avanço da doença. Com os inibidores de primeira geração, a taxa ficava entre 5% e 10%, subindo para a faixa de 20% a 30% na segunda geração, até atingir os atuais 55% registrados no estudo CROWN.
O diferencial farmacológico reside na capacidade da molécula de cruzar a barreira hematoencefálica, estrutura biológica que protege o tecido cerebral contra substâncias externas. Como entre 25% e 40% das pessoas com esse perfil genético desenvolvem metástases no cérebro durante os primeiros dois anos após o diagnóstico, a barreira costumava neutralizar a eficácia de terapias anteriores.
Acesso e desafios clínicos do medicamento oral
Apesar dos índices expressivos de controle tumoral a longo prazo, o uso do composto exige monitoramento médico contínuo diante dos efeitos adversos documentados durante as fases de teste:
- Alterações no sistema nervoso central foram relatadas por 52% dos participantes do ensaio clínico, englobando episódios de lentidão cognitiva e oscilações bruscas de humor
- Eventos adversos classificados como graves atingiram 77% dos pacientes acompanhados ao longo dos sete anos
- O custo do medicamento gira em torno de R$ 37.000,00 por mês no mercado privado nacional
- A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde não aprovou a distribuição gratuita na rede pública devido ao impacto orçamentário frente aos parâmetros de custo-efetividade
Embora o remédio já possua registro sanitário regular para comercialização em território brasileiro, a barreira financeira restringe o acesso quase que exclusivamente ao sistema de saúde suplementar e a coberturas judiciais. A ausência de evolução do tumor ao longo de sete anos não equivale à cura definitiva, mas estabelece uma nova fronteira no manejo crônico de quadros pulmonares graves.














